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quinta-feira, 2 de junho de 2011

[REVIEW] O Prisioneiro (The Prisoner, 1967-1968)

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Um agente secreto pede demissão e vai embora pra casa, onde faz as malas e se prepara para sair de férias. Porém seus planos são frustrados quando é posto inconsciente, seqüestrado e levado para uma vila estranha, habitada por pessoas de diversas nacionalidades que não respondem por nomes, mas números. O lugar lhe é apresentado apenas como A Vila, e é informado de que a partir de então ele será o Número 6. Como se o cenário já não fosse estranho o bastante, ele deve lidar com o Número 2, o responsável pela administração da Vila, que insiste em saber por que motivo o agente pediu demissão, e para tanto não hesita em empregar os mais variados métodos de coerção e extração de informações.

O Prisioneiro é uma das séries mais estilosas já concebidas. A começar pela abertura (que vocês podem conferir no vídeo logo abaixo), que sempre apresenta sua premissa, desde o momento que ele pede demissão, seu seqüestro, e seu despertar na Vila. A montagem dinâmica, acompanhada pela ótima música tema, dá o tom que dominará todos os 17 episódios da série.


Se adequando à arquitetura peculiar do local, que gera estranheza, os habitantes da Vila usam roupas coloridas e espalhafatosas, além de quase todos carregarem guarda-chuvas igualmente coloridos. A direção de arte também merece elogios. Para superar as limitações técnicas da época, e dar mais valor às idéias e conceitos apresentados, foi sabiamente usada uma representação estilizada da alta tecnologia empregada pelos personagens. Os telefones sem fio usados pelo Número 2 para se comunicar com outros setores da Vila, a cadeira esférica de onde ele observa as atividades do Número 6, a sala de vigilância circular, com sua gangorra giratória, são todos elementos que merecem uma atenção especial enquanto acompanhamos o desenrolar de cada episódio.

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A Vila

Mas o aspecto surreal da série não pára por aí. O Número 6 logo descobre que suas tentativas de fugir do local são quase sempre frustradas por uma estranha criatura (?) denominada Rover (Errante, em português), que "nasce" do leito oceânico, tem a aparência de um grande balão branco, e anuncia sua chegada com um rugido semelhante ao de um leão. Além disto suas tentativas de se encontrar com o Número 1, a mente por trás de todo aquele complexo e engenhoso esquema, sempre são recebidas de maneira evasiva pelas várias encarnações do Número 2. E este é outro aspecto curioso da série: cada episódio apresenta uma pessoa diferente ocupando o posto de administrador da Vila, e empregando estratégias variadas para descobrir o segredo por trás da demissão do Número 6. É justamente na variedade de técnicas e estratagemas usados por cada novo Número 2 que os roteiristas da série encontram espaço para experimentações narrativas.

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O ameaçador Rover

Entre episódios tão variados há pérolas como "A. B. and C.", em que usam contra o Número 6 uma tecnologia para manipular seus sonhos, e através deles terem acesso à informação que tanto desejam. Vale mencionar que Christopher Nolan, diretor e roteirista do filme A Origem, já declarou que é fã da série, e manifestou diversas vezes seu desejo de adaptá-la para o cinema. Portanto não é nada difícil que este episódio em especial tenha sido uma das fontes de inspiração de seu último filme.

Outro episódio que merece ser comentado é "The Schizoid Man", no qual o Número 6 é substituído por um sósia idêntico a ele. O excelente roteiro não se contenta em criar apenas este problema, e faz com que o protagonista passe por uma avançada técnica de hipnose que o leva a acreditar que na verdade ele é o sósia, enquanto o sósia alega ser o Número 6 original. O roteiro de Terrence Feely é tão engenhoso que passamos o episódio inteiro partilhando das mesmas dúvidas que atormentam o Número 6, especialmente por já conhecermos o personagem, e sabermos que ele seria capaz de enganar seus inimigos fingindo ser o sósia. A história é conduzida de tal forma, e de maneira tão atordoante, que a dúvida persiste até a última cena, quando tudo é esclarecido.

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Número 6 e seu sósia
(ou seria o contrário?)

A grande liberdade que os roteiristas tiveram ainda gerou episódios ousados como "Many Happy Returns", cuja primeira metade não apresenta nenhum diálogo, e se sustenta unicamente pela excelente montagem e o talento de Patrick McGoohan. Nele o Número 6 acorda em seu quarto na Vila e a encontra totalmente deserta. A partir daí acompanhamos sua solitária tentativa de fugir do local em uma jangada.

Já em "Do Not Forsake Me, Oh My Darling", Patrick McGoohan é substituído por Nigel Stock, que interpreta o Número 6 durante quase todo o episódio. Uma jogada arriscada, pois além de tratar-se do protagonista da história, McGoohan é o único ator recorrente da série. Na época ele estava impossibilitado de gravá-la, mas não queria que a produção fosse interrompida, e sugeriu a idéia de que o novo Número 2 usasse uma tecnologia que permitiria trocar uma mente por outra, uma premissa nada original, mas que na época rendeu um dos episódios mais curiosos da série, e um final que trouxe uma das melhores e mais inusitadas reviravoltas.

O Prisioneiro ainda encontrou espaço para debater temas como o papel da educação na sociedade, e os riscos de ela ser pervertida e usada como instrumento de condicionamento mental ("The General"); as estratégias de manipulação da consciência coletiva em eleições "democráticas" ("Free for All"); e a massificação de comportamentos em detrimento da iniciativa individual ("A Change of Mind").

Por trás de toda a história de um homem lutando contra um sistema que lhe foi imposto, visando a supremacia da individualidade sobre uma sociedade de gados, há ainda uma segunda possível leitura, em que toda a série funciona como uma grande alegoria da luta que todo ser humano trava para aflorar seus verdadeiros valores, seu eu profundo, indo contra a maré do que a sociedade espera de nós. Em diversos episódios seus roteiristas indicaram que a intenção não era apresentar uma história que busca ser apreendida de maneira superficial e objetiva, mas uma obra que permitisse várias leituras, construindo diversas camadas de realidade.

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Número 2 em sua cadeira esférica

Vemos, por exemplo, no episódio "The Woman Who Are Dead" uma história de espionagem fantasiosa, cheia de exageros, e passagens que vão do cômico ao ridículo. Muitos podem considerá-lo um filler, uma enrolação, um desvio da trama principal, quando no final ele se mostra uma grande paródia, uma extrapolação da irrealidade presente na grande maioria dos filmes de espionagem da época. Mas o roteiro vai além, e quase literalmente acena a seu público, sugerindo que a própria série tem sua parcela de irrealidade, e que nada daquilo que foi visto até então pode ser levado ao pé da letra. O mesmo pode ser dito do episódio "Living in Harmony", em que logo na primeira cena somos jogados num cenário de Velho Oeste, algo que deve ter gerado alguma confusão para o público da época, mesmo após identificarem Patrick McGoohan no papel principal. Durante quase todo o episódio não há qualquer menção à Vila, ao Número 2, e o protagonista não é mais chamado de Número 6, mas de Xerife. Sabemos que trata-se da mesma série pelo letreiro no início anunciando seu nome, mas, fora isto, parece tratar-se de uma versão alternativa da história. Toda a farsa é revelada apenas no final, e o episódio acaba funcionando como outra dica para que o público não dê tanta importância para o que é apresentado na superfície, mas para a mensagem que se esconde por trás do que é visto.

Quanto ao final da série, sobre o qual não entrarei em detalhes, ele é o ponto de convergência de todos os temas abordados nos 16 episódios que o antecederam. Há uma densa camada de símbolos, metáforas e alegorias que envolve cada ação de cada personagem em cena. Não é o tipo de conclusão que responde diretamente todas as perguntas que a série gerou na mente de seus espectadores. Muito fica aberto a interpretações, mas não há como negar a genialidade por trás do que foi feito.

A interpretação de Patrick McGoohan como o Número 6 é essencial para que a série cative seu público. Sua atuação é intensa, frenética. Seus diálogos em diversos momentos adquirirem um nervosismo e urgência que são refletidos na montagem excepcionalmente dinâmica, cheia de cortes rápidos e precisos, que inserem o público naquele cabo de guerra disputado entre um homem e todo um sistema.

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Patrick McGoohan e Leo McKern

Merecem destaque também alguns dos atores que interpretaram o Número 2, como Patrick Cargill, que faz uma das encarnações mais cruéis do vilão, levando o Número 6 a armar um engenhoso plano que volta suas estratégias contra ele próprio ("Hammer Into Anvil"). E Leo McKern, cuja participação foi tão marcante no início da série que foi chamado de volta para interpretar seu Número 2 num dos episódios mais fulminantes de O Prisioneiro, "Onde Upon a Time", considerado por muitos o melhor de todos. Nele o Número 6 e o Número 2 ficam presos juntos numa instalação subterrânea, onde entram numa verdadeira guerra psicológica que dura o episódio inteiro. O atrito entre os personagens é palpável, e fica evidente que cada ator está atuando em sua capacidade máxima. É o penúltimo episódio da série, e conduz o público de maneira brilhante ao seu ato final.

Aclamada e objeto de discussões até hoje, O Prisioneiro trás consigo uma enorme carga de criatividade e temas para reflexão que ainda continuam pertinentes. Mais de 40 anos depois de seu lançamento, ela permanece como uma série obrigatória aos admiradores de um ótimo suspense, mas, acima de tudo, àqueles que apreciam uma história bem contada.

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Número 6 em seu Lotus 7

terça-feira, 26 de outubro de 2010

[O MÊS DOS MORTOS] The Walking Dead – A Série de TV

ATENÇÃO: o texto abaixo contém alguns SPOILERS!!

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31 de outubro de 2010 já se tornou uma data histórica. 42 anos depois de George Romero nos brindar com um dos maiores e melhores clássicos do terror, o seminal A Noite dos Mortos Vivos, Frank Darabont, o diretor responsável por algumas das melhores adaptações cinematográficas de obras de Stephen King (Um Sonho de Liberdade, O Nevoeiro, entre outras), estréia no visionário canal AMC (da excepcional Breaking Bad, e da aclamada Mad Men), a adaptação de uma das mais elogiadas HQs de terror já escritas, criada por Robert Kirkman e Terry Moore. É um sonho se realizando para uma legião de apreciadores de um dos subgêneros mais populares do terror: o apocalipse zumbi.

Comentário do C: Uma coisa curiosa sobre o Halloween é que ele é um dos poucos acontecimentos da cultura anglo-saxônica que não "pegou" por aqui. Nós temos um feriadinho paia que ninguém dá muita coisa por ele (dia de finados), mas não é nem perto do quanto a véspera do dia de todos os santos é importante na cultura americana. Evidentemente que é o dia que começará o apocalipse zumbi, então, por favor, tenham a decência de não começar nenhum experimento ou ritual nesta data, obrigado.

Agora, sei lá, foi só eu que não sabia que porra de canal é esse AMC? Acidente Molecular Cerebral?


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A verdade é que tal fato já era esperado. A HQ fez sucesso praticamente desde sua estréia em 2003 (a primeira edição foi reimpressa 6 vezes!), e conforme Robert Kirkman ia demonstrando sua capacidade de escrever uma série longa sem perder a mão, e mantendo o leitor sempre ansioso pela próxima edição, não demorou muito pra começarem a achar que era o material perfeito pra ser transformado numa série de TV, desde que houvesse alguém capaz de convencer algum canal de televisão de que uma série de terror focada no drama dos personagens era garantia de sucesso.

Comentário do C: Eu tenho todas as críticas do mundo a Lost, mas tenho que admitir que a série mudou a visão que o mundo tem dos seriados. Depois de Lost se decidiu que dava pra extrair um "drama pessoal" sério de qualquer coisa. Tanto é que tivemos até de Super-Heróis (antes de Heroes cagar no tomate). Então, uma vez provado que dava pra aplicar esse "padrão seriado" de qualidade, era só questão de tempo até alguém perceber o óbvio: Walking Dead.

Tenho fé que um dia expandirão esse padrão de qualidade (focado em tramas pessoais bem feitas) para universos que eu pago pau infinitamente. Quem não daria a orelha da mãe por um seriado foda de Halo?

Adendo do Wolv: Além disto, como bem observou o pessoal do Omelete, Walking Dead é uma série que, se fizer sucesso (e muitos estão apostando nisto), abrirá espaço para que outros quadrinhos de temática mais adulta sejam adaptados pra TV. Já estão falando de uma adaptação de Sandman, e no ano passado surgiu o boato de que adaptariam Fábulas, outra HQ que recomendo muito a leitura.

6 anos depois do lançamento da HQ, eis que surge Frank Darabont com uma proposta de adaptar os quadrinhos para o formato de telefilmes, a qual é aceita e bancada pelo canal AMC. Conforme a produção avançava, os executivos da emissora acreditaram na força do material que tinham em mãos, e aprovou a produção de uma série. A confiança é tanta que já deram sinal verde para a 2ª temporada.

Comentário do C: Ainda podemos ter fé no bom senso da humanidade? E... WTF, canal AMC ainda tô tentando engolir. Chamarei de America Channel doravante, pronto.


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Tanto a história da HQ como a da série gira em torno de Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial de uma cidadezinha de interior que é baleado durante uma operação que dá errado, entra em coma devido à gravidade do ferimento, e só desperta depois que o mundo inteiro virou um caos. Daí pra frente, descobrimos com Rick o estado em que as coisas se encontram.

Comentário do C: Pessoalmente esse não é meu estilo de narrativa favorito, devo dizer. Veja, o "cara novo" no mundo através de quem o espectador conhece o universo (como melhor exemplo, pegue a Arquiteta de Inception, para quem é explicado tudo, e quem são os caras) é uma técnica válida, mas eu prefiro algo mais estilo Zumbilândia - que o cara já conhece o mundo, já tem suas regras, e nós vamos sendo apresentadas a elas sem prévio aviso (em Zumbilândia não tem essa "carona" narrativa com o protagonista).

Adendo do Wolv: Tendo em vista que a HQ foi lançada um ano depois de Extermínio, que representou uma reinvenção do gênero na época, podemos dar um desconto pro Robert Kirkman, que, afinal, estava tentando emplacar o projeto partindo de uma fórmula que deu certo. Felizmente, através do desenrolar da trama, ele se distanciou muito de sua fonte de inspiração inicial.

Muitos vão falar da semelhança entre o começo da série e o do filme Extermínio, de 2002, e alguns até o acusarão de plágio. Na HQ realmente soa como um plágio, porque não há muitas diferenças entre as duas histórias neste ponto, mas na série de TV, Darabont conseguiu realizar um trabalho tão primoroso expandindo essa seqüência (nos quadrinhos dura apenas umas poucas páginas), a ponto de torná-la mais tensa e impactante que a vista no filme de Danny Boyle. É uma seqüência brilhante, que cria uma atmosfera opressiva, gerando estranheza de início, depois ansiedade e por fim puro terror.


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Comentário do C: Hmm, nesse ponto eu discordo. Eu realmente prefiro a cena de Extermínio por mais nada, porque Londres jogada às moscas é muito mais perturbador que uma cidadezinha do interior de merda, que provavelmente estaria às moscas de qualquer jeito. O impacto é totalmente diferente. Eu achei a seqüência arrastada demais, e os primeiros mortos-vivos que aparecem no seriado são jogados sem muito estilo.

Veja, todo mundo sabe que os mortos vencem pela quantidade, e veremos hordas de zilhões deles, é isso que se espera afinal, mas quando aparece o primeiro para dar o clima de "não estamos mais no Kansas, Totó" merece um tratamento especial. E eu achei que faltou esse brilho, que é um dos grandes momentos quando falamos de mortos-vivos. Como o protagonista descobre que os mortos andam é um momento marcante, e eu achei muito "méeeh" nesse episódio.

Adendo do Wolv: Concordo em parte. De fato o primeiro contato do Rick com um morto-vivo deixou a desejar.

E sobre eu achar a seqüência melhor que a de Extermínio, acredito que seja mais por já fazer algum tempo que assisti o filme. O impacto foi maior justamente por esse "distanciamento".

A série conseguiu traçar um panorama geral da tragédia que assolou o mundo ainda mais inquietante, optando por gastar mais tempo apresentando o cenário de desolação e abandono (e demonstrando o quanto o canal está confiante de seu sucesso, a ponto de investir tanto na produção de cenários).

Comentário do C: Ainda considero a possibilidade da série ter sido filmada numa quarta-feira de uma cidadezinha cu do mundo do interior qualquer. Diz aí, Rodrigo, Guaxupé realmente seria muito diferente se acontecesse um apocalipse zumbi ou mal daria pra notar? Pois é.

Adendo do Wolv: Guaxupé seria mais morta do que normalmente já é.

Outro ponto em que a série se sai melhor que os quadrinhos é no desenvolvimento dos personagens.

O diálogo entre Rick e Shane, antes do tiroteio, é uma cena que não existia na HQ, mas que funciona muito bem na série, estabelecendo uma dinâmica entre eles, que mais adiante criará um contraste maior quando os dois se encontrarem no acampamento de sobreviventes, visto rapidamente no final do episódio.

Comentário do C: Eu sou suspeito pra falar, já que eu sou um grande sucker por esse tipo de conversa. Que atire a primeira pedra quem não lembrou dos filmes do Tarantino onde os personagens normalmente têm conversas filosóficas absurdamente fodas sem relação nenhuma com a trama (como por exemplo, qual a moral da música "Like a Virgin"). A conversa desse episódio não é tão infinitamente foda assim, mas é muito bom ver os personagens em vidas normais falando sobre coisas do cotidiano, e não apenas vivendo em função da aventura.

O mesmo pode ser dito sobre o breve período em que Rick fica na casa de Morgan e Duane. Além de servir de guia para Rick, Morgan é quem protagoniza uma das melhores cenas deste piloto, quando procura superar seus sentimentos pela esposa morta e convertida em zumbi, e tenta matá-la. É uma seqüência de forte carga emocional, que tem grande impacto sobre o espectador, em parte graças à ótima atuação de Lennie James, que se destaca neste episódio, e também à edição excepcional, que alterna entre o conflito emocional de Morgan e o conflito moral de Rick, quando este volta ao parque pra dar cabo da zumbi sem pernas.

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Comentário do C: Eu estou com acesso limitado a internet aqui, então me confirma: esse por acaso não é o negão de Jericho? Porque se for o mesmo, tá explicado tudo. Na mão de qualquer ator teria sido uma cena amarrada e chata pra caralho, não adequada para caras fodas que nem eu, mas a coisa é tão bem feita, que eu não só tive saco o bastante para assistir, como fiquei em dúvida sobre o que iria acontecer. E, tipo, eu sou inteligente pra caralho, então eu querer saber o que vai acontecer, e não apenas deduzir, é um grande mérito da série.

Adendo do Wolv: Sim, é ele mesmo.

Claro que a série não fica só por conta de desenvolver e dar maior complexidade psicológica a seus personagens. Como todo bom filme de desmortos, The Walking Dead também tem uma boa dose de gore, e faz questão de exibir isto na ótima cena de abertura, quando Rick é forçado a plantar um tiro na cabeça de uma garotinha zumbi. Eu chamo essa cena de “ou vai ou fica”. É daquele tipo que já deixa bem claro para o espectador o que esperar da série, e já afasta de vez quem não tem estomago pra encarar cenas tão fortes como esta. Daí pra frente, prepare-se pra ver muitos tiros e tacos de baseball explodindo miolos de mortos vivos, sempre mostrados de maneira explícita, e o “banquete” no final, que mostra até onde vai a fome dos zumbis por carne.

Comentário do C: HOLY DANCING CRAP OF AWESOME APOCALIPSENESS! Necessário dizer apenas que a série começa com uma garotinha levando um headshot na cabeça! Isso é infinitos níveis de formidavel fr0m h311!

O que tem de tão incrivel numa série abrir com uma criança sendo baleada na fuça? Você deve estar pesando que eu sou um sado-pedo-necrófilo amalgamo, mas não é isso. Nos tempos politicamente corretos em que vivemos, nos últimos dez anos, qual foi a última vez que você viu alguém dizer um ai para uma criança? Eu lembro do brilhante AVP2 (um dos filmes mais underrated de todos os tempos) e só. Deve ter mais. Mais precisamente, em alguns estados americanos, você pode perder a guarda de seu filho se você elevar a voz com ele. Isso diz a bicharlhadice dos tempos em que vivemos.

Então eu pensei "pfff, eles não têm OS CULHÕES NECESSÁRIOS para fazer um seriado foda sobre mortos-vivos".

E a série me respondeu "ah é, bebé? Então saca só!"


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EU FUI UM HEREGE SEM FÉ! ÓH COMO FUI TOLO, COMO FUI TOLO!

The Walking Dead tem tudo pra agradar quem curte boas histórias de terror e suspense, e dramas de sobrevivência. A ambientação lembra tanto os filmes clássicos de Romero, quanto o romance Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, cujas as vítimas da epidemia de cegueira que assola o país não são muito diferentes dos mortos-vivos tradicionais (recomendo o livro e a adaptação para o cinema).

Comentário do C: Recomendo só a adaptação para o cinema, mas meu ponto contra o Saramago não é a questão aqui...

A julgar por este início, deu pra notar que Frank Darabont e sua equipe de roteiristas estão dispostos a ser tanto fiéis à obra original, como torná-la ainda melhor em sua transição para a TV, com um cuidado maior no desenvolvimento dos personagens e seus dramas, e numa melhor exploração do mundo que se criou após a praga.

Tendo lido a HQ até a edição 54 (atualmente está na 78 lá fora), posso garantir que a história só tende a melhorar, com muitas reviravoltas, momentos chocantes, e cenas altamente polêmicas. A equipe responsável pela série já mostrou que tem coragem de ousar, e isto é um ótimo sinal. A TV ficou mais interessante com a estréia de Walking Dead, sem dúvida a melhor série da temporada.

Comentário do C: Um último ponto que eu gostaria de ressaltar é a incrivel capacidade de chocar dos caras. Tipo, eu já vi muita coisa, mesmo, e pouca coisa nesse mundo me impressiona. Mas eu fiquei impressionado com a cena do cavalo. Para te convencer a assistir essa série, direi que tripas de cavalo são devoradas com o mesmo ainda se debatendo. Pô, era um bom cavalo, era um cavalo maneiro, e havia empatia com ele, e então... e então... e então... PQ? POR QUEEEEEEEEEEEEE?

O cavalo não! Tudo menos o cavalo!

O que me lembra daquele filme Eu Sou a Lenda, onde 5 bilhões de pessoas morrem, mas a cena mais emocionante do filme é quando um único cachorro morre. Isso não diz tanta coisa sobre a nossa espécie?


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quarta-feira, 26 de maio de 2010

[IMPRESSÃO] J.J. Abrams é DEUS

Existem caras que eu respeito nessa vida. Poucos, fato, mas existem.
A grande maioria dele acha que se acordar na manhã seguinte com apenas 2 pares de peitos femininos a sua volta foi uma noite completamente perdida. Enfim, pessoas que podemos admirar.

Algumas dessas rarissimas pessoas são admiradas não por essa habilidade, e sim e por outras coisas. JJ Abrams é um dele.

Pq eu admiro JJ Abrams? Pq o cara é um puta gênio! O cara é brilhante, Einstein come picolé de chuchu perto dele! Porra Bátima, se eu pudesse ser tão inteligente quanto alguem (das poucas pessoas no mundo que são mais inteligentes do que eu) certamente eu seria esse cara.

Vc se pergunta pq eu admiro tanto esse cara?
Ora, a resposta é óbvia: LOST

Lost é uma bosta fedorenta que o jigsaw não consideraria fazer alguem assistir pq é crueldade demais. E justamente por isso o cara É FUCKING GOD!

Não entendeu? Permita-me explicar:

Lost é uma série sem metaplot, com personagens asquerosos de chatos e com tanta empatia quanto um saco de batatas, atores tão ruins que fazem as pessoas quebrarem mais TVs de raiva que o Wiimote e como coup`de grace, em nenhum momento tenta esconder isso. Lost é ruim e feito nas coxas, em nenhum momento a série tenta te enganar do contrário

Ou seja é uma das séries mais bizonhas já criadas por uma mente humana.
E por isso o cara é um genio!

Fazer sucesso com algo bom e que vc põe seu coração e mente pra trabalhar duro é dificil, mas já foi feito antes. Agora fazer sucesso com algo que vc rabiscou num papel enquanto pintava a porcelana no banheiro de marrom é algo que só funkeiros tinham a manha até então. Genio, genio, genio!

Essa semana Lost terminou e os produtores se mantiveram coerentes até o fim: "Seguinte babacada, a gente cagou pra vcs até agora e sabemos que QUALQUER coisa que fizermos vcs vão adorar, então em respeito a vossa idiotia, faremos um final a altura cagando completamente pra vcs. Sabemos que vcs esperam isso, e é isso que daremos a vocês. Obrigado por todo dinheiro que nos deram sem que tivessemos que remotamente nos esforçar, e esperamos que repitam a dose quando precisarmos de uma Ferrari nova! Beijomeliga"

É até engraçado ver o quanto as pessoas se contorcem para justificar essa série. Por muitos anos a coisa toda foram os mistérios da ilha. Quando mesmo o mais mongolóide dos fãs percebeu que as respostas não existiam pq o roteiro era feito nas coxas meia hora antes da série ser gravada (e faz algumas temporadas que eles perceberam isso, pra tu ver a feitonacoxisse da série) se passou o foco para que a série era sobre os personagens e que os mistérios não existentes pega-troxa não importava
Não seria a coisa mais horrível do mundo, não fosse o fato de os personagens de Lost serem INTRAGAVELMENTE HORRIVEIS!

Quando eu era aborrecente revoltadinho perdi muito tempo da minha vida discutindo com crentes sobre a idiotice das suas superstiçoes (aka religião) e desde então eu não via essa flexibilidade moral de prostituta kazaquistanesa para justificar alguma coisa.

Mas eu não vou dizer que Lost não é um marco na história da televisão.
Mas não pelos motivos que os chupa-ovos dessa bizarrice gostam de clamar. Lost é um marco pq entendeu o futuro. Lost entendeu o que os videogames já tinham entendido e que após Avatar o cinema perdeu a vergonha de admitir que entende: CONTEUDO NÃO É NADA, IMAGEM É TUDO.

Lembra daquele comercial da sprite, né?
Pois é, os criadores de Lost lembram e isso foi o pulo do gato de JJ Abrams. Desde Bill Gates eu não via alguem aproveitar tão bem uma chance que ninguem mais percebeu quicando na area.

Veja, Lost é fabulosamente bem-editada. Muito, mesmo.
Tão bem editada que é realmente facil esquecer que o roteiro é constrangedor e os personagens são insuportaveis e malas. Mas que diferença isso faz, se a série dói de tão bonita que é?

John willians, o maior genio da musica de óliudi, carregou um filme nas costas só com sua trilha sonora. A equipe de Lost foi mais longe: carregou uma série de 6 temporadas vazia como a barriga de um somali só com a maravilhosa edição de cenas.

E se tem uma coisa que os videogames nos ensinou é que as pessoas rasgarão seus cus com prazer para encontrar méritos em algo massante porem extremamente impressionante visualmente. Lost entendeu isso. E é justamente por isso que JJ Abrams é DEUS.

Pq ele teve a manha, a visão de dar as pessoas o que elas queriam ter: conteudo zero numa embalagem que dói de tão bem feita. Genio, genio, genio!

Bem, posto isso só posso repetir as palavras da minha querida Lulutz:
LOST! OBRIGADO POR ACABAR!
E que venha a próxima porcaria escrita nas coxas, mas editada de forma magnifica.
Pq esse é o nosso mundo e enquanto houver trouxa, malandro não morre de fome.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

[RESENHA] Fringe s02e04 - "Momentun Deferred"

E chegamos ao quarto episódio. Depois de dois episódios mais calminhos, temos um repleto de informações. Começamos com bandidos roubando cabeças congeladas de uma empresa de criogenia. A empresa se chama Elias Cryonics. Se formos buscar alguma referência, Elias foi um profeta bíblico que viveu antes de Cristo. Criogenia é também uma das palavras que aparece na apresentação da série nesta temporada.


suco

Hum... delícia! suquinho de minhoca...

Logo fica claro que esses bandidos são soldados da outra dimensão. Assim como o que assumiu a identidade do agente Francis, são capazes de resistir a vários tiros, porém o tiro na cabeça é fatal (e ninguém tinha pensando nisso antes...). Detalhe que o soldado morto sangra mercúrio... Mais para frente no episódio descobrimos maiores detalhes sobre esses agentes. Não são inteiramente humanos, são híbridos, parte máquinas, isso os possibilita irem para a outra realidade com maior segurança, mas são dependentes de mercúrio para manterem sua integridade. O mercúrio também é a substância que possibilita a mudança de forma. E, como era de se esperar, vários agentes estão infiltrados.


conjuntivite

Oh meu Deus!!! Será que peguei conjuntivite???

Acredito que podemos esperar grandes coisas dessa temporada. Pois eventos e mistérios que em outras séries certamente seriam jogados para o meio ou final, já foram revelados. Finalmente sabemos do que se tratou a conversa de Olivia com William Bell no universo paralelo, e do que ela precisava buscar. Interessante notar que nesse universo paralelo, enquanto Olivia e Belly conversavam, uma luz amarelada ficou o tempo todo se intrometendo na cena. Se isso será apenas para diferenciar a outra realidade ou se terá um significado mais profundo, saberemos só adiante.


belly

não estou com hepatite... é só efeito deste universo paralelo...

Até o momento, está parecendo um furo no roteiro para mim, mas talvez eles expliquem também mais adiante. Belly comenta ao final da conversação que quando Olivia voltar para sua realidade, encarará um momento difícil. Ele estava se referindo ao acidente de carro visto no primeiro episódio. O que não está batendo é que no final da primeira temporada, Olivia não estava dentro do carro quando foi transportada para a outra realidade, ela estava num elevador. Faltou continuidade ae, ou talvez a intenção foi fazer uma coisa dramática como o acidente, mas ficou desconexo...

Temos a volta de Rebecca, a menininha “viajante”, que consegue ver os soldados infiltrados. Ela passa por mais uma sessão de tratamento nas mãos de Walter e tem sua habilidade de perceber pessoas de outras dimensões reativada. Detalhe importante neste ponto, fica claro que Peter não pertence à esta realidade. O que para mim confirma a tese de que Walter o trouxe da outra realidade para substituir seu filho morto.


rebecca

Oh Walter, senti falta dos seus cabos...

Mais para o fim do episódio, outra trama se desenrola. Finalmente Olivia descobre que o soldado está disfarçado de Francis, e uma luta acontece, onde nossa heroína, recém saída das muletas, luta ferozmente (realmente, aquele exercício de ficar amarrando cadarços funciona muito bem, alguém já pensou em patentear??). O infiltrado é morto, mas os soldados conseguem seu intento de roubar a cabeça congelada pertencente ao líder deles. Tenho de ressaltar aqui que durante a luta, tivemos destaque para a pichação na parede do beco, uma cópia do auto-retrato de Van Gogh. Acredito que deve ter algum significado, mas até agora não atinei qual seria.


van gogh

No finalzinho, a cabeça é religada a um corpo através do mercúrio, outro que anda operando milagres. Parece que esse será o vilão da série daqui para frente. Aliás, interessante a escolha do mercúrio. De forma alguma deve ter sido aleatória. Já que a substância prateada é recorrente em termos de ficção, como líquido vital para os andróides.

Resultado final: um episódio empolgante, com muitos mistérios revelados, além de deixar um grande gancho para os próximos. Realmente estou esperançoso com essa série. Já me encontro na expectativa do próximo

domingo, 27 de setembro de 2009

[Resenha] Big Bang Theory S03E01- The Electric Can Opener Fluctuation

big bang


Sim, este texto contém spoilers...

Obs.: os trechos em laranja foram escritos pelo C.

Depois de muita espera pelo episódio, o que tivemos foi sim um pouco de decepção. Tudo bem, eu não estava mesmo esperando nada bombástico, mas apenas alguma inovação ou uma chuva de piadas nerds/científicas. Mas não foi o que ocorreu.

Realmente, eu lembro que na época que Casseta e Planeta era engraçado (sim, acredite se quiser, já houveram tais dias) o programa mais engraçado era justamente o de “volta das férias”. Eu tinha a mesma expectativa com BBT que os roteiristas voltassem “secos” pra fazer um bom episódio.

Temos a volta do grupo composto por Sheldon, Leonard, Raj e Howard, após três meses de pesquisas no Pólo Norte. Destaque para as barbas e cabeleiras ostentadas pelo pessoal, com exceção lógica de Sheldon, que se limitou a um cavanhaque. Interessante notar que os atores realmente deixaram crescer as barbas. Fato comprovado pela entrevista prestada durante a Comic Com 2009. Porém, todo o excesso capilar deve provir de maquilagem.

Eu tinha alguma expectativa sobre algumas cenas no pólo norte, mas ok, a vida continua...


Depois passamos para aquele que seria o ponto alto do episódio. Penny cata Leonard num tremendo beijo e, após duas temporadas de chove-não-molha, a gente pensa: ufa, finalmente vai sair coelho desse mato... Mas foi uma coisa com cara de que não vai durar. Parece que os roteiristas não estão dispostos a nenhuma mudança mais radical no formato do programa.

Ow-ow-ow, nós quem, cara pálida? Honestamente, que se foda o romancezinho da Penny. Ponto mais baixo do episódio, isso sim. Ponto alto do episódio é quando a Penny tenta consolar o Sheldon e fala do filme de Star Trek =P. E realmente, não vai sair coelho desse mato até o ultimo episódio da série, e eu concordo com os roteiristas em não mexer nisso. Pra quem quiser romancezinho eu googleio Dawson Creek e posto aqui depois...

Outro ponto decepcionante foi Sheldon. Com certeza o personagem mais engraçado da série, aquele que possui a maior quantidade de fãs... o dono do inigualável e único sorriso creepy... Sinceramente, Jim Parsons não conseguiu nem metade da graça que sabe fazer com Sheldon. Os potenciais chiliques e reações que poderia ter após a sabotagem de seu projeto foram mínimas, isso se compararmos a outros fatos ocorridos em episódios anteriores, e que tiveram reações mais extremas (sim, não sente no canto do sofá...).

Realmente, deu pra sentir o Sheldon bem menos nerd/TOC/autista como só ele sabe ser, e mais um personagem excêntrico em Friends. E observe que vindo de mim isso NÃO é um elogio. A trama do episódio é sobre ele ter achado que comprovou uma teoria que lhe daria o Nobel, mas descobre que foi uma armação (céus, me sinto narrador da Globo usando essa expressão) dos outros para que ele não lhes enlouquecessem. Concordo, por MUITO menos ele já fez seres humanos normais considerarem o seppuku com faca enferrujada uma boa opção (sim, vamos viajar de trem). Enfim, a sensação é que eles tentaram fazer a série mais palatável para o publico comum e menos nerdico.


Nesse episódio tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a mãe do Sheldon (e entender o porquê de ele ter saído de casa). Neste ponto encontramos o único momento realmente engraçado. Howard com um chapéu de cowboy vermelho tentando imitar um típico texano. Neste ponto ele se superou e tivemos boas risadas.

Honestamente eu fico com a cena da Penny tentando consolar o Sheldon, e ele demonstrando apenas uma vez no episódio o seu jeito amável o qual todos amamos e esperamos. Tem também a coisa do episódio não ser coerente com as referencias anteriores à mãe dele: até onde se tinha visto ele escolhia claramente “deixar quieto” essa coisa toda de religião (o que é uma excelente escolha da produção). Nesse episódio ele dá umas ferroadas no criacionismo diante da mãe dele, o que ficou meio perdido, já que não foi engraçado, e também não é como se eles fossem comprar esse tipo de discussão (ainda mais que é uma comédia, espero que nem decidam um dia).


Fica aqui uma expectativa para uma melhor qualidade da série. Claro que toda série, ainda mais as que passam da primeira temporada, têm seus momentos de altos e baixos. Mas era de se esperar mais de uma season premiere. Vamos ver se os roteiristas perdem um pouco o medo de ousar em novas fórmulas e continuam a nos surpreender com o que há de melhor no “Nerdverso”.

Realmente, foi um episódio muito fraco. E preocupa mais ainda por ser justamente o primeiro. Quer dizer, se esse que eles tiveram todo o tempo do mundo pra bolar e armazenar referência foi assim, o que esperar do resto? Preocupante, deveras. Tirando a referencia ao Kindle (T.T nhaaa... ME DO WANTS!!!!), a série nem fez juz ao “Nerdverso” e sem isso é apenas uma sitcom bastante... esquecível. Espero que eles não esqueçam disso pro resto da temporada, já que ótimos atores e capacidade pra isso eles têm.

domingo, 16 de agosto de 2009

[RESENHA] FRINGE

O maior desafio para aquele que escreve uma resenha é deixar o leitor instigado para saber mais sobre o que o autor escreve (neste caso, uma série), e ainda tomar cuidado para não revelar nada crucial, que faça o leitor perder seu interesse por já saber o que vai ocorrer. Bom, devo concordar com o Queza, não sou bom nisso, mas espero alcançar algo razoável. Vamos lá então:

Para todos aqueles que estavam se sentindo órfãos desde o fim de Arquivo X, ou para os que curtem uma boa série de ficção e que perderam a vontade de assistir Smallville ou Heroes e tantas outras séries que começam arrebentando mas perdem a mão, Fringe é a solução.

Fringe

onde já vi uma escotilha antes?


Saída da cabeça de J.J. Abrams, que já nos presenteou com Alias e Lost, Fringe começou sua primeira temporada um pouco morna. Parecia somente mais uma série como tantas outras, mas aos poucos foi me prendendo, ao ponto de não conseguir parar de assistir até saber o desfecho. Aliás, como toda série de sucesso (e exigência do capitalismo selvagem) deixa um bom gancho para a próxima temporada (que, pra minha sorte, não demora a sair).

Mas afinal, do que essa série trata? É cópia do aclamado Arquivo X? É original? Bom, não é exatamente original, visto que cai na mesma formula que trouxe sucesso ao “antecessor”: agentes do FBI investigando casos estranhos. Mas, numa época em que praticamente tudo é chupado de outra coisa de sucesso (má má oiii Lombardi...) a genialidade está em pegar velhas fórmulas e tratá-las sob um nova roupagem ou ponto de vista. E nosso caro J.J. consegue fazer isso com maestria.

De começo, somos apresentados à agente Olivia Dunham, que, ao investigar o que parece ser simplesmente um caso de bioterrorismo, acaba sendo envolvida por algo bem maior: o Padrão. WTF??? Segundo explicado na própria série, o Padrão seria constituído por uma série de experiências onde o mundo é o laboratório. Olivia passa então a trabalhar para a divisão fringe, que se dedica a investigar esses casos.

Logo para resolver o primeiro caso, Olivia precisa recorrer à ajuda do cientista louco (eita) Walter Bishop. Conseguir essa ajuda não é fácil no entanto. Ela precisa que o filho de Walter, Capitão Duck, digo, Peter, assuma a custódia do pai para que ele seja liberado da instituição mental em que está confinado. Assim, é formado o grupo de investigação.

Não posso deixar de destacar aqui esses personagens. Walter Bishop é, sem dúvida nenhuma o maior fucking genial cientista da face da Terra. Sim, esqueça Einstein, Stephen Hawking. Se o caso é esquisito e envolve ciência de ponta, pode ter certeza q ele já trabalhou. O que aliás, em minha opinião, fica um pouco forçado. Todo caso apresentado nesta primeira temporada, ou Walter trabalhou com ele no passado, ou tem alguma ligação. O que nos leva a crer que ele fez experimentos por uns 100 anos, pois é impossível alguém se dividir entre tantos projetos e obter resultados rápidos em todos eles. Mas tudo isso é um pequeno detalhe, facilmente ignorado, quando se soma a brilhante interpretação de John Noble (diga-se de passagem, a única digna de nota dentro da série), que sabe dar vida ao personagem de uma forma maravilhosa, intercalando momentos de genialidade com pura abstração e a divertida loucura de Walter Bishop.

Completando o quadro acima, temos Peter Bishop, gênio e trambiqueiro, cínico e cético. Fazendo dupla com seu pai, traduzindo e explicando para os leigos as teorias e divagações do pai. Ainda assim uma criança que cresceu tendo a figura de um pai ausente e desorientado, e que agora tem de aprender a conviver com ele. E, apesar de já passar dos trintas, não posso deixar de notar que o ator Joshua Jackson ainda tem a mesma cara de quando gravou “Nós somos os campeões”. Melhor são as caras que ele faz, quando Walter aparece com suas teorias “absurdas”, mas que no final sempre estão corretas.

Peter e Walter

Vá meu filho, ganhe esta pelos Ducks!!!


Olivia Dunham, a mais apagada de todas as personagens, interessante que ainda sim consegue ser a principal. Uma agente que se pode considerar fora do comum. Ela não perde um único caso em toda a série. Taxa de aproveitamento de impressionantes 100%. Interessante ainda não ter sido promovida pra chefe do FBI. Críticas à parte, ela faz a ligação do cotidiano com o misterioso. Parece estar predestinada à algo importante, mas iremos conferir isto nas próximas temporadas. Interessante que ela possui a postura “I want to believe”, contrapondo-se ao cetecismo de Peter, criando uma relação Mulder-Scully às avessas.

Peter e Olivia

Você viu um careca onipresente passar por aqui?


Agora, o maior paradoxo da série talvez seja Astrid Fansworth, a agente assistente de Olivia. Fera em computação, em lingüística, encriptação... e fica ali, não fazendo nada, somente servindo de mera assistente para as (duvidosas) experiências de Walter. Penso: que agente formado e aspirando uma grande carreira se sujeitaria a isto? Pelo fato de não fazer nada relevante, ainda assim aparecer em TODOS os episódios da série, ela com certeza merece do troféu do Compadre Washingtonismo (Q?).

Astrid Tcham

tchaaam!!!

Outro fator interessante na série (e que não poderia faltar) é a empresa Massive Dynamic. Fazendo o papel de mega corporação evil, realiza um papel dúbio na primeira temporada. Não sabemos se ela é realmente tão má assim, ou se, no fundo, tem boas intenções. Seu fundador, Willian Bell, era companheiro de pesquisas de Walter, e envolvido nas mesmas experiências. Interessante notar que quase todo caso relacionado ao padrão, tem a participação de empresa, de forma direta ou indereta.

Uma série que realmente promete. Somente nesta primeira temporada tivemos (olha o spoiler...), lobisomens, quimeras, viagem no tempo, teletransporte e outras tantas que fazem a alegria de um nerd. Um prato cheio para quem curte boa ficção, embasada na velha e famosa pseudo ciência. Muitos casos bizarros, agentes do FBI investigando... peraí, onde já vi isso? Bom, dessa vez a verdade não está lá fora, mas bem aqui, pertinho, à um deja vu de distância. Como assim? Oras, isso só é respondido no final da temporada, então, confira!