sábado, 28 de novembro de 2009
As Árvores da Memória - Capítulo 9: "Casa na Árvore"
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
[CONTO] As Árvores da Memória - Capítulo 8: "Beijos"
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
[CONTO] As Árvores da Memória - Capítulo 7
Blocks de Jennifer Davis
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1º capítulo | 2º capítulo | 3º capítulo | 4º capítulo | 5º capítulo | 6º capítulo
Viu-se em uma ampla varanda, toda cercada de vidro. Havia muitas plantas espalhadas por ela. Samambaias de três tipos, um coqueirinho, duas orquídeas, dezenas de violetas roxas, rosadas e brancas. Ao seu lado uma garotinha, que aparentava uns sete anos, brincava sentada no chão com bloquinhos de madeira que imitavam tijolos. Havia dezenas deles espalhados à frente de suas pernas abertas em arco. Sentada no piso, construía um castelo. Uma boneca de plástico estava sentada, recostada na parede de frente pra menina.
- Só mais um pouquinho e eu termino, princesinha! - tinha os cabelos castanhos, ondulados, pele rosada. Usava um vestido bege, e um par de sandálias azuis com fivelas.
- Tô com saudades da Lúcia... - sua voz era de menina. Devia ter seus nove anos, a julgar pelo tamanho das mãos, que repousavam sobre o encosto da varanda, cuja parede subia até cerca de um metro e meio. Estava ajoelhada sobre uma cadeira de madeira azul. Olhava os carros passando pela rua, a árvore que fazia sombra na varanda, e o movimento do supermercado na esquina que formava uma diagonal com a de sua casa. Não conseguia decidir onde fixar seus olhos - Essa casa é tão grande! Tem o balanço no quintal, e o banheiro escondido dentro do guarda-roupas. Ia ser muito legal mostrar esses lugares pra Lúcia. E pra Marcinha! Sinto falta dela também.
- É, ia ser divertido se elas viessem pra cá. - terminou de montar a torre central.
- Se não fosse tão difícil pra elas viajarem...
- É... - botou o segundo bloco da ponte dupla.
- Nosso quarto é tão grande! Dava pra brincar muito lá dentro.
- A tampa de privada de vidro com a borboleta dentro é tão bonita! Elas iam gostar de ver. - começou a construir o muro da biblioteca.
- É. E também é legal olhar a rua pela janela do banheiro enquanto a gente toma banho.
- Uhum! O Felipe também ia gostar bastante do balanço - estava na metade do muro.
- E o Fábio e o Douglas iam adorar o fliperama lá da praça!
- O Sílvio e o Leo também! - terminou o muro.
- Aham! E a Gisele ia gostar muito do jardim lá do centro, principalmente dos arcos de flores!
- E acho que todo mundo ia querer andar de pedalinho lá na lagoa. - começou a torre direita.
- É, todo mundo ia querer... - três garotinhas passavam na calçada do outro lado da rua. Riam muito, cochichando entre elas. Uma abraçava uma boneca de pano, outra carregava um caderno rosa cheio de adesivos brilhantes, e a terceira levava uma bolsinha branca com detalhes azuis nas costas. - Queria que todos estivessem aqui!
Piscou, e no momento seguinte estava de volta ao degrau vermelho. Virou a folha e leu em seu verso:
18 de setembro, com 9 anos, 1 semana, 10 horas, 13 minutos, 26 segundos
"A Cidade Ideal..." Um sorriso triste e contido formou-se. "Apesar de tudo, era bom..."
Esqueceu-se da folha, e soltou-a no abismo branco sem dar muita bola. Vagou com os olhos por poucos segundos sobre o aglomerado de folhas brancas à sua frente, e parou com eles sobre o portal vermelho do qual saía a árvore. Notou que ela prosseguia longamente pra dentro dele. "O que será que existe do outro lado?"
CONTINUA...
sexta-feira, 31 de julho de 2009
[CONTO] As Árvores da Memória - Capítulo 6
Trees in Snow de Pnewbery
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Voltou seus olhos mais uma vez para a "Árvore das Negações", e começou a refletir sobre o que faria a seguir. Pegaria uma nova folha para sorver mais uma de suas lembranças perdidas? Ali era o melhor ponto de partida para dar início à sua busca por si mesma? Não seria mais adequado pensar cuidadosamente antes de dar o próximo passo?
Decidiu voltar para o degrau onde estava quando quebrou o cubo de vidro. Lembrou-se de que havia arrancado o degrau que viria logo após o seu, o qual largara no abismo branco. Por isto ficou confusa quando notou que o degrau vermelho estava lá novamente, como se jamais houvesse saído do lugar. "Auto-reparo?! Estou começando a gostar daqui!" Prosseguiu a subida.
Esquerdo, direito, esquerdo, direito... Braços abertos. Atenção nos degraus e nos pés. Apreciação da paisagem belamente surreal. "Mas... se os degraus são reparados automaticamente... por que o cubo não se reconstruiu? (...) Isto significa que eu recuperei definitivamente o acesso àquela árvore?" Continuou subindo até um novo cubo chamar-lhe a atenção. Era de vidro negro, o que tornava impossível enxergar seu interior. Em todas as suas faces trazia uma placa vermelha com letras brancas dizendo: "REPRIMIDA"
Sentiu-se novamente invadida por uma impulsividade incontrolável, arrancou o degrau vermelho seguinte, e bateu com ele no cubo negro. Nem sequer tremeu, ao contrário de seus braços. Perdeu ligeiramente o equilíbrio, mas não o bastante para derrubá-la. Aproximou os olhos do ponto onde batera, e não viu nenhum arranhão. "Essa proteção toda deve ter um motivo realmente forte." Olhou mais uma vez para a placa vermelha gritando REPRIMIDA em letras quase ofuscantes, e isto foi o suficiente pra retomar a subida, carregando consigo o degrau arrancado.
Agora subia os degraus com menos pressa, observando atentamente o conteúdo dos cubos de vidro transparente, especialmente o que traziam escritos em seus portais. Ao longo da subida passou por árvores que carregavam MEDOS, DESAFETOS, DORES, FILMES, LIVROS, COMIDAS, TEXTURAS, FRASES, CHEIROS, DECEPÇÕES. Parou em DESEJOS. Arrebentou seu cubo, degraus vermelhos brotaram até a árvore deitada em seu interior, caminhou até ela, arrancou uma folha a esmo, e leu: "Queria que todos estivessem aqui!"
CONTINUA...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
[CONTO] As Árvores da Memória - Capítulo 5
"Warm Embrace" de Alifsu17
13 de dezembro de 2005, com 22 anos, 3 meses, 2 dias, 22 horas, 17 minutos, 55 segundos
Olhou para o alto onde ainda pairava o aglomerado flutuante de árvores contidas em seus respectivos cubos de vidro. "Em que ano estou?! E que lugar é este?!"
[CONTINUA...]
Aélsio Viégas | Email | 17-07-2009 23:09:53