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quarta-feira, 26 de maio de 2010

[IMPRESSÃO] J.J. Abrams é DEUS

Existem caras que eu respeito nessa vida. Poucos, fato, mas existem.
A grande maioria dele acha que se acordar na manhã seguinte com apenas 2 pares de peitos femininos a sua volta foi uma noite completamente perdida. Enfim, pessoas que podemos admirar.

Algumas dessas rarissimas pessoas são admiradas não por essa habilidade, e sim e por outras coisas. JJ Abrams é um dele.

Pq eu admiro JJ Abrams? Pq o cara é um puta gênio! O cara é brilhante, Einstein come picolé de chuchu perto dele! Porra Bátima, se eu pudesse ser tão inteligente quanto alguem (das poucas pessoas no mundo que são mais inteligentes do que eu) certamente eu seria esse cara.

Vc se pergunta pq eu admiro tanto esse cara?
Ora, a resposta é óbvia: LOST

Lost é uma bosta fedorenta que o jigsaw não consideraria fazer alguem assistir pq é crueldade demais. E justamente por isso o cara É FUCKING GOD!

Não entendeu? Permita-me explicar:

Lost é uma série sem metaplot, com personagens asquerosos de chatos e com tanta empatia quanto um saco de batatas, atores tão ruins que fazem as pessoas quebrarem mais TVs de raiva que o Wiimote e como coup`de grace, em nenhum momento tenta esconder isso. Lost é ruim e feito nas coxas, em nenhum momento a série tenta te enganar do contrário

Ou seja é uma das séries mais bizonhas já criadas por uma mente humana.
E por isso o cara é um genio!

Fazer sucesso com algo bom e que vc põe seu coração e mente pra trabalhar duro é dificil, mas já foi feito antes. Agora fazer sucesso com algo que vc rabiscou num papel enquanto pintava a porcelana no banheiro de marrom é algo que só funkeiros tinham a manha até então. Genio, genio, genio!

Essa semana Lost terminou e os produtores se mantiveram coerentes até o fim: "Seguinte babacada, a gente cagou pra vcs até agora e sabemos que QUALQUER coisa que fizermos vcs vão adorar, então em respeito a vossa idiotia, faremos um final a altura cagando completamente pra vcs. Sabemos que vcs esperam isso, e é isso que daremos a vocês. Obrigado por todo dinheiro que nos deram sem que tivessemos que remotamente nos esforçar, e esperamos que repitam a dose quando precisarmos de uma Ferrari nova! Beijomeliga"

É até engraçado ver o quanto as pessoas se contorcem para justificar essa série. Por muitos anos a coisa toda foram os mistérios da ilha. Quando mesmo o mais mongolóide dos fãs percebeu que as respostas não existiam pq o roteiro era feito nas coxas meia hora antes da série ser gravada (e faz algumas temporadas que eles perceberam isso, pra tu ver a feitonacoxisse da série) se passou o foco para que a série era sobre os personagens e que os mistérios não existentes pega-troxa não importava
Não seria a coisa mais horrível do mundo, não fosse o fato de os personagens de Lost serem INTRAGAVELMENTE HORRIVEIS!

Quando eu era aborrecente revoltadinho perdi muito tempo da minha vida discutindo com crentes sobre a idiotice das suas superstiçoes (aka religião) e desde então eu não via essa flexibilidade moral de prostituta kazaquistanesa para justificar alguma coisa.

Mas eu não vou dizer que Lost não é um marco na história da televisão.
Mas não pelos motivos que os chupa-ovos dessa bizarrice gostam de clamar. Lost é um marco pq entendeu o futuro. Lost entendeu o que os videogames já tinham entendido e que após Avatar o cinema perdeu a vergonha de admitir que entende: CONTEUDO NÃO É NADA, IMAGEM É TUDO.

Lembra daquele comercial da sprite, né?
Pois é, os criadores de Lost lembram e isso foi o pulo do gato de JJ Abrams. Desde Bill Gates eu não via alguem aproveitar tão bem uma chance que ninguem mais percebeu quicando na area.

Veja, Lost é fabulosamente bem-editada. Muito, mesmo.
Tão bem editada que é realmente facil esquecer que o roteiro é constrangedor e os personagens são insuportaveis e malas. Mas que diferença isso faz, se a série dói de tão bonita que é?

John willians, o maior genio da musica de óliudi, carregou um filme nas costas só com sua trilha sonora. A equipe de Lost foi mais longe: carregou uma série de 6 temporadas vazia como a barriga de um somali só com a maravilhosa edição de cenas.

E se tem uma coisa que os videogames nos ensinou é que as pessoas rasgarão seus cus com prazer para encontrar méritos em algo massante porem extremamente impressionante visualmente. Lost entendeu isso. E é justamente por isso que JJ Abrams é DEUS.

Pq ele teve a manha, a visão de dar as pessoas o que elas queriam ter: conteudo zero numa embalagem que dói de tão bem feita. Genio, genio, genio!

Bem, posto isso só posso repetir as palavras da minha querida Lulutz:
LOST! OBRIGADO POR ACABAR!
E que venha a próxima porcaria escrita nas coxas, mas editada de forma magnifica.
Pq esse é o nosso mundo e enquanto houver trouxa, malandro não morre de fome.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[CONTO] Lá adiante, onde não há

(originalmente publicado em 24/12/2004, reeditado nesta versão)

Photobucket
"Lá adiante, onde não há" por Aélsio Viégas
(clique sobre ela para uma versão maior)

Cavalgo sobre o rio de fogo em meu cavalo de ouro com olhos de diamante, sentindo a chuva cortante e sua dor resultante de lâminas venenosas. O céu coberto de nuvens, espessas, avermelhadas, a atmosfera carregada, e seus raios que ecoam por todo o vale escuro, adiante.

Ali está o fim de minha jornada. Ali o solo ferve, o ar crepita, ossos viram pasta. Dali nem dragões ousam se aproximar.

Aquele é o ponto onde o tudo torna-ne o nada, onde as patas do meu cavalo de ouro derreter-se-ão, e eu perderei o único companheiro que me resta dessa exaustiva e laboriosa cavalgada rumo ao vazio de minha alma atormentada. É o ponto focal da destruição profetizada. É o final dessa viagem sem volta, feita por um homem que escolheu morrer sozinho, sendo consumido por si, deixando o mundo pra trás, pois aqui ele encontra-se com seu próprio limite.

Aqui não há mais realidade, há apenas um homem e seu cavalo de ouro. Há a escuridão que não dá espaço ao brilho do passado, nem à luz, não mais refletida por seus olhos diamantinos em meus olhos vazios, em meus cabelos sem trato, em minha pele sem cor, em minha alma, que não é mais sol, mas uma pedra escura vagando pelo vácuo espacial.

Escolho descer de meu bom companheiro dourado pouco antes de transpôr os limites derradeiros. Ele não merece sacrificar-se por mim. Peço a ele que volte ao mundo que ficou lá atrás, que volte àquele mundo ainda disposto a oferecer-lhe o brilho único que possui, o qual tornei-me incapaz de refletir diante dos que lá vivem, e que tanto valorizam essa luz que uns poucos emitem por suas próprias naturezas.

Pura ostentação! É isso que eu digo nessa altura de minha vida! Pura ostentação!!

Triste, porém com uma ponta de alívio, e até mesmo um pouco de satisfação, vejo meu companheiro, hesitante, partir em sua caminhada de volta ao mundo que deixei. Olho para o céu acima e vejo que daqui nem sequer aquelas nuvens avermelhadas de há pouco, tão ameaçadoras, sequer ousam se aproximar. No fim, são raros aqueles corajosos o bastante pra enfrentarem o próprio fim. O mesmo parece valer para as nuvens...

Daqui, vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar, penso que talvez elas sejam as mais corajosas, pois aqui elas prevalecem. Aqui elas espalham-se pelo chão, como num tipo de convite rústico para que eu siga em frente.

Não sinto medo, assim como elas, e talvez seja justamente por minha alma agora assemelhar-se a estes pequenos corpos brutos de matéria inerte, que não têm para onde ir. Não têm um motivo forte para seguirem em frente. Esperam, algumas por toda uma eternidade, que chegue alguém para chutá-las, ou que ao menos algum abalo sísmico ocorra, mudando todas elas de lugar, para variar um pouco suas existências vazias.

No final, muitas delas terminam aqui, adornando o cenário do próprio fim. Do fim de tudo.

Engraçado como às vezes temos curiosidade em saber como será nossa chegada aqui. Mas, conforme nos aproximamos, a curiosidade dissipa-se, e o medo vem, seguido da vontade de voltar atrás, quando já não há mais volta.

Meu companheiro dourado teve uma escolha, e mesmo hesitando no último instante, ele sabia que era uma decisão inevitável. Desde o início estava ciente que terminaríamos separados um do outro. Não, minto, não desde o começo, mas a partir de um certo ponto. Acho que foi naquele dia, quando voltou-me um olhar triste, o primeiro dos muitos que seguiriam desde então. Fazia o possível para disfarçar, mas não conseguia encobrir seus pesares profundos. Admirava-o por sua transparência.

Mas, agora isso tudo não importa mais. Eis o fim ali adiante. Não pretendo olhar pra trás, mesmo porque não verei mais nada deste ponto onde já me encontro.

Fecho os olhos, jogo-me no nada infindável.

É confortável... É silencioso... Minha alma cala-se... Meus pensamentos dissolvem-se...

É o fim... Apenas o fim...