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sexta-feira, 30 de julho de 2010

[Youtubiu] Play Chaos Off, Keyboard Cat!



Pois nunca irei esquecer o que Lars Von Trier fez... NUNCA!

domingo, 15 de novembro de 2009

[REVIEW] Anticristo (COM SPOILERS!)

Gente, esse periodo ta foda... todo filme que eu vou ver da merda! Mas enfim, vamos para mais um review desse EMOCIONANTE e ATERRORIZANTE filme... NOT

Inicialmente, irei começar dizendo que bem que me falaram que o Lars Von Trier é chato... Sabe aquele diretor que vai pro set e diz "Sou foda e hoje quero fazer um algo artistico" e enche o filme daquelas cenas em camera lenta TOTALMENTE desnecessarias? Mas fica bonito? Confesso que em boa parte das vezes sim... mas tem horas que nao da... Ver Willem Dafoe metendo pesado na Charlotte Gainsbourg EM CAMERA LENTA não é muito legal... e quando eu digo metendo, digo MOSTRANDO TUDO! Sérião, imagine ver um filme porno com ele:


Pelado, do tipo, como veio ao mundo, metendo nela:



Enfim, vamos falar do enredo basico: A janela do apartamento abre do nada. Enquanto isso, casal fode horrores durante horas e esquece de prestar atenção no filho pequeno que se joga da janela do apartamento. Filho este que, antes de se jogar, socou loucamente o radinho de monitoramento de bebês, pulou do berço, abriu a portinha do quartinho, entrou no quarto dos pais, viu a cara do Willen Dafoe transando e pensou "Quero morrer!". Viu a janela aberta, empurrou uma cadeira na frente de um movel, subiu, segurou na mão de Deus e foi... e essa foi a abertura TODA em camera lenta com musica engraçadinha. Ai o resto do filme é sobre o luto do casal, sendo que o Norman Osborn Dafoe é um terapeuta que ja superou a morte do filho e quer ajudar a mulher a superar tambem. Ai depois de dar varias vezes com a cabeça na privada, ele pergunta do que ela tem medo... e depois de muito relutar diz: Da floresta! Ai ele leva ela pra floresta (chamada Eden e que possui uma cabana onde essa mesma mulher fez e abandonou um trabalho sobre feminicidio) e o filme começa...

... vale lembrar que nesses acontecimentos se foram uns bons 50 minutos -_- sendo que podemos tirar desses 50, 25 de cenas de sexo que acontecem do nada, tipo quando ela da com a cabeça na privada, ele leva ela pra cama e eles fodem... logico, não há nada mais afrodisiaco que ver sua esposa bater a testa contra o vaso sanitario repetidamente...

Continuando, o filme prossegue com passos lentos, onde aos poucos o marido vai tentando curar a esposa de medos como, err... pisar na grama, e finalmente ela aparece curada... por 5 segundos, pois depois disso, o marido ve uma raposa falante, fica desconcertado e ela acha que ele esta esquisito pois nao consegue ficar feliz com a melhora dela, e piora tudo denovo... ai começa um circo onde temos uma raposa, um veado (animal), um corvo, uma mulher louca que da uma porrada com uma madeira nos ovos do marido, para logo depois masturba-lo e mostrar uma ejaculação de sangue (tudo onscreen), ai pega um furador, fura a perna do marido e prende uma roda de polimento. Ai depois de uma mega perseguição pela floresta, onde ela não quer que o maridão a abandone, ela tem uma visão (que pode ser tanto uma lembrança quanto uma alucinação) de que, enquando a criança subia na cadeira, ela estava vendo tudo debaixo do marido... Enfim, ela resolve cortar o proprio clitoris com uma tesoura (sendo que o processo é todo mostrado em zoom) e o marido finalmente mata ela. Eeeeeee \o/ ... ai ele taca fogo em tudo, sobe uma montanha, e um monte de mulheres começam a subir, indo em direção a ele... oi/

Ai, se você não entendeu, imagine eu... ai resolvi ir direto a Deus (Google) e fazer uma pesquisa pra me esclarecer, pois no final das contas não tinha entendido nem o porque do filme se chamar Anticristo... bad sign!

Enfim, no meio de tantos intelectuais, descobri que se você não souber mitologia, psicologia, filosofia e sociologia a fundo, não vale a pena assistir ao filme. E nossa, como tem gente que saca disso tudo na internet :O

Compilando tudo, descobri que a mulher era má! Preferiu deixar o filho se jogar da janela a perder o orgasmo com o maridão. Ela calçava os sapatos invertidos no filho pq era má tambem. E que o Veado, Raposa e Corvo, representavam respectivamente Luto, Dor e Desespero, e que só o Duende Verde podia ve-los. Descobri tambem que o filme fala de Adão e Eva, Satanás (que era a mulher), Anticristo (que era o bebe que morreu), Jardim do Eden, e que, como Aline Durel bem disse: "Me deixem ser burro! Ser intelectual... dói!"

Eu não sei se sou exigente demais ou se me contento com pouco. Gosto de filmes reflexivos e que façam o telespectador pensar e que não de todas as respostas de cara... acho o maximo, juro mesmo! Mas filmes como este, onde voce nao consegue entender nem o porque da escolha do nome do filme, me fazem pensar se o diretor queria fazer um filme "cabeça" ou se simplesmente estava a fim de fazer um filme cheio de sadismo aleatorio... Sei lá, uma coisa é você ter um enredo levemente fragmentado, onde voce como espectador ter que juntar as peças. Outras são filmes com enredos COMPLETAMENTE jogados, onde você acaba tendo que fazer o papel do roteirista e diretor e fazer as coisas terem sentido dentro da sua cabeça. E logico, isso gera altas conversas sobre "o que o diretor quis dizer com a cena tal" em todos os foruns da internet... Mas acho isso tão invalido no caso do Lars Von Trier (alias, gosto desse nome, da vontade de escrever por extenso toda hora) porque, como ele mesmo diz, não há o que explicar! Nem ele sabe porque fez as cenas, ja que, em suas próprias palavras, que a mão de Deus que o fez criar o filme... não satisfeito, completou dizendo que ele é o melhor diretor do mundo e que talvez esse mesmo Deus não seja o melhor Deus...

err...

... menos Lars Von Trier, menos...

domingo, 20 de setembro de 2009

[CONTO] Comunhão

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Na natureza vivemos. Na floresta.

No riacho entre folhas secas dispo-me totalmente. Sento-me contra a correnteza calma e sem pressa. Sinto-me intimamente acariciado por suas águas sensuais e sexualmente excitadas em minhas genitálias. Não há comunhão mais prazerosa que esta com a natureza .

Inclino-me para trás, observando meu sexo, meu abdômen, deixando que inundem-se por aquele gesto amoroso. Volto meus olhos para as copas altas das árvores que nos cercam. Elas também parecem excitadas, trêmulas e vibrantes de excitação e amor.

Vejo-a chegando em silêncio, contemplativa, baixa, vestido claro, solto, leve em seu corpo apetitoso. Caminha até mim e observa-me naquela cena que a outros olhos soaria inusitada. A ela soa como um convite.

Não há troca de palavras, apenas gestos, passos de uma dança compassada. Um erguer lento e provocante de tecido macio correndo sobre a carne de seu abdômen, costelas, seios, todos tão alvos e envoltos naquela luz mágica de nosso amor.

Despe-se toda e monta-me, tocando delicada meu sexo, levando-o de encontro ao dela, e assim eu, ela, e tudo ao redor nos amamos, sem pudores, sem preconceitos. Sem ciúmes, racionalizações e transcendências. Apenas homem, mulher, e o amor que os envolve e penetra seus corpos e almas numa comunhão perfeita. "Agrada-me tal cena", diria Deus diante de nós.

___________________

Este conto foi inspirado no filme Anticristo, de Lars Von Trier, cuja crítica você pode conferir aqui.

[CRÍTICA] Anticristo (2009)

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Sexo. Loucura. Luto. Tristeza. Razão. Emoção. Terror. Violência. Solidão. Medo.

Estas são algumas palavras que me ocorrem num primeiro momento ao pensar em Anticristo, o novo filme de Lars Von Trier, estrelado por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.

Confesso que li umas três críticas a respeito dele antes de assisti-lo, o que contribuiu para diminuir o impacto que ele teria sobre mim caso permanecesse como um telespectador desavisado. Mas, ainda assim, era um filme que estava ansioso pra conferir, por tratar-se de uma produção artística cuja principal intenção é provocar e, até certo ponto, chocar quem assiste, algo que aprecio muito em qualquer filme.

Anticristo, pra quem ainda não sabe (o que é meio difícil, dada a cobertura que o filme recebeu da imprensa), conta a história de um casal que enfrenta a dor da perda de seu filho, cuja morte ocorreu sob circunstâncias um tanto "inusitadas".

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A seqüência que abre o filme, quase unanimemente considera uma pequena obra-prima de Lars Von Trier, pela forma poética em que foi filmada, dá conta de apresentar a tragédia do casal, e o tom da história, e do que virá pela frente. Traz algumas das imagens mais belas que já assisti num filme, mesmo exibindo cenas tão sexualmente explícitas, o diretor conseguiu torná-las mais eróticas do que pornográficas. E assistir aquilo tudo embalado por Lascia ch’io Pianga, de Händel, é de causar arrepios!

Dali pra frente acompanhamos todo o intenso tratamento ao qual o marido, um psicólogo, submete a mulher, forçando-a a encarar de frente seus próprios medos sem a ajuda de remédios calmantes e anti-depressivos. Logo ele descobre que uma das maiores fontes de medo da esposa é uma cabana no meio de uma floresta apelidada de Éden, e parte com ela pro lugar, onde a fase mais dramática do tratamento terá início.

Anticristo é um filme cheio de simbolismos, dos mais sutis, como na cena em que ela deita-se na grama numa posição bastante sugestiva, embora não totalmente escancarada, aos mais explícitos, como na grafia usada para escrever o título, ou ainda a automutilação punitiva como forma da personagem eliminar sua "culpa".

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Também é um filme de cenas fortes e afirmações polêmicas ("A Natureza é a Igreja de Satã", "O Caos Reina", entre outras). Cenas de sexo e violência explícitos causam grande desconforto em quem o assiste, o que foi um dos motivos de muita gente não conseguir chegar ao final nas exibições de cinema.

É também uma história que estabelece contrastes ousados entre conceitos superficialmente contraditórios. Por exemplo, nascimento e morte são intimamente relacionados, através de imagens como o filhote natimorto de cervo dependurado na vagina da mãe, a raposa morta afirmando que "o caos reina", o filhote de corvo morto a pedradas, o filhote de pássaro sendo devorado vivo por formigas, e depois por um falcão.

A própria cena de abertura funciona com um conflito de conceitos como sexo, prazer e morte. Perda da inocência.

O prazer, aliás, é um dos temas mais recorrentes de Anticristo. É especialmente tratado como a forma que ela encontra de sentir-se viva, ou de esquecer a culpa, o remorso e a dor da perda.

Muitos consideraram a visão negativa e demonizada que o filme apresenta das mulheres como uma tese de idéias defendidas por Von Trier, mas eu a vejo mais como uma forma de ilustrar quão perturbada a esposa se deixou ficar por seus objetos de estudo (ela estudava a história dos atos de barbárie cometidos contra as mulheres na história da humanidade), permitindo que influenciassem na forma como opta por lidar com suas carências afetivas.

Sua visão perturbadora e atemorizante da natureza é a maneira que encontra de transferir sua culpa pessoal para algo que enxerga erroneamente como externo, e maior o suficiente pra sentir-se vítima de tal força (o "Satã/Natureza", que num primeiro momento ela tanto teme).

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Além de trazer diversas seqüências plasticamente belas (ela caminhando pela floresta em hiper slow-motion, ele sob a chuva de sementes de carvalho) e perturbadoras (a automutilação genital, as mortes cruas dos animais), Anticristo ainda possui uma narrativa inteligente que, na medida certa, e sem aviso, oferece novas peças do passado dos personagens, aumentando um pouco mais nossa compreensão das motivações mais profundas responsáveis por compor a situação em que se encontram no presente.

É um filme difícil de digerir, mais voltado para a emoção do que para a razão, que em nenhum momento oferece respostas mastigadas ao espectador.

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Eu o definiria como um filme sobre a confusão e o caos que impera na mente de uma pessoa incapaz de lidar com suas carências emocionais e afetivas, e seus sentimentos conflitivos. Mas ainda assim isto não diz o suficiente a seu respeito.

Para aqueles dispostos a compreendê-lo por completo, é um filme a ser revisitado diversas vezes. Von Trier novamente conseguiu causar incômodo e levar seu público a reflexões sobre a natureza humana, esta sim a principal fonte do terror que impera em seu Anticristo.