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quarta-feira, 26 de maio de 2010

[IMPRESSÃO] J.J. Abrams é DEUS

Existem caras que eu respeito nessa vida. Poucos, fato, mas existem.
A grande maioria dele acha que se acordar na manhã seguinte com apenas 2 pares de peitos femininos a sua volta foi uma noite completamente perdida. Enfim, pessoas que podemos admirar.

Algumas dessas rarissimas pessoas são admiradas não por essa habilidade, e sim e por outras coisas. JJ Abrams é um dele.

Pq eu admiro JJ Abrams? Pq o cara é um puta gênio! O cara é brilhante, Einstein come picolé de chuchu perto dele! Porra Bátima, se eu pudesse ser tão inteligente quanto alguem (das poucas pessoas no mundo que são mais inteligentes do que eu) certamente eu seria esse cara.

Vc se pergunta pq eu admiro tanto esse cara?
Ora, a resposta é óbvia: LOST

Lost é uma bosta fedorenta que o jigsaw não consideraria fazer alguem assistir pq é crueldade demais. E justamente por isso o cara É FUCKING GOD!

Não entendeu? Permita-me explicar:

Lost é uma série sem metaplot, com personagens asquerosos de chatos e com tanta empatia quanto um saco de batatas, atores tão ruins que fazem as pessoas quebrarem mais TVs de raiva que o Wiimote e como coup`de grace, em nenhum momento tenta esconder isso. Lost é ruim e feito nas coxas, em nenhum momento a série tenta te enganar do contrário

Ou seja é uma das séries mais bizonhas já criadas por uma mente humana.
E por isso o cara é um genio!

Fazer sucesso com algo bom e que vc põe seu coração e mente pra trabalhar duro é dificil, mas já foi feito antes. Agora fazer sucesso com algo que vc rabiscou num papel enquanto pintava a porcelana no banheiro de marrom é algo que só funkeiros tinham a manha até então. Genio, genio, genio!

Essa semana Lost terminou e os produtores se mantiveram coerentes até o fim: "Seguinte babacada, a gente cagou pra vcs até agora e sabemos que QUALQUER coisa que fizermos vcs vão adorar, então em respeito a vossa idiotia, faremos um final a altura cagando completamente pra vcs. Sabemos que vcs esperam isso, e é isso que daremos a vocês. Obrigado por todo dinheiro que nos deram sem que tivessemos que remotamente nos esforçar, e esperamos que repitam a dose quando precisarmos de uma Ferrari nova! Beijomeliga"

É até engraçado ver o quanto as pessoas se contorcem para justificar essa série. Por muitos anos a coisa toda foram os mistérios da ilha. Quando mesmo o mais mongolóide dos fãs percebeu que as respostas não existiam pq o roteiro era feito nas coxas meia hora antes da série ser gravada (e faz algumas temporadas que eles perceberam isso, pra tu ver a feitonacoxisse da série) se passou o foco para que a série era sobre os personagens e que os mistérios não existentes pega-troxa não importava
Não seria a coisa mais horrível do mundo, não fosse o fato de os personagens de Lost serem INTRAGAVELMENTE HORRIVEIS!

Quando eu era aborrecente revoltadinho perdi muito tempo da minha vida discutindo com crentes sobre a idiotice das suas superstiçoes (aka religião) e desde então eu não via essa flexibilidade moral de prostituta kazaquistanesa para justificar alguma coisa.

Mas eu não vou dizer que Lost não é um marco na história da televisão.
Mas não pelos motivos que os chupa-ovos dessa bizarrice gostam de clamar. Lost é um marco pq entendeu o futuro. Lost entendeu o que os videogames já tinham entendido e que após Avatar o cinema perdeu a vergonha de admitir que entende: CONTEUDO NÃO É NADA, IMAGEM É TUDO.

Lembra daquele comercial da sprite, né?
Pois é, os criadores de Lost lembram e isso foi o pulo do gato de JJ Abrams. Desde Bill Gates eu não via alguem aproveitar tão bem uma chance que ninguem mais percebeu quicando na area.

Veja, Lost é fabulosamente bem-editada. Muito, mesmo.
Tão bem editada que é realmente facil esquecer que o roteiro é constrangedor e os personagens são insuportaveis e malas. Mas que diferença isso faz, se a série dói de tão bonita que é?

John willians, o maior genio da musica de óliudi, carregou um filme nas costas só com sua trilha sonora. A equipe de Lost foi mais longe: carregou uma série de 6 temporadas vazia como a barriga de um somali só com a maravilhosa edição de cenas.

E se tem uma coisa que os videogames nos ensinou é que as pessoas rasgarão seus cus com prazer para encontrar méritos em algo massante porem extremamente impressionante visualmente. Lost entendeu isso. E é justamente por isso que JJ Abrams é DEUS.

Pq ele teve a manha, a visão de dar as pessoas o que elas queriam ter: conteudo zero numa embalagem que dói de tão bem feita. Genio, genio, genio!

Bem, posto isso só posso repetir as palavras da minha querida Lulutz:
LOST! OBRIGADO POR ACABAR!
E que venha a próxima porcaria escrita nas coxas, mas editada de forma magnifica.
Pq esse é o nosso mundo e enquanto houver trouxa, malandro não morre de fome.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

[IMPRESSÕES] Lost - "The End"

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Sei que falei muito pouco de Lost aqui no blog ao longo de toda a sua existência, apesar do tempo que dediquei à série nos últimos seis anos, algo que ia muito além dos 42 minutos que, em média, durava cada episódio. Fosse elaborando teorias, participando de discussões com fãs, escrevendo comentários sobre a série em outro blog, ou mesmo fazendo um apanhado geral de tudo que já sabíamos dela até o momento, e de tudo que ainda não tinha sido revelado, um pedaço da minha vida foi devotado a esta série.

Ontem, quando "The End" foi exibido, acabei não resistindo à tentação de assistir o episódio final ao vivo, num dos vários streamings que foram disponibilizados na net para a transmissão de um dos maiores eventos da cultura pop desta década. Após assisti-lo, falar de Lost por aqui acabou se tornando uma obrigação, uma dívida de gratidão que eu precisava pagar de alguma forma.

Tamanho foi o magnetismo com que o episódio atraiu minha atenção, que o que era pra ser apenas uma olhada nos primeiros minutos do final da série, o qual eu planejava assistir apenas hoje a noite quando chegasse em casa, acabou virando uma experiência plena que vivi ao lado de milhões de outros fãs de Lost naquele momento.

Nunca assisti um episódio de Lost ao vivo, mas assim que comecei a assistir "The End", não pude deixar de pensar que eu queria fazer parte daquilo, daquela comoção mundial, daquele momento único em que milhões estavam com os olhares fixos nas TV's, monitores, visores de celular, iPad's, enfim, fazendo uso de qualquer meio que permitisse acompanhar em tempo real aqueles minutos finais da série que despertou em muitas pessoas uma sede insaciável por respostas e, porque não dizer, de perguntas também.

Não quero, com este texto, cair no lugar comum, e repetir o que muitos já disseram sobre a série. Sim, ela foi um marco na história do entretenimento, ousou em muitos aspectos técnicos e narrativos, explorou seus personagens como poucas séries conseguiram e, apesar de todos os erros, tropeços, e falta de respostas para muitas perguntas, ninguém pode tirar de seus criadores talvez o maior mérito de todos: estimulou, como poucas produções voltadas para um grande público, a imaginação de milhões de pessoas ao redor do mundo.

"The End", desde o momento em que Jack fechou seus olhos pela última vez, numa das cenas mais poéticas de toda a série, já se tornou um divisor de águas entre os admiradores de Lost. Mas isto não é nenhuma surpresa, pois Lost, desde sua primeira temporada, quando deixou grande parte do público revoltado pela total falta de respostas, e pela história lotada de pontas soltas, sempre foi uma série que dividiu opiniões.

No decorrer destes 6 anos, a cada novo episódio, o número de perguntas aumentava, enquanto as respostas vinham em doses homeopáticas. Muitas das questões, é certo, surgiram da cabeça dos fãs, cuja curiosidade superou a capacidade dos roteiristas da série de fornecer respostas para todas elas, e muitos, não sem razão, passaram cada vez mais a duvidar que respondessem a maioria delas.

Por muito tempo fui um daqueles que se interessavam mais pelos mistérios da história, do que pelo drama dos personagens, ou por questões sem muito apelo como "Com quem a Kate vai ficar? Jack ou Sawyer?". Questões referentes aos personagens não me interessavam tanto quando não tinham muita relação com os mistérios que surgiam na Ilha, ela mesma um dos grandes personagens de Lost. E foi com certa frustração que assisti o final se aproximando cada vez mais, e as possibilidades de responderem as muitas perguntas que ainda tinha na cabeça diminuírem.

Esta última temporada, mais uma vez, já começou ousando com uma mudança do formato, e lançando a grande questão que seria elucidada ao longo de seus 17 episódios: Qual é o significado dos flash sideways? Com ela, obviamente, surgiram outras: Qual é a sua origem? Foi a explosão da bomba que o gerou? É uma realidade paralela que sempre existiu, e só estamos tomando ciência dela agora? Como se os roteiristas de Lost já não tivessem perguntas demais pra responder...

Inicialmente eu estranhei a idéia, mas logo ela passou a fazer sentido. Afinal, se os caras estavam afim de agradar a maior parte de seu público, ao invés de tomarem apenas um dos dois possíveis caminhos (a bomba alterou a história / a bomba não fez nada), optaram por seguir os dois paralelamente. Foi uma idéia arriscada, que nos primeiros episódios fez muita gente torcer o nariz achando que era desperdício de tempo acompanhar histórias vividas por versões alternativas daqueles personagens de quem nos sentíamos tão íntimos após 6 longos anos. E demorou um bocado para convencerem da importância que tudo aquilo tinha para o que ocorria na Ilha.

Não vou entrar em detalhes sobre a trama da última temporada. Basta dizer que tivemos mais um episódio marcante de Desmond, que conseguiu mudar a impressão de muitos com relação aos flash sideways; um episódio emocionante dedicado a Ben Linus (um dos meus preferidos desta temporada, mesmo abordando muito pouco da mitologia de Lost); muitos momentos impactantes e mortes um tanto inesperadas; e um número razoável de respostas para muitos dos mistérios mais antigos da série.

Daí veio "Across The Sea", outro dos grandes divisores de água da série, com a resposta para as origens de Jacob e do Monstro de Fumaça, e também sobre o verdadeiro propósito da Ilha, e a origem de seu poder. Foi um episódio tão vago em suas respostas, quanto complexo nas reações que gerou. Confesso que fiquei revoltado após assisti-lo pela explicação que, num primeiro momento, se mostrou superficial e boba demais para a origem do Monstro, e simples demais para a fonte de energia da Ilha. Mas, passado um tempo, ele conseguiu me atingir mais fundo, e foi com ele que eu entendi, finalmente, qual era o grande propósito dos criadores da série.

Lost não passou de uma grande metáfora sobre a história do conhecimento e do espírito humano. Sobre o quanto crescemos, e o quanto ainda podemos crescer. Sobre o que já conquistamos, e o que resta para conquistarmos. Foi uma reafirmação de algo que todos já sabemos: não há respostas pra tudo nesta vida, e sairemos dela com mais mistérios insolúveis do que soluções para eles.

Com Jack, e todos aqueles personagens, ou melhor, com todas as pessoas que foram, das mais variadas formas, atraídas para a Ilha, aprendemos que no final, o que realmente importa não é o número de questões que conseguimos responder, mas o que ganhamos enquanto buscávamos solucioná-las. Quanto conhecimento acumulamos, e como conseguimos usá-lo, seja criando teorias sobre a solução de seus mistérios, ou correndo atrás de mais informações para tentar antecipar algumas respostas? Quantos amigos de verdade fizemos, e quão significativos fomos na vida deles? Como podemos ser pessoas melhores? Como esquecer os erros do passado? E, por fim, como seguir em frente? Estas são as perguntas que, na minha opinião, os verdadeiros admiradores de Lost devem se fazer após seu fim. Um final lindo, reflexivo, emocionante, que só mostrou quão bela é a vida, e o quanto grande parte de sua beleza provém de seus mistérios.

Mesmo que a Luz da Caverna se apagasse definitivamente, não havia mais com que se preocupar, pois Lost passou a chama adiante, acendendo-a dentro do coração e da mente de muitos que souberam apreciar a experiência coletiva que a série proporcionou. Lost foi isto, uma luz que iluminou o caminho de muitos em busca de um "algo mais" neste mundo, um estímulo para que não desistíssemos de correr atrás de respostas, não dentro de uma série que chegou ao fim como tantas outras, mas aqui fora, nesta vida, que no final das contas foi a maior fonte de inspiração, e origem dos grandes mistérios daquela Ilha que tanta curiosidade nos despertou.

No final, todos que realmente aproveitaram a jornada se tornaram iguais a Jacob, cada um protegendo uma luz que não quer se apagar, este canal direto com a fonte maior, a origem de tudo, a resposta para todas as perguntas.

Muito obrigado a toda a equipe de roteiristas, diretores, atores, entre tantos outros por trás desta série magnífica e inesquecível, que tanta diversão, emoção e reflexão me proporcionou. Foi um prazer acompanhá-los durante estes 6 anos.

domingo, 16 de maio de 2010

[Random] Então... 2010 e só 5 meses depois que um post aparece...

Então... nao vou pedir desculpas por não postar... pois, bem... ninguem posta/le mais nada aqui mesmo... então vamos direto aos negocios!

ps: Ah sim, não estou preocupado com spoilers... então se você não chegou no filme/episodio que eu comentei... bem, azar :D

@Fringe:
Cara... OBVIO que era o Walternativo fazendo a merda toda! Desde a primeira temporada arrisco dizer... (quando o Walter tava no manicomio e ele "se" viu do lado de fora)... a pergunta é: Não tinha uma forma menos rebuliçosa de viajar entre as dimensões? Digo, pra uma coisa secreta, você tentar mover uma ponte inteira de lugar me equivale e jogar bombinhas no meio de uma missa... sei la...

@Supernatural:
Ainda não vi o ultimo ep (S05E22) mas só eu achei que eles forçaram a barra na hora de conseguir os dois ultimos aneis? Digo, os cavaleiros que dariam otimos episodios solo, foram arrebatados (haha) em apenas um... um pros dois... sei la, correria de final de temporada... Fora o fato de que, obviamente, não sabiam de outra forma de fazer com que o Morte cedesse o anel sem... bem... matar os protagonistas... enfim, boa saida... E se o Sam disser "Sim" e se "Sacrificar" e depois voltar como se nada tivesse acontecido, eu desisto de Supernatural (mentira, não larguei Heroes nem depois daquela bosta de segunda temporada...)

@Dexter:
Cara... Dexter é uma série do S2... To meio atrasado, comecei a terceira temporada agora... mas acho o maximo como tudo da certo pro protagonista... TUDO da errado durante a serie... mas na verdade ta tudo dando certo... e o final da segunda temporada é um samba de surpresas que... tenho nem palavras... apenas queria dizer que gostaria de estar la matando a Laila com ele!!!!

@Lost
Então... mini flashback: Anos atras larguei a serie no meio da segunda temporada pois meio que cansei dessa vida... ai agora, em pleno final de serie resolvi ligar para entes queridos e marcar o que eu gosto de chamar carinhosamente de "Maratona Desesperada". Corremos tanto que agora começamos a quinta temporada ontem... mas infelizmente nao vamos conseguir estar prontos para o ultimo ep =/ Mas enfim... quero deixar aqui relatado que eu amo a Sun e que casaria com ela se fosse um coreano hitman com cara amassada! Os produtores tentam de todas as formas mostrar que todos os personagens são filhasdaputa... flashbacks escabrosos de Kate, Jack, Sawyer.. mas os da Sun, por MAIS que eles tentem... ela sempre sera foda! Acho que ela e o Desmond são os unicos personagens que nunca me causaram antipatia... Alias, e essa historia da ilha se movendo no tempo e no espaço hein? Aquela roda sempre esteve ali? E tipo, como o ben sabia usar se... ahn... tinha uma construção da Dharma e pra chegar la ele teve que explodir a parede? Eles tem sempre que fazer isso? Explodir a maquina, mover a ilha, reconstruir tudo para o proximo incidente? uhnn... é por isso que as pessoas ficam bitoladas por Lost haha!

@Kick-Ass
Cara... vi o filme... sei la, rolou uma lagrima de decepção... Hit-Girl chutando bundas e tal... Kick-Ass sendo aquele bundão... o de sempre... mas... sei la... só eu achei que mudaram um pouco o significado do filme? Tipo, ta, um garoto vestindo roupa de mergulho com um lança chamas nao é muito real... mas um jetpack? Com duas metralhadoras embutidas? No ultimo andar de um edificio enoooourme? Sei la, a graça do quadrinho, pra mim, era ser o mais irreal que pudesse beirar a realidade! Tipo, uma garotinha de 11 anos não poderia fazer aquilo tudo... ok! Mas parava por ai! Agora ele voa pela cidade! Com metralhadoras! Bah... gostei não... e sim, eu ando muito reclamão mesmo...

@Alice do Tim Burton
O filme é só do caralho. A Rainha Vermelha e o Gato Risonho roubam a cena. E por incrivel que pareça, o personagem do Johnny Depp (Chapeleiro Maluco) é um dos mais apagados... Sabe quando você sente que poderia ser QUALQUER um ali? Podia ser a Lebre de Março, poderia ser o Gato Risonho... Ele não parece fazer A diferença... apesar de ter trabalhado muitissimo bem! Culpo a concepção do personagem :D
Ponto alto foi o enredo cheio de mini mensagens escondidas. Um prato cheio praquele povo que alimenta sites com mensagens subliminares, que diz que quando você toca o vinil da xuxa ao contrario, encontra uma receita de estrogonoff de carne... bizarro!

@V (2009)
Cara... V ta sendo outra surpresa vem fodinha! Acho o maximo de como só tem filhodaputa na serie! Todo final de episodio eh um personagem fazendo merda e olhando pra camera com cara de "Heh, ninguem sabe...". Muito bom!

@United States of Tara
Comecei a ver tem umas semanas... ainda nao sai do sexto episodio da primeira temporada... mas to gostando muito. O conflito das personalidades e o fato delas deixarem uma ponta de duvida sobre a "Tara" ser mesmo a personalidade real dela dão um toque a mais na serie.


E é só... até daqui a 5 meses (risos)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

[REVIEWS] Fringe e FlashForward: um retorno e uma pré-estréia

ATENÇÃO: o post abaixo está lotado de SPOILERS!

Um alô para nossos leitores. Essa é uma ocasião especial, além de ser a estréia da segunda temporada de Fringe, temos a pré-estréia da ótima FlashForward. Resolvemos então fazer uma resenha em conjunto. Esperamos que apreciem.

Pra facilitar suas vidas, destacamos os trechos escritos pelo Rodrigo em
azul, enquanto os comentários do Kasul estão em verde.


Fringe s02e01 - "A New Day in the Old Town"


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E finalmente chegou a 2ª temporada de Fringe! Depois de uma 1ª temporada que começou muito bem, deu uma ou outra deslizada em sua primeira metade, mas daí pra frente só foi melhorando até o excelente season finale que apontava pra um caminho cheio de possibilidades, a série volta com tudo, e ganha novos rumos.

Não podemos aqui deixar de comentar um pouco dos momentos marcantes do final dessa primeira temporada. Encontramos Walter num pequeno cemitério. Descobrimos que o túmulo para o qual olha pertence a seu filho Peter, morto ainda criança. Então quem é o Peter que participa da trama? Minha hipótese é que, de alguma forma, Walter o tenha trazido de outra dimensão, para substituir o filho morto. Isso explicaria sua constante preocupação com a saúde dele e também as citações de gostos do filho que não mais correspondem à verdade.

Outro ponto marcante do final foi Olivia se encontrando com William Bell. Explícita a forma como deram a entender que estavam numa outra realidade, primeiro dando um close no jornal, onde uma notícia já colocava Obama como presidente, ficando assim clara a data atual, e logo após, as Torres Gêmeas ainda intactas.

Se a minha preocupação durante esses meses de espera era a forma com que os roteiristas lidariam com a "abertura" de caminhos proporcionada pelo final da temporada anterior, este primeiro episódio veio como um grande alívio. Tudo que havia de melhor em Fringe estava lá, e muitos dos pontos negativos da primeira temporada começaram, aos poucos, a serem consertados.

O episódio tem início imediatamente após um acidente envolvendo dois carros. Um desconhecido sai de um dos veículos cambaleante, andando desorientado pelas ruas de Manhattan, até conseguir entrar num prédio, matar um homem e, com a ajuda de um aparelho estranho, assumir a forma do sujeito! Logo nesta cena começa uma série de citações a uma das principais fontes de inspiração de Fringe. Na TV do apartamento onde se encontravam passa uma cena de Arquivo X, focando o inesquecível casal de agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully.

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Desta vez a verdade está mais "lá fora" do que você imagina, meu caro Mulder.

Partimos então para a abertura do episódio. Os mais atentos notaram que todas as palavras que aparecem durante a apresentação foram trocadas. Agora somos bombardeados com frases como Universos Paralelos, Poder Extra Sensorial, Protociência, Mente de colméia (ou coletiva), entre outras. Será isso uma dica de coisas que poderemos ver nesta temporada?

Não demora muito e já somos apresentados à nova personagem do elenco fixo da série, a agente Amy Jessup, uma gracinha que é intimidada pelo agente Broyles a fim de que ela desista de ir mais a fundo no caso em que se meteu.

Outro destaque, pois essa agente não parece ter entrado no meio dessa confusão por acaso. Dá a entender que sabe muito bem onde está e o que quer fazer. Mas suas verdadeiras motivações ainda são um mistério.

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Tá, eu vou ouvi-lo com essa cara de quem tá com muito medo,
mas não darei a mínima pro que me pediu.

Como se as coisas já não tivessem começado suficientemente estranhas, descobre-se que o outro carro é de Olivia Dunham, embora ele não traga o menor sinal de que ela esteve ali, até que Walter Bishop vai lá dar uma fuçada no veículo que, do nada, começa a funcionar, e "cospe" a agente de dentro dele, através do parabrisa!

E os mistérios seguem um atrás do outro! Olívia é por um tempo considerada clinicamente morta, mas não demora a acordar falando uma frase misteriosa em grego, além de dar a entender que há uma ameaça contra o mundo inteiro chegando no horizonte, e que antes do acidente tinha um encontro decisivo com alguém. Atormentada, atordoada e paranóica ela soa como uma personagem bem mais interessante do que vinha sendo na primeira temporada.

Mais tarde somos apresentados à possibilidade do transmorfo ser um soldado de outro universo, que por sua vez é uma idéia MUITO parecida com o conceito de espiões que podiam assumir a forma de qualquer pessoa, usados na 2ª temporada de Alias, que por sinal foi a melhor de todas (de repente um sinal de que este também será o caso de Fringe?).

E que tal um espelho que mostra um universo paralelo?! Ou ainda uma máquina de escrever que "capta" mensagens datilografadas em sua contraparte de outro universo?!

Legal destacar aqui que toda a “super tecnologia” usada em Fringe é construída de modo bem rústico. Nada de hologramas, lasers ou outras coisas digitais e “futurísticas”. Mesmo as máquinas que fazem as coisas mais esquisitas como o teletransporte, ou atravessar paredes, demandam um esforço grande para serem produzidas e utilizam apenas material , por assim dizer, comum. A comunicação entre as realidades é feita com uma simples máquina de escrever. Note-se a máquina de transformação usada pelo soldado, um aparelho com um interruptor muito antigo, e que ainda necessita que uma parte com pregos sejam enfiadas no céu da boca do sujeito... Mas tudo isso é bola dentro por parte dos criadores, que trazem todas essas coisas surpreendentes para termos mais plausíveis, ou o que costumamos chamar de pseudociência.

Mais tarde no episódio, Arquivo X torna a ser quase explicitamente citada durante a audiência de Broyles em Washington, quando o comitê de investigação menciona a "designação X" referente a casos inexplicáveis do FBI. O que demonstra o senso de justiça que os roteiristas de Fringe possuem, tornando ainda mais claro que a intenção deles não é plagiar, mas inovar no uso de algumas das idéias apresentadas ao longo das 9 temporadas da série de Chris Carter.

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Essa só veio pra cá porque achei ela uma gatinha. Especialmente quando ela diz:
"Ele é de outro universo, cara!" Pelo jeito como ficou, até parece que teve um orgasmo na hora

E já que falamos do Broyles, descobrimos neste episódio que ele já foi um militar com a patente de Coronel, e que tem um caso com Nina Sharp, a "garota propaganda" da Massive Dinamic! Até onde estas informações serão relevantes pra trama, só o futuro dirá.

John Noble continua mostrando a cada episódio que é um grande ator, alternando com facilidade entre cenas cômicas, tensas e dramáticas. A empolgação quase infantil de Walter Bishop diante da permissão do filho em fazer algo que desejava muito é um dos muitos pontos que contribuem para o grande carisma do personagem, talvez o mais querido do público.

Pessoalmente, ele é o meu personagem favorito nesta série. (o que não é nenhuma grande surpresa, já que um dos pontos negativos de Fringe é a falta de mais personagens carismáticos, a começar pela Olivia)

A cena em que ele faz uma autópsia ao mesmo tempo em que supervisiona Astrid enquanto ela prepara sua receita de pudim é ótima!

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"Mistura bem essa massa enquanto eu cuido do "presunto" aqui!"

Peter Bishop também se destaca, se tornando ainda mais atuante na história, e tomando atitudes que apontam pra uma participação mais importante do personagem nesta temporada.

Já tava na hora né? Peter sempre me pareceu um personagem de grandes possibilidades, mas andava meio ofuscado pela trama até então. (adorei a cena final dele com o Broyles, mostrando quem dá as cartas agora)

O mesmo valendo pro Agente Charlie, interpretado com competência por Kirk Acevedo, que soube aproveitar sua chance de mostrar um pouco mais de seu talento. Sinal de que os roteiristas estão dispostos a explorar mais os coadjuvantes nesta temporada (vamos ver se a Astrid desta vez ganha um "background" mais elaborado).

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Momentos finais de Charlie antes de seu futuro tornar-se sombrio

O episódio termina com uma seqüência de ganchos promissores a serem melhor desenvolvidos no decorrer da temporada. Sendo um dos mais intrigantes, na minha opinião, a cena em que Amy começa a relacionar os casos já investigados pela Divisão Fringe a passagens da Bíblia (!). Vamos aguardar o que sairá disto.

Resumindo, um excelente episódio de estréia, que chegou a ser melhor que o episódio piloto, pela quantidade de possibilidades criadas para a série, o que já era de se esperar por tratar-se de um roteiro escrito por J. J. Abrams, e Akiva Goldsman, este último também cuidando da direção. Que este nível se mantenha nos próximos!

E, o mais importante, a vaca está de volta! hahaha


FlashForward s01e01 - "No More Good Days"

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E a série que é a mais nova tentativa de encontrarem uma substituta pra Lost (que daqui a pouco termina) começou muito bem!

Nota aos leitores: segue abaixo resenha muito bem feita pelo Rodrigo. Vou me limitar a alguns comentários irônicos durante o texto.

Com elenco e produção de primeira, FlashForward já começa a história do ponto em que Los Angeles está mergulhada no caos instaurado pelo evento global que ocorre simultaneamente a todos os seres humanos. Dá um gostinho de quero mais, numa cena que lembra MUITO a abertura de Lost (personagem acorda desorientado num cenário posterior a um grande acidente, e encontra pessoas apavoradas, gritando, pedindo socorro...), mas logo trata de dar uma "esfriada" no telespectador, voltando algumas horas no tempo pra mostrar onde cada personagem estava antes de tudo ocorrer.

Assim, conhecemos um pouco da vida do casal principal, Mark e Olivia Benford. Ele, interpretado por Joseph Fiennes (o "Shakespeare Apaixonado"), um detetive que anda tendo problemas no casamento, graças à sua condição de ex-alcoólatra. Ela (papel de Sonia Walger, a Penny de Lost, uma delícia de mulher! ai ai...), uma médica que está fazendo de tudo pra salvar seu relacionamento com o marido, como, por exemplo, deixando bilhetinhos irônicos pra ele aprender a tomar jeito.

E olha o estereótipo! Os jardineiros deles são latinos... serão imigrantes ilegais?
Tá, eu não acho a Sonia Walger isso tudo não, se é para falarmos de gostosas vindas de Lost, de começo podemos citar a ... Ops, vamos voltar pra resenha... (algo naquela mulher me provoca muito... acho que é aquele sorriso meio torto dela)

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"Ser ou não ser... Ooops! Personagem errado!"

Os dois têm uma filha chamada Charlie (Lennon Wynn), que até o momento se mostrou apenas como uma daquelas menininhas loirinhas, coradinhas, de vozinha e jeitinho cutie, embora seja dela uma das melhores frases do episódio de estréia ("Sonhei que não há mais dias bons"), que por sua vez é o título do mesmo.

Creepy... lembrei dessas menininhas de filmes de terror agora.

Ainda temos Demetri Noh (John Cho), parceiro de investigação de Mark, que o acompanhava quando as mentes de todo o planeta se apagaram, bem no meio de uma perseguição a uma mulher suspeita de financiar atos terroristas (o que, obviamente, é o mote pra ser a primeira culpada pelo evento).

Também conhecemos Aaron Stark (Brian F. O'Byrne), padrinho de Mark no AA, que teve sua filha morta no Afeganistão há dois anos, e ainda procura uma forma de enfrentar a perda, sem mergulhar novamente no vício.

À beira de uma praia encontramos Bryce Varley (Zachary Knighton), médico e colega de trabalho de Olivia, que passava por uma fase péssima em sua vida, chegando ao ponto de tentar suicidar-se pouco antes de também apagar com o resto do planeta.

Vai ter sorte assim lá na pqp... (enrolou demais pra puxar o gatilho)

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Mais um pretenso suicida cagão que não deu conta de ir até o fim.
Pfff!

E por fim Nicole, a babá de Charlie (Payton List), que não pensa duas vezes antes de ligar pro namorado pra darem uma trepada no sofá do casal Benford enquanto a garotinha tira um cochilo no quarto.

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Ela adora dar 'umazinha' em dias de caos global! ^.^

Há outros personagens além destes, obviamente, mas que não ganharam tanto destaque no episódio, o qual deixou bem claro que ainda há muito o que falar deles.

Quando voltamos ao ponto em que o episódio teve início somos apresentados à série de conseqüências do evento que botou toda a humanidade pra dormir durante exatos 2 minutos e 17 segundos, tempo em que todos se viram 6 meses no futuro, exatamente no mesmo dia, 29 de abril de 2010.

Mas antes de mergulhar fundo no mistério da natureza do fenômeno, há a preocupação de mostrar como o mundo foi afetado durante um tempo tão curto em que a Terra, literalmente, parou.

Como o foco da história é Los Angeles, vemos a cidade num estado totalmente caótico. Carros acidentados em praticamente todas as ruas da cidade, incêndios, pacientes de hospitais mortos antes de intervenções cirúrgicas, helicópteros que se chocaram contra prédios quando seus pilotos "dormiram" em pleno vôo, dezenas de banhistas mortos por afogamento nas praias quando perderam a consciência, saques em várias lojas da cidade.

E não demora muito pros personagens descobrirem que não aconteceu só ali.

Notícias pipocam a todo momento nas TVs: Incêndios próximos à Torre Eifel! Mortes em massa em Hong Kong! 877 acidentes aéreos somente nos Estados Unidos!

No Brasil deve ter voltado o caos aéreo... mas ae logo vem uma ministra e diz pra relaxar e gozar... (provavelmente é o que ela estava fazendo no momento do apagão)

O mundo inteiro fica paranóico com a possibilidade de acontecer de novo, e tudo ficar ainda pior.

Que nada, é só uma marolinha... (Pegadinha do Malaaandro!!!)

E quando começam a surgir relatos do que cada um viu em seu futuro daqui há 6 meses, tem início os mistérios! (Oh, YEAH, BABY!)

Aparelhos de ressonância magnética usados em pessoas que tinham seus cérebros examinados no momento do acidente registraram uma atividade altíssima no hipocampo, o "centro da memória", fato que só acontece quando estamos acordados, indicando que não se tratava de sonhos ou ilusões tudo aquilo que as pessoas viram.

Com o clamor geral por uma explicação sobre a origem do fenômeno surge uma idéia: postar os relatos das visões de todos em jornais de circulação nacional nos Estados Unidos. E também criar um site mundial onde todos possam postar suas experiências, a fim de cruzarem referências, e criar conexões entre elas, para que se chegue a algumas respostas.

A mulher suspeita de terrorismo se vê no meio de uma tempestade, onde cavalos correm assustados.

Mark se vê sozinho, 6 meses no futuro, em seu escritório. Está apreensivo, voltou a beber. Observa febrilmente uma parede cheia de anotações sobre o Caso Mosaico, no qual ele tenta reunir o máximo de informações possíveis das pessoas que tiveram flashforwards a fim de chegar a uma resposta. De repente aparece um sujeito mascarado e armado claramente sem boas intenções.

Com três estrelinhas tatuadas no antebraço...

Charlie tem um pesadelo onde "não há mais dias bons."

Olívia se vê amorosamente envolvida com um homem que nem sequer conhece.

Bryce recupera seu gosto pela vida, quando vê que ela mudou pra melhor no futuro.

Aaron se vê diante da filha que estava supostamente morta.

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"Whoohooo! Finalmente vou ter um flashforward!"

Mais tarde Olívia recebe o garoto Dan no hospital, vítima de um dos muitos acidentes ocorridos no momento do apagão. Quando ela o conforta dizendo que vai ficar bem, pra sua surpresa, antes de ir pra sala de cirurgia, ele responde "Eu sei, Olívia", sendo que ela nem o conhecia (!).

Logo descobrimos que Dan é filho de Lloyd, que estava em Stanford durante o flash forward global, o qual, por sua vez, é o homem com quem ela se viu envolvida em seu futuro (informação que Olivia ainda desconhece).

Como se todo esse mosaico de premonições não bastasse, Demetri reaparece como o único até o momento que diz não ter passado por flashfowards, e desconfiado de que isto significa que estará morto quando 29 de abril chegar.

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"Pô! Eu também queeerooo! >.<"

E pra fechar, temos um ótimo gancho que nos apresenta a figura misteriosa do único ser humano até então conhecido que permaneceu acordado durante o flashforward.

Já temos os possíveis suspeitos: Peter de Heroes ou Neo de Matrix... (vai dizer que na hora que ele olhou pros dois lados vocês não pensaram que ele olharia pra cima e sairia voando? =P)

Bom, acho que deu pra notar que a intenção é investir no público que curte séries dramáticas de suspense com toques de sci-fi e paranormalidade (meu caso, obviamente).
Opa! o/ (1, 2, 3! Baila salsa e merengue, Maria! Foi mal, não resisti! ^.^'')
Bem produzida, bem escrita, e com um elenco variado e talentoso, FlashForward tem tudo pra ser uma série instigante daquele tipo que deixa o telespectador com os olhos grudados na tela do início ao fim do episódio, e louco para que a próxima semana chegue.

Alguém falou de 24 Horas?
(que por sinal teve uma 7ª temporada excelente)

É sempre bom ser pego de surpresa, e sentir arrepios de ansiedade diante de uma história, e felizmente foram estas as reações que este episódio despertou em mim. E que continue assim!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

[REVIEWS] A Marvel fora da Invasão Secreta - Parte 1

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Bucky Barnes, o sucessor de Steve Rogers

Enquanto em praticamente todas as séries mensais de super-heróis Marvel a Invasão Secreta ocupa boa parte das páginas, há aqueles personagens que ainda permanecem com seus respectivos títulos intocados pela supersaga do ano. E como eu já falei um pouco dela aqui no blog, desta vez achei interessante abordar as histórias que ainda não têm a menor ligação com o evento (embora eu pretenda voltar a fazer comentários a seu respeito num futuro post).


Pelo próprio fato de não sofrerem influência da Invasão, estas histórias já ganham um atrativo a mais, oferecendo uma opção aos leitores que buscam uma leitura mais descompromissada, que não os obrigue a ler praticamente todas as séries mensais da Marvel.

Vamos começar pelo Capitão América, cujas histórias atualmente contam a longa saga de Bucky Barnes assumindo o capuz e o escudo de Steve Rogers, a fim de dar continuidade ao seu legado.

Ed Brubaker, que vem escrevendo o título do personagem desde muito antes da Guerra Civil, a cada nova edição mostra um pouco mais de seu talento como escritor, sem apelar para grandes eventos e, o mais importante, sem a necessidade de ter um personagem icônico como Steve Rogers por trás do famoso uniforme que personifica a bandeira dos Estados Unidos.

É exemplar a forma equilibrada com que tem explorado todos os personagens coadjuvantes da mitologia do Capitão América, como Falcão, Sharon Carter, Viúva Negra, passando por breves participações do Tony Stark, e até mesmo personagens mais obscuros do passado do herói, como é o caso de alguns dos homens que já assumiram o uniforme do Capitão ao longo da história e que já pintaram nos capítulos anteriores escritos por Brubaker. Todos têm espaço o suficiente pra acrescentarem algo de relevante à trama maior que ele vem desenvolvendo pacientemente.


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Não é o Caveirão, mas toca um terror fodido

E já que toquei nela, merece elogios também todo o mistério que Brubaker vem criando em torno dos planos elaborados pelo Caveira Vermelha, Dr. Faustus e Arnim Zola desde o início de sua fase no título. Todos eles são vilões que no passado foram diversas vezes mal utilizados, e ridicularizados por atuações vergonhosas. Brubaker soube ressaltar muito bem o melhor (ou seria pior?) de cada um, de forma a criar histórias cheias de tensão e suspense, que conseguem este efeito mais pelo que está subentendido do que pelo explicitamente apresentado.


Na verdade toda a fase escrita por Brubaker até o momento pode ser encarada, pra usarmos um termo das grandes redes de TV americanas, como uma temporada cujo tema principal é a luta do Capitão América, não importando se trata de Steve Rogers ou Bucky Barnes, mas do símbolo que independe daquele que o porta, contra seu mais ferrenho inimigo, o Caveira Vermelha, que desta vez não está disposto a derrotar apenas o homem, mas também todo o mito por trás dele, seu legado, tanto física como psicologicamente. É mais um embate de conceitos diametralmente opostos do que uma troca de socos, chutes, explosões e escudadas de vibranium que ricocheteiam.

Nota-se isto não só relembrando o grande plano por trás da morte de Steve Rogers, mas também pela forma como o vilão vem procurando perverter tudo que faz parte do mito do Capitão América, destruindo e manipulando homens que já usaram o uniforme e o escudo em períodos onde Rogers esteve incapacitado, transformando a mulher que ele mais amou em sua principal arma na sua elaborada conspiração, e nas histórias mais recentes dando a entender que tem planos até mesmo para o filho que ela espera do herói falecido.


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Matar Steve Rogers foi só seu 1º passo

Muitos podem não ter gostado da pouca variedade de vilões a atormentar a vida do Capitão América na fase atual, mas acho que o Caveira funciona perfeitamente. Ele é tão vil e manipulador como Ben Linus, da série Lost, embora ele me lembre mais o saudoso Arvin Sloane, o grande inimigo de Sidney Bristow em Alias. E como a atual fase do Capitão América é uma longa série de histórias de espionagem, cabe muito bem aqui a citação a outra série do gênero.


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O Contemporâneo vs. O Clássico

Vale a pena correr atrás das histórias já escritas por Brubaker, todas publicadas aqui no Brasil na revista Novos Vingadores, desde a edição 25, ou esperar que a Panini republique as primeiras histórias de sua autoria em uma série de encadernados, o que será o meu caso, já que comecei a acompanhá-la somente após a morte de Steve Rogers, tendo que recorrer a scans na internet pra me inteirar do que havia ocorrido antes.


Continuarei a falar dos heróis Marvel que ficaram de fora da Invasão Secreta no próximo post, que tratará da ótima fase que vem tendo Thor, o Deus do Trovão, desde seu literal retorno do Limbo!

domingo, 16 de agosto de 2009

[RESENHA] FRINGE

O maior desafio para aquele que escreve uma resenha é deixar o leitor instigado para saber mais sobre o que o autor escreve (neste caso, uma série), e ainda tomar cuidado para não revelar nada crucial, que faça o leitor perder seu interesse por já saber o que vai ocorrer. Bom, devo concordar com o Queza, não sou bom nisso, mas espero alcançar algo razoável. Vamos lá então:

Para todos aqueles que estavam se sentindo órfãos desde o fim de Arquivo X, ou para os que curtem uma boa série de ficção e que perderam a vontade de assistir Smallville ou Heroes e tantas outras séries que começam arrebentando mas perdem a mão, Fringe é a solução.

Fringe

onde já vi uma escotilha antes?


Saída da cabeça de J.J. Abrams, que já nos presenteou com Alias e Lost, Fringe começou sua primeira temporada um pouco morna. Parecia somente mais uma série como tantas outras, mas aos poucos foi me prendendo, ao ponto de não conseguir parar de assistir até saber o desfecho. Aliás, como toda série de sucesso (e exigência do capitalismo selvagem) deixa um bom gancho para a próxima temporada (que, pra minha sorte, não demora a sair).

Mas afinal, do que essa série trata? É cópia do aclamado Arquivo X? É original? Bom, não é exatamente original, visto que cai na mesma formula que trouxe sucesso ao “antecessor”: agentes do FBI investigando casos estranhos. Mas, numa época em que praticamente tudo é chupado de outra coisa de sucesso (má má oiii Lombardi...) a genialidade está em pegar velhas fórmulas e tratá-las sob um nova roupagem ou ponto de vista. E nosso caro J.J. consegue fazer isso com maestria.

De começo, somos apresentados à agente Olivia Dunham, que, ao investigar o que parece ser simplesmente um caso de bioterrorismo, acaba sendo envolvida por algo bem maior: o Padrão. WTF??? Segundo explicado na própria série, o Padrão seria constituído por uma série de experiências onde o mundo é o laboratório. Olivia passa então a trabalhar para a divisão fringe, que se dedica a investigar esses casos.

Logo para resolver o primeiro caso, Olivia precisa recorrer à ajuda do cientista louco (eita) Walter Bishop. Conseguir essa ajuda não é fácil no entanto. Ela precisa que o filho de Walter, Capitão Duck, digo, Peter, assuma a custódia do pai para que ele seja liberado da instituição mental em que está confinado. Assim, é formado o grupo de investigação.

Não posso deixar de destacar aqui esses personagens. Walter Bishop é, sem dúvida nenhuma o maior fucking genial cientista da face da Terra. Sim, esqueça Einstein, Stephen Hawking. Se o caso é esquisito e envolve ciência de ponta, pode ter certeza q ele já trabalhou. O que aliás, em minha opinião, fica um pouco forçado. Todo caso apresentado nesta primeira temporada, ou Walter trabalhou com ele no passado, ou tem alguma ligação. O que nos leva a crer que ele fez experimentos por uns 100 anos, pois é impossível alguém se dividir entre tantos projetos e obter resultados rápidos em todos eles. Mas tudo isso é um pequeno detalhe, facilmente ignorado, quando se soma a brilhante interpretação de John Noble (diga-se de passagem, a única digna de nota dentro da série), que sabe dar vida ao personagem de uma forma maravilhosa, intercalando momentos de genialidade com pura abstração e a divertida loucura de Walter Bishop.

Completando o quadro acima, temos Peter Bishop, gênio e trambiqueiro, cínico e cético. Fazendo dupla com seu pai, traduzindo e explicando para os leigos as teorias e divagações do pai. Ainda assim uma criança que cresceu tendo a figura de um pai ausente e desorientado, e que agora tem de aprender a conviver com ele. E, apesar de já passar dos trintas, não posso deixar de notar que o ator Joshua Jackson ainda tem a mesma cara de quando gravou “Nós somos os campeões”. Melhor são as caras que ele faz, quando Walter aparece com suas teorias “absurdas”, mas que no final sempre estão corretas.

Peter e Walter

Vá meu filho, ganhe esta pelos Ducks!!!


Olivia Dunham, a mais apagada de todas as personagens, interessante que ainda sim consegue ser a principal. Uma agente que se pode considerar fora do comum. Ela não perde um único caso em toda a série. Taxa de aproveitamento de impressionantes 100%. Interessante ainda não ter sido promovida pra chefe do FBI. Críticas à parte, ela faz a ligação do cotidiano com o misterioso. Parece estar predestinada à algo importante, mas iremos conferir isto nas próximas temporadas. Interessante que ela possui a postura “I want to believe”, contrapondo-se ao cetecismo de Peter, criando uma relação Mulder-Scully às avessas.

Peter e Olivia

Você viu um careca onipresente passar por aqui?


Agora, o maior paradoxo da série talvez seja Astrid Fansworth, a agente assistente de Olivia. Fera em computação, em lingüística, encriptação... e fica ali, não fazendo nada, somente servindo de mera assistente para as (duvidosas) experiências de Walter. Penso: que agente formado e aspirando uma grande carreira se sujeitaria a isto? Pelo fato de não fazer nada relevante, ainda assim aparecer em TODOS os episódios da série, ela com certeza merece do troféu do Compadre Washingtonismo (Q?).

Astrid Tcham

tchaaam!!!

Outro fator interessante na série (e que não poderia faltar) é a empresa Massive Dynamic. Fazendo o papel de mega corporação evil, realiza um papel dúbio na primeira temporada. Não sabemos se ela é realmente tão má assim, ou se, no fundo, tem boas intenções. Seu fundador, Willian Bell, era companheiro de pesquisas de Walter, e envolvido nas mesmas experiências. Interessante notar que quase todo caso relacionado ao padrão, tem a participação de empresa, de forma direta ou indereta.

Uma série que realmente promete. Somente nesta primeira temporada tivemos (olha o spoiler...), lobisomens, quimeras, viagem no tempo, teletransporte e outras tantas que fazem a alegria de um nerd. Um prato cheio para quem curte boa ficção, embasada na velha e famosa pseudo ciência. Muitos casos bizarros, agentes do FBI investigando... peraí, onde já vi isso? Bom, dessa vez a verdade não está lá fora, mas bem aqui, pertinho, à um deja vu de distância. Como assim? Oras, isso só é respondido no final da temporada, então, confira!