segunda-feira, 2 de maio de 2011

[CRÍTICAS] Filmes do Final de Semana

A partir de hoje postarei no blog pequenas críticas de filmes que assisti no final de semana. Pra começar temos: Barton Fink - Delírios de Hollywood, Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo, Rashomon e Minha Amada Imortal.

A idéia é postar semanalmente quatro críticas de uma só vez, mas estou aceitando sugestões para o formato.


Barton Fink - Delírios de Hollywood (Barton Fink, EUA)

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Direção: Joel Coen
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: John Turturro (Barton Fink), John Goodman (Charlie Meadows), July Davis (Audrey Taylor), Michael Lerner (Jack Lipnick), John Mahoney (W. P. Mayhew), Tony Shalholb (Ben Geisler), Steve Buscemi (Chet)
Ano de lançamento: 1991
Duração: 116 min.

Sinopse: Nova York, 1941. Barton Fink (John Turturro) é o dramaturgo do momento e toda a Broadway, além da imprensa, se curva ao seu talento. Como conseqüência Fink vai para Hollywood para escrever um roteiro para um filme B, que aborda a luta livre. Ele se hospeda em Los Angeles no Earle, um hotel de segunda categoria, mas o objetivo de Fink é ficar longe de tudo e todos e se concentrar no seu roteiro. Porém, ele é atingido por um bloqueio de escritor de tal natureza que não consegue escrever nada. Charlie Meadows (John Goodman), seu vizinho, um amigável vendedor de seguros, tenta ajudá-lo, mas diversos acontecimentos bizarros, aliados a um calor infernal, surgem na vida de Barton.

Crítica:
Desde a fotografia primorosa de Roger Deakins, passando pelo visual opressor do hotel onde Fink se hospeda, e o uso inteligente de espaços vazios, e corredores vertiginosos, que ilustram a solidão e desorientação do protagonista num mundo ao qual não está habituado, a direção de Joel Coen funciona magnificamente a favor da história.

Barton Fink é quase um "irmão mais velho" de Adaptação, de Spike Jonze, outro filme excelente sobre um escritor com crise criativa. Neste a abordagem do tema é mais sóbria que naquele roteirizado por Charlie Kaufman, embora tenha sua parcela de delírios, como o subtítulo brasileiro deixa bem claro.

As atuações são muito equilibradas, com destaque para Michael Lerner, como o hilário e verborrágico Jack Lipnick; John Mahoney, que diverte muito em suas poucas partipações como o excêntrico W. P. Mayhew; e John Goodman, que sem muito esforço conquista a simpatia de Barton e do espectador interpretando Charlie Meadows.

Já John Turturro faz um de seus melhores papéis aqui, oscilando com segurança entre as pequenas neuras do personagem e os picos de histerismo, e torna palpável toda a angústia por ele sofrida.

A direção de arte também merece elogios pelo trabalho de recriação de época, e pelo quarto de Fink, que ao longo da história passa a refletir sutilmente o estado interior do personagem, desde os papéis de parede se despregando, até o quadro da moça diante do oceano que ele usa a todo momento buscando recuperar a paz que tanto almeja alcançar consigo mesmo. O design de som também é ótimo, reproduzindo com grande eficácia a tão conhecida sensação de desconforto que sentimos quando um pernilongo vem atrapalhar nosso sono, e os pequenos ruídos que ouvimos à noite quando o "silêncio" impera.

Mais um trabalho de direção exemplar de Joel Coen, que ao lado do irmão prova mais uma vez seu talento em equilibrar comédia e drama, e ainda se permite acrescentar uma dose de suspense que perdura até o último take, que é tanto poético quanto enigmático.

Nota: 4,5 de 5


Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo (Shi gan, Japão e Coréia do Sul)


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Direção: Ki-duk Kim
Roteiro: Ki-duk Kim
Elenco: Jung-woo Ha (Ji-woo), Hyeon-a Seong (See-hee), Park Ji-Yeon (Seh hee - antes da cirurgia), Sung-min Kim (cirurgião plástico)
Ano de lançamento: 2006
Duração: 97 min.

Sinopse: Seh-Hee (Park Ji-Yeon) e Ji-Woo (Jung-Woo Ha) são namorados de longa data. Eles estão apaixonados, mas Seh-Hee tem uma crise de ciúmes quando seu namorado se sente atraído por outra mulher. Ela está convencida de que Ji-Woo perderá o interesse no relacionamento à medida que o tempo for passando. Para prevenir o rompimento, Seh-Hee decide passar secretamente por uma cirurgia plástica, de modo que ela se torne uma "nova mulher" para o namorado. Certo dia ela desaparece do mapa, deixando Ji-Woo magoado. Com o tempo, porém, ele vai se esquecendo de Seh-Hee, e termina por se apaixonar por uma mulher misteriosa, que guarda um segredo que mudará suas vidas.

Crítica:

Sempre admirei a qualidade plástica dos filmes de Ki-duk Kim, e sua capacidade de dizer muito com poucas palavras, como em Casa Vazia, ou no visualmente arrebatador Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera. Porém neste filme achei que pesou-lhe um pouco a mão.

A premissa é criativa, e toca sem rodeios num tema contemporâneo e relevante. Além disto Ki-duk faz bom uso de metáforas visuais que ilustram os anseios dos personagens, sendo a mais evidente delas a praia de esculturas, em sua falsa ilusão de imutabilidade diante da passagem do tempo. Tinha tudo para ser um ótimo thriller psicológico, mas...

A recorrência com que alguns cenários são revisitados no decorrer da história acaba tornando-a redundante a partir de um certo ponto. A impressão que o diretor passa é de que ele queria deixar bem claro o significado de determinados cenários para aqueles personagens, como fica evidente nas inúmeras vezes em que aparece a escultura que ilustra o cartaz do filme.

Além disto as interpretações soam exageradas em diversos momentos, o que acaba comprometendo o efeito dramático de algumas cenas.

Reconheço o talento do diretor, e entendo as intenções que o levaram a dirigir este filme, e o que fez com que tomasse certas escolhas, mas a execução me pareceu um tanto desarticulada. Os personagens são frágeis, pouco desenvolvidos, e não cativam. Assim fica difícil se importar com seus dilemas.

Ainda assim, a história funciona como uma boa crítica à superficialidade de grande parte das relações humanas.

Nota: 3 de 5



Rashomon (Rashômon, Japão)

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Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Akira Kurosawa, Kazuo Miyagawa, Ryonosuke Akutagawa, Shinobu Hashimoto
Elenco: Minoru Chiaki (Sacerdote), Takashi Shimura (Lenhador), Kichijiro Ueda (Plebeu), Machiko Kyô (Masako Kanasawa), Toshirô Mifune (Tajômaru), Masayuki Mori (Takehiro Kanasawa), Fumiko Honma (Médium), Daisuke Katô (Policial)
Ano de lançamento: 1950
Duração: 88 min.

Sinopse: O filme descreve um estupro e assassinato através dos relatos amplamente divergentes de quatro testemunhas. A história se desvela em flashbacks conforme quatro personagens recontam os eventos de uma tarde em um bosque, através de um flashback dentro de outro, pois os relatos das testemunhas são recontados por um lenhador (Takashi Shimura) e um sacerdote (Minoru Chiaki) para um grosseiro plebeu (Kichijiro Ueda), enquanto eles esperam por uma tempestade em um portal arruinado. Cada história é mutuamente contraditória, deixando o espectador incapaz de determinar a verdade sobre os eventos.

Crítica:
Considerado a obra-prima de Akira Kurosawa, dono de um dos roteiros mais inovadores do cinema, Rashomon é um dos filmes de maior influência da história da 7ª arte, tendo servido de fonte de inspiração tanto para inúmeras produções cinematográficas, como também para séries de TV e até desenhos animados. Com tantos atributos, falar desta obra de Kurosawa se torna uma tarefa que intimida qualquer cinéfilo que se dedica a escrever sobre sua paixão e tem o mínimo de respeito por ela.

A trama é envolvente do início ao fim, explorando múltiplos pontos de vista, e a verdade por trás do assassinado de um samurai. Nela importa mais desvendar os motivos que levaram cada personagem a contar versões contraditórias de um mesmo fato, do que a verdade em si. É interessante notar que cada narrador opta por uma abordagem que, de uma maneira ou de outra, preserve sua honra, uma das virtudes mais valorizadas pelos japoneses.

Já a direção de Kurosawa exibe um virtuosismo que em nenhum momento é usado gratuitamente. Seus travellings surgem na medida certa, embrenhando-se na floresta em que se passa boa parte da trama, sem que a câmera que acompanha toda a ação do elenco se perca em tomadas confusas. Seus ângulos e enquadramentos são determinados com precisão, compondo um mise en scène harmônico. Além disso, durante as cenas dos depoimentos, Kurosawa opta por jamais mostrar os interrogadores, cujas vozes sequer são ouvidas, evidenciando seu desejo de reservar tal papel a nós, espectadores, que acompanhamos as narrativas conflituosas.

É notória ainda a estrutura engenhosa do roteiro, que se desenrola em três níveis distintos: o primeiro sendo aquele em que o padre, o lenhador e o plebeu conversam debaixo do portal Rashomon; enquanto no segundo temos as seqüências que correspondem às narrativas do lenhador e do padre referentes aos interrogatórios; e no terceiro temos as múltiplas versões do crime da floresta. A maneira com que os três são apresentados e se alternam é elegante o bastante para tornar a trama mais intrigante do que confusa (embora haja uma parcela intencional de confusão).

Confesso que as atuações me incomodaram um pouco por seu overacting, mas, levando em conta que a maioria delas estão inseridas nas narrativas apresentadas pelo lenhador e o padre ao plebeu, não se pode descartar a idéia de que as mesmas refletem a impressão dos narradores sobre aqueles personagens, e não os personagens tais como são na realidade.

Seja como for, 61 anos depois, Rashomon permanece como uma obra que merece todo prestígio e respeito que conquistou. Magnum opus de um dos diretores cuja obra todo amante de cinema deve conhecer.

Nota: 5 de 5


Minha Amada Imortal (Immortal Beloved, Reino Unido e EUA)

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Direção: Bernard Rose
Roteiro:
Bernard Rose
Elenco: Gary Oldman (Ludwig van Beethoven), Jeroen Krabbé (Anton Feliz Schindler), Isabella Rossellini (Anna Marie Erdödy), Johanna ter Steege (Johanna Reiss), Marco Hofschneider (Karl van Beethoven), Valeria Golino (Giulietta Guicciardi)
Ano de lançamento: 1994
Duração: 121 min.

Sinopse: Viena, 1827. Ludwig Von Beethoven (Gary Oldman) morre e um grande amigo do compositor, Anton Felix Schindler (Jeroen Krabbé), decide cumprir o último desejo do maestro, que deixava em testamento tudo para a "Amada Imortal", sem especificar o nome desta mulher.

Assim empreende uma jornada tentando localizá-la, encontrando em sua procura um retrato desconhecido de Beethoven.


Crítica:
Possuindo uma estrutura narrativa que lembra a de Cidadão Kane, a trama de Minha Amada Imortal é sustentada pelos depoimentos de personagens que conviveram em algum momento com Ludwig van Beethoven (Gary Oldman), do auge à decadência de sua carreira e de sua saúde.

Além da primorosa direção de arte e figurinos, que recriam com excelência o período histórico em que se passa a trama, a ótima fotografia valoriza os cenários e paisagens, seja realçando a suntuosidade de ambientes requintados, ou refletindo nestes o estado interior do protagonista.

Outra aspecto técnico que se destaca é o design de som, que reproduz com precisão a surdez de Beethoven em diversos momentos da história, levando o espectador a dividir com o personagem desde o aflitivo momento em que sai pelas ruas à procura de Karl (Marco Hofschneider), até o belíssimo instante em que ele demora alguns segundos para se dar conta de que estava sendo aplaudido de pé por uma platéia extasiada.

Usando de maneira inteligente composições do próprio Beethoven em quase toda a trilha sonora, ressaltando a importância de passagens marcantes na vida do compositor, Bernard Rose utiliza com brilhantismo o 2º movimento da 7ª Sinfonia em A maior, op. 92, para pontuar os conflitos entre Beethoven e Johanna (Johanna ter Steege) pela guarda de Karl, cuja profundidade só passamos a entender no último ato do filme. E, claro, a belíssima execução de Ode à Alegria, da 9ª Sinfonia, no momento mais sublime o filme, o qual faz por merecer um parágrafo à parte.

Beethoven sobe ao palco para acompanhar de perto a execução daquele que é o auge de sua obra mais famosa, e a partir daí começa uma alternância entre cenas do teatro onde ele se encontra diante da orquestra, e outras de um episódio marcante de sua infância. Toda a seqüência é de uma beleza arrebatadora, e termina com Beethoven, ainda menino, flutuando sobre a superfície de um lago que reflete o céu noturno acima. A câmera vai se afastando da criança, que se perde no meio das estrelas. O simbolismo é simples e direto: naquele que é seu momento de maior realização, Beethoven rememora o primeiro passo que deu na infância, para longe da pobreza e do sofrimento que o cercavam, e alcança com sua obra um patamar mais elevado, que o faz sentir-se parte de algo maior que ele próprio.

O filme poderia perfeitamente acabar sem prejuízos na cena descrita no parágrafo acima. Eu mesmo a considero o final ideal, mas o diretor preferiu se estender um pouco mais, e amarrar as pontas soltas que espalhou no decorrer da história, as quais são bem resolvidas, e emocionam na medida certa, mas não conseguem se igualar à catarse proporcionada minutos antes.

Com um elenco de interpretações competentes e equilibradas, destaca-se, obviamente, Gary Oldman, que faz um trabalho brilhante, conseguindo retratar bem o efeito dos anos sobre o personagem, e a deterioração física e mental de Beethoven, apoiado pela boa maquiagem. Isabella Rossellini também faz um ótimo trabalho interpretando Anna Marie Erdödy.

Minha Amada Imortal é tanto uma excelente cinebiografia de Beethoven, como um estudo sensível de um personagem cuja obra eternizou-se na consciência coletiva da humanidade. Não há neste mundo quem não conheça uma composição que seja deste gênio que até hoje desperta enorme fascínio, elevando a alma de quem ouve suas composições a dimensões apenas vislumbradas pelo homem em seus sonhos mais sublimes.

Nota: 5 de 5

domingo, 1 de maio de 2011

[RESENHAS] Musashi - Volumes I e II

Autor: Eiji Yoshikawa
Nº de páginas: 1808 páginas (922 do volume 1 e 887 do volume 2)
Editora: Estação Liberdade
Sinopse: Neste romance épico baseado diretamente na história japonesa narra um período da vida do mais famoso samurai do Japão, Miyamoto Musashi, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O início é antológico, com Musashi recuperando os sentidos em meio a pilhas de cadáveres do lado dos vencidos na famosa batalha de Sekigahara. Perambula a seguir em meio a um Japão em crise, onde samurais condenados ao desemprego e à miséria por senhores feudais derrotados semeiam a vilania ditando a lei do mais forte. Musashi será mais um dentre estes inúmeros pequenos tiranos, derrotando impiedosamente quem encontra pela frente, até que um monge armado apenas de sua malícia e alguns preceitos filosóficos zen-budistas consegue capturá-lo e pô-lo rudemente à prova. Musashi consegue fugir graças a uma jovem admiradora, para ser novamente capturado, e agora fica três anos confinado numa masmorra onde uma longa penitência, toda feita de leituras e reflexões, o fará ver um novo sentido para a vida, assim como novos usos para sua força e habilidade descomunais. Os caminhos rumo à plenitude do ser jamais são fáceis, e em seus anos de peregrinação em busca da perfeição, tanto espiritual quanto guerreira, enfrentará os mais diversos adversários, tendo inclusive que sair-se várias vezes de situações desesperadoras. É numa dessas situações que, totalmente acuado, usará pela primeira vez, em meio ao calor da luta e quase inconscientemente de início, a surpreendente técnica das duas espadas, o estilo Niten ichi, que o tornaria famoso pelo resto dos tempos.

Volume I

Foram as 922 páginas mais prazerosas que já li até hoje. Poucos s
ão os autores que conseguem segurar um leitor numa obra tão extensa como esta sem perderem o foco e começarem a enrolar, e isto é algo do qual não podemos acusar Eiji Yoshikawa.

Pra começar, seu estilo é muito simples, suas descrições de cenários são muito econômicas e objetivas, e ainda encontram espaço para metáforas inspiradas e poéticas, sem fazer uso de um vocabulário rebuscado e tomar um espaço desnecessário da história em si.

Outro elemento que se destaca na obra são os diálogos.
Todos têm uma fluidez que torna a leitura agradável, pois os personagens, mesmo aqueles que falam de uma maneira mais "formal", conversam como pessoas normais, e não como "personagens de um livro". Neste ponto a tradutora Leiko Gotoda merece méritos pela excelente adaptação do texto para o nosso idioma.

Mas é claro que a história não teria essa capacidade de conduzir o leitor com tanta eficácia se não existissem personagens cativantes e marcantes, e Musashi está cheio deles, a começar pelo protagonista, de personalidade forte, impulsiva, que esconde por trás de sua agressividade e imprevisibilidade uma sabedoria conquistada ao longo de uma dura e longa jornada que temos o prazer de acompanhar desde o início.

Otsu, eternamente apaixonada por Musashi, também conquista nossa simpatia por não ser apenas uma mocinha chorosa, que fica lamentando o tempo todo (embora ela tenha sua parcela de lamentações e choros ao longo da história), e suas aventuras ao lado de Joutaro, o garoto que torna-se discípulo de Musashi, funcionam como subtramas divertidas.

Além deles, temos o monge Takuan, que é um dos personagens mais engraçados e carismáticos da saga, cujas poucas aparições sempre rendem ótimos momentos de sabedoria regados com muito humor. E não podemos esquecer dos tragicômicos Matahachi e Osugi.

Com uma seleção variada e muito bem trabalhada de personagens, uma trama que flui com segurança e jamais se torna maçante, ótimas seqüências de luta, várias lições de filosofia oriental e história do Japão, Musashi é uma obra-prima que merece a adoração que conquistou desde sua publicação. Nada menos do que o merecido para o nascimento de uma lenda.


Volume II

Este volume, ligeiramente menor que o anterior, curiosamente parece possuir um peso maior no que diz respeito à quantidade de ensinamentos presentes na história, e à profundidade que eles alcançam.

Desde o início se mostrando uma obra ambiciosa, cujo desenrolar fluido torna sua leitura agradável, o volume 2 de Musashi confirma o que o primeiro já comprovava: Eiji Yoshikawa é um dos grandes escritores japoneses, e um dos melhores que este mundo já viu.

Neste a história assume um ritmo mais lento, em contraste com o turbulento final do volume anterior, o que funciona como uma retomada de fôlego, um momento de transição para a história e seu protagonista. Há uma mudança marcante na maneira como Musashi passa a encarar sua própria jornada até ali, e o verdadeiro sentido por trás dela. Ele assume uma postura mais humilde e contemplativa, e passa a encarar a vida de um ponto de vista mais elevado, enxergando agora o "caminho do guerreiro" como algo que vai além dos duelos.

Mas Eiji não se esquece do magnífico trabalho de composição e desenvolvimento de personagens exibido no primeiro livro, e aqui prossegue mais à vontade, conduzindo cada um deles com naturalidade ao longo da trama, tirando proveito da empatia que seus leitores estabeleceram com vários dos coadjuvantes no volume anterior.

É tocante e admirável ver a maturidade e resignação alcançada por Otsu, ao mesmo tempo que demonstra uma esperança inabalável, e uma devoção que alimenta cuidadosamente, demonstrando o enorme equilíbrio alcançado ao longo dos anos de espera. Além disto, é a protagonista de uma das seqüências mais emocionantes do livro, que serve de catalizadora da redenção de outra personagem. Otsu é, de longe, a personagem mais apaixonante da obra.

Osugi continua a velha senhora que amamos odiar no primeiro volume, cuja incansável busca por vingança continua gerando ótimas tiradas de humor. Enquanto Matahachi desperta nossa compaixão, levando-nos a lamentar os erros que comete quase que por compulsão, apesar das várias chances que recebe de dar um rumo melhor para sua vida.

Embora não dê para esmiuçar aqui o desenrolar das histórias de cada coadjuvante, vale mencionar a introdução de Iori, o novo discípulo que Musashi ganha neste volume, cuja personalidade Yoshikawa consegue diferenciar muito bem da de Joutaro. Takuan tem poucas mas ótimas aparições na história, ainda exibindo o enorme carisma que conquistou muitos leitores no volume 1. E, claro, temos mais um pouco de Sasaki Kojiro, cuja rivalidade com Musashi vinha sendo alimentada desde a metade do volume anterior, alcançando aqui sua culminância.

Além do longamente esperado confronto entre Musashi e Kojiro, este divide com o primeiro aquela que julgo uma das melhores cenas de humor deste volume. Ela que se passa numa casa de chá, onde Kojiro, conversando com alguns pedreiros, começa a criticar severamente o desempenho de seu futuro adversário na batalha de Ichijoji, apenas para descobrir, minutos depois, que Musashi ouvia toda a conversa enquanto fingia estar dormindo num cômodo vizinho. A forma como toda a cena se desenrola, e o instante em que Kojiro descobre Musashi, ainda deitado, encarando-o fixamente, é uma das grandes provas de quão completo é Eiji Yoshikawa como autor, que se sai bem tanto em cenas cômicas, quanto naquelas de peso mais dramático.

Yoshikawa continua merecendo todos os elogios possíveis com relação à forma como leva o leitor a pincelar em sua mente traços precisos e evocativos dos cenários e paisagens descritos, sem lhe exigir o menor esforço, com a mesma leveza e espontaneidade com que Musashi pinta paisagens no estilo haboku em diversos momentos da narrativa, tudo isto de uma forma envolvente e imersiva.


ATENÇÃO, o parágrafo abaixo contem SPOILERS que podem estragar surpresas do final da história!


Por fim, é digna de nota a decisão do autor de concluir a história de Musashi em seu momento mais glorioso, sem encerrar todas as subtramas até ali desenvolvidas. Este é o maior indicativo de que trata-se, acima de tudo, de uma grande homenagem de Yoshikawa a um dos mais fascinantes personagens do Japão, e um convite que ele deixa ao leitor para continuar desvendando Musashi em outros livros a partir daquele ponto, tornando a experiência de conhecer sua história tão plena quanto a visão que Musashi alcança do "caminho do guerreiro". Sua vida vai muito além do que dois livros são capazes de retratar, especialmente quando falamos de um homem que conseguiu ser maior que a própria.


Obs.: as resenhas acima foram originalmente publicadas na rede social Skoob.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

[FELIZ NATAL] - Hohoho

Não é porque eu sou um porco ateu que ia deixar me levar pelo consumismo e esquecer o verdadeiro significado desse dia tão especial né?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

[O MÊS DOS MORTOS] The Walking Dead – A Série de TV

ATENÇÃO: o texto abaixo contém alguns SPOILERS!!

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31 de outubro de 2010 já se tornou uma data histórica. 42 anos depois de George Romero nos brindar com um dos maiores e melhores clássicos do terror, o seminal A Noite dos Mortos Vivos, Frank Darabont, o diretor responsável por algumas das melhores adaptações cinematográficas de obras de Stephen King (Um Sonho de Liberdade, O Nevoeiro, entre outras), estréia no visionário canal AMC (da excepcional Breaking Bad, e da aclamada Mad Men), a adaptação de uma das mais elogiadas HQs de terror já escritas, criada por Robert Kirkman e Terry Moore. É um sonho se realizando para uma legião de apreciadores de um dos subgêneros mais populares do terror: o apocalipse zumbi.

Comentário do C: Uma coisa curiosa sobre o Halloween é que ele é um dos poucos acontecimentos da cultura anglo-saxônica que não "pegou" por aqui. Nós temos um feriadinho paia que ninguém dá muita coisa por ele (dia de finados), mas não é nem perto do quanto a véspera do dia de todos os santos é importante na cultura americana. Evidentemente que é o dia que começará o apocalipse zumbi, então, por favor, tenham a decência de não começar nenhum experimento ou ritual nesta data, obrigado.

Agora, sei lá, foi só eu que não sabia que porra de canal é esse AMC? Acidente Molecular Cerebral?


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A verdade é que tal fato já era esperado. A HQ fez sucesso praticamente desde sua estréia em 2003 (a primeira edição foi reimpressa 6 vezes!), e conforme Robert Kirkman ia demonstrando sua capacidade de escrever uma série longa sem perder a mão, e mantendo o leitor sempre ansioso pela próxima edição, não demorou muito pra começarem a achar que era o material perfeito pra ser transformado numa série de TV, desde que houvesse alguém capaz de convencer algum canal de televisão de que uma série de terror focada no drama dos personagens era garantia de sucesso.

Comentário do C: Eu tenho todas as críticas do mundo a Lost, mas tenho que admitir que a série mudou a visão que o mundo tem dos seriados. Depois de Lost se decidiu que dava pra extrair um "drama pessoal" sério de qualquer coisa. Tanto é que tivemos até de Super-Heróis (antes de Heroes cagar no tomate). Então, uma vez provado que dava pra aplicar esse "padrão seriado" de qualidade, era só questão de tempo até alguém perceber o óbvio: Walking Dead.

Tenho fé que um dia expandirão esse padrão de qualidade (focado em tramas pessoais bem feitas) para universos que eu pago pau infinitamente. Quem não daria a orelha da mãe por um seriado foda de Halo?

Adendo do Wolv: Além disto, como bem observou o pessoal do Omelete, Walking Dead é uma série que, se fizer sucesso (e muitos estão apostando nisto), abrirá espaço para que outros quadrinhos de temática mais adulta sejam adaptados pra TV. Já estão falando de uma adaptação de Sandman, e no ano passado surgiu o boato de que adaptariam Fábulas, outra HQ que recomendo muito a leitura.

6 anos depois do lançamento da HQ, eis que surge Frank Darabont com uma proposta de adaptar os quadrinhos para o formato de telefilmes, a qual é aceita e bancada pelo canal AMC. Conforme a produção avançava, os executivos da emissora acreditaram na força do material que tinham em mãos, e aprovou a produção de uma série. A confiança é tanta que já deram sinal verde para a 2ª temporada.

Comentário do C: Ainda podemos ter fé no bom senso da humanidade? E... WTF, canal AMC ainda tô tentando engolir. Chamarei de America Channel doravante, pronto.


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Tanto a história da HQ como a da série gira em torno de Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial de uma cidadezinha de interior que é baleado durante uma operação que dá errado, entra em coma devido à gravidade do ferimento, e só desperta depois que o mundo inteiro virou um caos. Daí pra frente, descobrimos com Rick o estado em que as coisas se encontram.

Comentário do C: Pessoalmente esse não é meu estilo de narrativa favorito, devo dizer. Veja, o "cara novo" no mundo através de quem o espectador conhece o universo (como melhor exemplo, pegue a Arquiteta de Inception, para quem é explicado tudo, e quem são os caras) é uma técnica válida, mas eu prefiro algo mais estilo Zumbilândia - que o cara já conhece o mundo, já tem suas regras, e nós vamos sendo apresentadas a elas sem prévio aviso (em Zumbilândia não tem essa "carona" narrativa com o protagonista).

Adendo do Wolv: Tendo em vista que a HQ foi lançada um ano depois de Extermínio, que representou uma reinvenção do gênero na época, podemos dar um desconto pro Robert Kirkman, que, afinal, estava tentando emplacar o projeto partindo de uma fórmula que deu certo. Felizmente, através do desenrolar da trama, ele se distanciou muito de sua fonte de inspiração inicial.

Muitos vão falar da semelhança entre o começo da série e o do filme Extermínio, de 2002, e alguns até o acusarão de plágio. Na HQ realmente soa como um plágio, porque não há muitas diferenças entre as duas histórias neste ponto, mas na série de TV, Darabont conseguiu realizar um trabalho tão primoroso expandindo essa seqüência (nos quadrinhos dura apenas umas poucas páginas), a ponto de torná-la mais tensa e impactante que a vista no filme de Danny Boyle. É uma seqüência brilhante, que cria uma atmosfera opressiva, gerando estranheza de início, depois ansiedade e por fim puro terror.


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Comentário do C: Hmm, nesse ponto eu discordo. Eu realmente prefiro a cena de Extermínio por mais nada, porque Londres jogada às moscas é muito mais perturbador que uma cidadezinha do interior de merda, que provavelmente estaria às moscas de qualquer jeito. O impacto é totalmente diferente. Eu achei a seqüência arrastada demais, e os primeiros mortos-vivos que aparecem no seriado são jogados sem muito estilo.

Veja, todo mundo sabe que os mortos vencem pela quantidade, e veremos hordas de zilhões deles, é isso que se espera afinal, mas quando aparece o primeiro para dar o clima de "não estamos mais no Kansas, Totó" merece um tratamento especial. E eu achei que faltou esse brilho, que é um dos grandes momentos quando falamos de mortos-vivos. Como o protagonista descobre que os mortos andam é um momento marcante, e eu achei muito "méeeh" nesse episódio.

Adendo do Wolv: Concordo em parte. De fato o primeiro contato do Rick com um morto-vivo deixou a desejar.

E sobre eu achar a seqüência melhor que a de Extermínio, acredito que seja mais por já fazer algum tempo que assisti o filme. O impacto foi maior justamente por esse "distanciamento".

A série conseguiu traçar um panorama geral da tragédia que assolou o mundo ainda mais inquietante, optando por gastar mais tempo apresentando o cenário de desolação e abandono (e demonstrando o quanto o canal está confiante de seu sucesso, a ponto de investir tanto na produção de cenários).

Comentário do C: Ainda considero a possibilidade da série ter sido filmada numa quarta-feira de uma cidadezinha cu do mundo do interior qualquer. Diz aí, Rodrigo, Guaxupé realmente seria muito diferente se acontecesse um apocalipse zumbi ou mal daria pra notar? Pois é.

Adendo do Wolv: Guaxupé seria mais morta do que normalmente já é.

Outro ponto em que a série se sai melhor que os quadrinhos é no desenvolvimento dos personagens.

O diálogo entre Rick e Shane, antes do tiroteio, é uma cena que não existia na HQ, mas que funciona muito bem na série, estabelecendo uma dinâmica entre eles, que mais adiante criará um contraste maior quando os dois se encontrarem no acampamento de sobreviventes, visto rapidamente no final do episódio.

Comentário do C: Eu sou suspeito pra falar, já que eu sou um grande sucker por esse tipo de conversa. Que atire a primeira pedra quem não lembrou dos filmes do Tarantino onde os personagens normalmente têm conversas filosóficas absurdamente fodas sem relação nenhuma com a trama (como por exemplo, qual a moral da música "Like a Virgin"). A conversa desse episódio não é tão infinitamente foda assim, mas é muito bom ver os personagens em vidas normais falando sobre coisas do cotidiano, e não apenas vivendo em função da aventura.

O mesmo pode ser dito sobre o breve período em que Rick fica na casa de Morgan e Duane. Além de servir de guia para Rick, Morgan é quem protagoniza uma das melhores cenas deste piloto, quando procura superar seus sentimentos pela esposa morta e convertida em zumbi, e tenta matá-la. É uma seqüência de forte carga emocional, que tem grande impacto sobre o espectador, em parte graças à ótima atuação de Lennie James, que se destaca neste episódio, e também à edição excepcional, que alterna entre o conflito emocional de Morgan e o conflito moral de Rick, quando este volta ao parque pra dar cabo da zumbi sem pernas.

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Comentário do C: Eu estou com acesso limitado a internet aqui, então me confirma: esse por acaso não é o negão de Jericho? Porque se for o mesmo, tá explicado tudo. Na mão de qualquer ator teria sido uma cena amarrada e chata pra caralho, não adequada para caras fodas que nem eu, mas a coisa é tão bem feita, que eu não só tive saco o bastante para assistir, como fiquei em dúvida sobre o que iria acontecer. E, tipo, eu sou inteligente pra caralho, então eu querer saber o que vai acontecer, e não apenas deduzir, é um grande mérito da série.

Adendo do Wolv: Sim, é ele mesmo.

Claro que a série não fica só por conta de desenvolver e dar maior complexidade psicológica a seus personagens. Como todo bom filme de desmortos, The Walking Dead também tem uma boa dose de gore, e faz questão de exibir isto na ótima cena de abertura, quando Rick é forçado a plantar um tiro na cabeça de uma garotinha zumbi. Eu chamo essa cena de “ou vai ou fica”. É daquele tipo que já deixa bem claro para o espectador o que esperar da série, e já afasta de vez quem não tem estomago pra encarar cenas tão fortes como esta. Daí pra frente, prepare-se pra ver muitos tiros e tacos de baseball explodindo miolos de mortos vivos, sempre mostrados de maneira explícita, e o “banquete” no final, que mostra até onde vai a fome dos zumbis por carne.

Comentário do C: HOLY DANCING CRAP OF AWESOME APOCALIPSENESS! Necessário dizer apenas que a série começa com uma garotinha levando um headshot na cabeça! Isso é infinitos níveis de formidavel fr0m h311!

O que tem de tão incrivel numa série abrir com uma criança sendo baleada na fuça? Você deve estar pesando que eu sou um sado-pedo-necrófilo amalgamo, mas não é isso. Nos tempos politicamente corretos em que vivemos, nos últimos dez anos, qual foi a última vez que você viu alguém dizer um ai para uma criança? Eu lembro do brilhante AVP2 (um dos filmes mais underrated de todos os tempos) e só. Deve ter mais. Mais precisamente, em alguns estados americanos, você pode perder a guarda de seu filho se você elevar a voz com ele. Isso diz a bicharlhadice dos tempos em que vivemos.

Então eu pensei "pfff, eles não têm OS CULHÕES NECESSÁRIOS para fazer um seriado foda sobre mortos-vivos".

E a série me respondeu "ah é, bebé? Então saca só!"


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EU FUI UM HEREGE SEM FÉ! ÓH COMO FUI TOLO, COMO FUI TOLO!

The Walking Dead tem tudo pra agradar quem curte boas histórias de terror e suspense, e dramas de sobrevivência. A ambientação lembra tanto os filmes clássicos de Romero, quanto o romance Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, cujas as vítimas da epidemia de cegueira que assola o país não são muito diferentes dos mortos-vivos tradicionais (recomendo o livro e a adaptação para o cinema).

Comentário do C: Recomendo só a adaptação para o cinema, mas meu ponto contra o Saramago não é a questão aqui...

A julgar por este início, deu pra notar que Frank Darabont e sua equipe de roteiristas estão dispostos a ser tanto fiéis à obra original, como torná-la ainda melhor em sua transição para a TV, com um cuidado maior no desenvolvimento dos personagens e seus dramas, e numa melhor exploração do mundo que se criou após a praga.

Tendo lido a HQ até a edição 54 (atualmente está na 78 lá fora), posso garantir que a história só tende a melhorar, com muitas reviravoltas, momentos chocantes, e cenas altamente polêmicas. A equipe responsável pela série já mostrou que tem coragem de ousar, e isto é um ótimo sinal. A TV ficou mais interessante com a estréia de Walking Dead, sem dúvida a melhor série da temporada.

Comentário do C: Um último ponto que eu gostaria de ressaltar é a incrivel capacidade de chocar dos caras. Tipo, eu já vi muita coisa, mesmo, e pouca coisa nesse mundo me impressiona. Mas eu fiquei impressionado com a cena do cavalo. Para te convencer a assistir essa série, direi que tripas de cavalo são devoradas com o mesmo ainda se debatendo. Pô, era um bom cavalo, era um cavalo maneiro, e havia empatia com ele, e então... e então... e então... PQ? POR QUEEEEEEEEEEEEE?

O cavalo não! Tudo menos o cavalo!

O que me lembra daquele filme Eu Sou a Lenda, onde 5 bilhões de pessoas morrem, mas a cena mais emocionante do filme é quando um único cachorro morre. Isso não diz tanta coisa sobre a nossa espécie?


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domingo, 24 de outubro de 2010

[O MES DOS MORTOS] - Resident Evil

Todos nós nerds, ao compreender que estamos nesta vida fomos amaldiçoados com uma nefasta e assombrosa maldição. E eu não me refiro a inabilidade de pegar uma mulher em menos de duas horas mesmo que sua vida dependa disso, e sim a algo muito mais grave e importante que só nós sabemos.

Nós sabemos como a humanidade vai terminar.

Sim, nós temos esse conhecimento. Todo nerd de verdade sabe. Tanto é que nós falamos desse dia "quando" acontecer e não "se" acontecer. Nós sabemos como será o fim: não tem nada haver com as bichesses dos eco-chatos, não tem haver com meteoros e certamente não tem haver com profecias de indios que levaram ferro. Certamente que não.

A humanidade acabará quando os mortos andarão sobre a face da Terra e só uma questão de tempo para isso acontecer.

“Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos andarão sobre a face da terra”
- Dawn of Dead, George Romero

Não se sabe como vai acontecer nem quando, nem porque. Pode até ser por uma causa bem intencionada (tipo alguem quis criar a cura definitiva para a rinite cronica). Não importa. O que importa é que eventualmente as cidades serão silenciosas e deserticas, pois estarão todos mortos.
Detentores deste conhecimento imprescindivel, e sabendo que a humanidade não merece a salvação, fazemos então a unica coisa que podemos fazer: nos preparamos.
Que atire a primeira pokebola o nerd que nunca pensou onde se abrigar ou o que fazer QUANDO o dia vier. Enquanto as atuais castas superiores da humanidade ficarão em panico correndo em circulos sem querer acreditar no que esta acontecendo (e tendo suas tripas arrancadas no processo), nós não perderemos tempo com isso porque já estavamos preparados.
Nós sabemos que O DIA virá. Os mortos andarão sobre a face da Terra.
E será um dia glorioso.

Em homenagem a este grande dia, e a grande série que estreiou esse mes, as postagens de novembro (onde se comemora o dia de finados) serão tematicamente sobre este tema que fala sobre um assunto temático (pleonasmos por conta da casa).

E para começar esse mes especial, falarei sobre o segundo grande jogo (o primeiro foi Zombies Ate my Neightboors) sobre este tema temático: Resident Evi.

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RESIDENT EVIL - PSX (Capcom, 1996)
Como já devem ter percebido vivemos em uma fase de transição nos games bastante... única. A ultima vez que aconteceu algo assim foi quando os jogos passaram de 2D para 3D, a diferença é que hoje estamos passando do bom e velho pauzinho da alegria (a.k.a. Joystick) para sair correndo pela sala dando piruetas. O que significa, é claro, que é hora de ligar os ventiladores porque shitty times virão com a força de um mamute diarréico. Pense o que quiser do 3DS, Kinect ou o pirulitão da Sony, o fato é que até eles pegarem o jeito de não fazerem porras constrangedoras que usem bem os novos recursos muita porcaria ainda vai rolar (voce pode contestar que a Nintendo conseguiu uma ou duas vezes com o Wii, mas aí eu posso te mandar ir arrumar uma trouxa de roupa pra lavar e não me encher os pacovas). E como eu sei disso? Ora, por dois motivos muito simples: A) EU SOU FODA PRA CARALHO e B) Já aconteceu isso antes.

"Como assim já aconteceu antes?" você me pergunta estupefato e eu te respondo pra pegar um banquinho que o tio C vai te contar uma história (sim, tem fadas e princesas nessa história, pode continuar lendo)

O ano era 1996 e o mundo era um lugar estranho e assustador para os seus padrões eminhos de hoje. Os americanos furariam os olhos com uma colher de plastico enferrujada antes de eleger um presidente negro, o Brasil ainda era Tetra e Fantasia era a alegria da molecada de férias (imagine um mundo sem internet, naturalmente). Ah sim, e Justin Bieber tinha tipo uns menos quatro anos. Naquele ano o esquisito (como assim naõ tem fita pra soprar?) Playstation ainda lutava para consolidar seu lugar ao sol e os games migravam do Super Nintendo para os 32 bits (qualquer pessoa de bem ignora qualquer merda que a SEGA tenha feito, falows?), o problema é que os caras não sabiam como fazer isso.

"Oh, ok, os jogos agora tem graficos 3D mas... que tipo de jogo a gente faz com isso?" Era a duvida deles, que se voce parar pra pensar (não pense muito pq dói) é o mesmissimo dilema dos games de hoje, só que em outras areas. E na falta de algo melhor pra fazer, eles faziam os mesmos jogos só que com gráficos 3D, o que nos brindava com pérolas absurdamente esqueciveis como Spyro The Dragon ou Crash Bandicoot. Ai voce putinha safadenha vai dar um chilique nojentinho dizendo que são bons jogos e eu vou te mandar tomar tomate cru porque voce nem lembrava desses jogos até eu cita-los. Enfim, o PS1 era uma senhora coletanea de lixo por onde quer que se olhe. Pra cada Syphon Filter tinha 15783 "Mission Impossible – The game" soltos por aí e um cavalo com ulcera fecal não regurgitaria tanta podridão nem com muito treino e 2 Chokitos. Novamente, não parece familiar com o que acontece hoje em dia?

Pois bem, essa putelança de "aimeldelwzzz ki ki a xenti faizz cum essiii 3D?!?!?" durou até que um bando de japoneses culhudos colocaram as bolas na mesa e disseram: "SUAS BICHAS EXOTÉRICAS, OLHA COMO SE FAZ ESSA PORRA!". E foi dessa leva que nasceram os grandes jogos do PS1 (aqueles que voce sabe citar de cabeça). E Resident Evil 1 não era só um deles, como um dos melhores deles.

Pra voces terem uma idéia de como esse jogo é bom, mas tão bom, mas tão bom que ele não foi um fracasso de vendas apesar da capa horrorosa que ele tinha. Sério véi, que porra mulambenta é essa? É um dos trecos mais feios que eu já vi na minha vida, e olha que eu já vi uma vaca encoxar uma ovelha no pasto...
Cara, sério... Já conheci gente fazendo por terapia por muito menos do que olhar pra isso...
Mas continuando, se voce conseguisse contrabandear o CD da loja (nenhum pai que mereça a guarda de seus filhos permitiria que este comprasse um jogo de capa tão horrenda), seria brindado não só com um novo jogo, mas introduzido (ui!) em um genero de jogos totalmente novos! Senhoras, aliens verdes e senhores, estamos falando, é claro, dos Survival Horror. Porra, um genero novo! (quem foi bichinha de PC gamer e pensou em "Alone in the Dark" favor se retirar para o canto e refletir no quanto sua vida é vergonhosa) Quantas vezes você abre um jogo e se depara com isso? DUCA, eu digo, DUCA!

Alias dá pra notar no jogo que todo o esforço da Capcom foi em prender a atenção do jogador desde o primeiro minuto, desde o primo do Undertaker dizendo "RESIDENT EVIL" até a abertura com imagens filmadas e atores reais e... espera, atores? HOLY CRAP OF DARKNESS, isso era realmente épico! (e sim, novamente eu compartilho da minha secreção anal para com os pobres coitados que tinham um *sic * SEGA CD pq estamos falando de videogames de verdade aqui, ok?). Na época era realmente inenarravel uma abertura filmada com atores contando como os fodidos do BRAVO TEAM foram deixados para os mortos numa mansão no meio da PQP de Guaxinilandia (sério, Racoon City?). Hoje eu acho isso muito mais incrivel ainda na verdade, apenas porque o video é um nível trash-fundo-de-quintal que faria Tarantino se revirar na tumba (caso estivesse morto, é claro, ou tenha um estranho fetiche por comer groupies em covas abertas). Quer dizer, eles usam claramente um cachorro empalhado cuja cabeça explode num take que remete a toda majestade e glória dos filmes B! E o que dizer da espontainedade... bom, constrangimento... dos atores? This is fucking epic win, sir!

Alem da introdução avassaladora, o jogo então mostra o "cast" do seu elenco (na versão japonesa Chris acende um cigarro na sua apresentação, bons tempos do politicamente incorreto que não voltam mais) e voce tem duas opções de escolha sobre com quem jogar: o cara grande e forte ou a menina magrelinha e esperta. Chris Redfield e Jill Valentine, respectivamente.

A grande sacada aqui é que o personagem que voce escolhe reflete a dificuldade do jogo e isso é outra dessas coisas incriveis que o politicamente correto baniu de nossas vidas para sempre. Permita-me explicar: jogar com a Jill é abusivamente mais fácil porque, bem, ser mulher é abusivamente mais fácil na vida real. E não antes que você mova seus dedinhos de cavaleiro branco da internet para o teclado, apenas tenha em mente uma coisa: VOCÊ SABE QUE EU ESTOU CERTO E VOCÊ ESTÁ ERRADO. RÁ!

Oh, você está preso em um buraco e não tem como sair? Não tema, se voce for uma menininha tem um cara grande e forte pra jogar uma corda e salvar seu (belo) rabo feminino. Não entendeu a formula pra fazer a poção de matar a planta hentai estupradora de almas? Não tema, o cara grande e forte salva seu rabecho denovo. I mean, é abusivamente mais fácil jogar com a Jill porque assim como acontece no nosso mundo, ou ela teve treinamento numa coisa idiota e futil que só mulherzinhas podem fazer (tipo tocar piano) ou porque se ela estalar os dedos um cara vai rasgar o seu proprio orificio anal com um alicate belga para salva-la sem pedir nada em troca.

Jogando com o Chris voce tem a ajuda da... Sakura. Sério, não sei o que o personagem mais dispensavel e idiota de Street Fighter está na mansão ou porque chamam ela de Rebecca, mas quando a tosquinha da Sakura é toda ajuda que voce vai ter... bom, voce tem uma grande idéia do quanto está por sua própria conta...

Dito isso, falemos do jogo.

Em Resident Evil você está preso em, como já foi dito, numa mansão (com gráficos todos renderizados, uau) na PQP da zona rural de Guaxinilandia com cachorros du mau fr0m h3ll do lado de fora e coisas mais estranhas ainda do lado de dentro. Sua missão é simples: achar um caminho para fora dali, seja ele qual for e sobreviver enquanto descobre que porra aconteceu naquele pardiero, bátima! (através de diarios e cutscenes "magnificamente" atuadas, que só tornam a canastrice do "filme B" mais épica ainda)

Básicamente a pira é andar aleatóriamente até encontrar um lugar trancado, quando encontrar voce sabe que é para lá que tem que ir – resolvendo alguns puzzles ao redor da mansão para tal (coisas como pegar uma manivela na lavanderia, que deus não me conte como foi parar lá, para manivelar a agua do patio e abrir caminho na fonte). Enquanto voce passeia feliz e saltitante pela mansão, coisas menos felizes e saltitantes tentam te tornar um cadaver bastante infeliz e nada saltitante. É claro que eu estou falando de fucking zombies e isso por si só já faz do jogo imperdivel. Porque matar zumbis e nazistas nunca é errado ou ruim. NUNCA.

Mas não pense, no advento de voce pensar, que o jogo é um carnage de sangue (que a série infelizmente acabou virando, argh) e essa que é a pira do survival horror: os inimigos não dão respawn infinito, mas sua munição também é limitada... bem limitada (mais limitada se voce jogar no hard do que se for uma mulherzinha que ganha tudo na mão, claro) e no fim é tudo sobre o clima. Voce passa um bom tempo andando sozinho e ouvindo apenas seus passos, não é questão de abrir caminho a bala e sim do PUTA CAGAÇO QUE VOCE VAI LEVAR quando abrir a porta com duas balas na shotgun e um hunter voar para separar sua cabeça de luz do seu pescoço de luz. É tudo sobre clima, no fim das contas e embora hoje o jogo seria estuprado por qualquer site não ter uma trilha orquestrada por 514 musicos canhotos, o silencio e a tensão é o grande trunfo aqui. Claro, ainda é um jogo de ação e quando o pau come, o pau come – não é um "Silent aimeborrei Hill".

Tecnicamente falando, é um adventure 3D (achar o item A, CAGAR um espaço no seu inventario pra carrega-lo até onde ele é necessário junto com a munição e as curas) com momentos de ação de cagar a ripa.

Este, meus amigos, foi o responsável pela crise economica de 2008.
"Gente branca de olhos azuis"

Por algum motivo estranho, Resident Evil 5 se passa na Africa e logo os zumbis são pessoas negras. O jogo foi racista por te fazer matar gente negra. Mas matar gente branca como o camarada ai tudo bem né?

Falando em ação, os controles são meio estranhos... tipo se eu explicar aqui voce não entenderia (até pq, como já estabelecemos, você é burro pra caralho mesmo), mas algo que até um texugo com mal de parkinson conseguiria jogar. É mais simples do que soa: voce aponta a arma com R1, gira pros lados com <> e avança e recua com CIMA e BAIXO. Colocando assim parece uma zona da porra, mas realmente é mais fácil do que parece e no fim das contas explodir monstros é uma sensação absurdamente fucking good gostosa, só superada pela sensação de mirar NO SACO do zumbi pra arrancar as pernas dele e ver ele se arrastando numa agonia atesticular. E atirar no saco de zumbis é uma das coisas mais divertidas que se pode fazer durante o seu proprio apocalipse zumbi pessoal (anota ae)

E o pior mesmo é que apesar das atuações épicas canastronas dos atores (atores é bondade da minha parte, chamaram os primos dos caras pra dublar, só pode), a história até que é legalzinha e voce vai se envolvendo mais e mais na trama que levou aquele inferno de aberrações mutantes, zumbis e o Johnny Bravo dumau. Em determinado ponto voce realmente está se perguntando que porra é aquela toda, bátima, ou se o seu parceiro está vivo (no caso de estar jogando com o Chris, o desejo é o de que a Sakura tenha tropeçado e esteja sendo estuprada por 157 zumbis jamaicanos nessemomento) e isso é mais do que muitos jogos conseguem. E sério, uma história que tem o Johnny Bravo fr0m h311 não tem como ser uma história ruim.

Albert Wesker, líder da missão e peça-chave na trama. Ao menos enquanto tiver seu pente.

Não obstante, suas escolhas durante a história decidem qual dois 6 finais (três para cada personagem, após uma batalha final contra o tempo que envolve um monstro de 2m de altura e um pusta da porra de um LANÇA MISSEIS PORTATIL!!!) voce vai ter – todos finais filmados e que envolvem helicopteros e explosões, desnecessário dizer mais. Mesmo alguem como voce consegue compreender a fodiçonice disso, creio eu (embora eu seja reconhecidamente um otimista.

Resumindo então, Resident Evil foi um pusta jogadzoo que liderou uma geração de pusta jogadzoo a uma nova e gloriosa era de gaminagem e se voce não sabe disso ou não entendeu até esse ponto é pq vc tem problemas sérios. O que eu realmente espero é que com essa porcariada toda de jogar dançando e tal, que surja logo um Resident Evil para liderar os jogos a um glorioso rumo certo, pq do contrário é as coisas apenas se abichornarem mais e mais até o não tão distante dia que teremos um vergonhoso videogame que funciona a base de peidos. Voce pode rir do Peidostation (que eu já patenteei e o processo vai comer direto e reto quando lançarem, RA!), mas essa é a nossa terrível realidade a menos que tenhamos um Resident Evil da vida e logo. Mesmo com uma capa tão mequetrefe.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

COMO FUNCIONAM AS SÉRIES

Claro que há as exceções, como Os Simpsons e South Park, mas achei incrivelmente divertido notar como a fórmula se aplica à maioria dos seriados que já acompanhei.

(artigo traduzido da webcomic Subnormality)

Primeira temporada - a série ainda luta para se consolidar, contando com o benefício da dúvida.

Segunda temporada - elementos que pareciam bons no papel, mas não funcionaram na tela, são removidos; escritores e atores começam a encontrar o tom dos personagens; a série vai construindo sua identidade.

Terceira temporada - por tentativa e erro, tudo acabou em seu devido lugar, e a série desfruta de uma zona de conforto; histórias simples podem ser contadas sem que os roteiristas pareçam ter perdido a ambição; surgem muitos episódios clássicos.

Quarta temporada - equidistante do auge e da decadência da série; as histórias são construídas sobre modelos pré-estabelecidos sem parecerem ridículas; os escritores ainda têm um considerável estoque de boas ideias.

Quinta temporada - os escritores começam a ficar desesperados e a usar todas as ideias que já tiveram na vida; a equipe criativa original ainda está inalterada e ainda tem algo a provar, não dando o sucesso da série como garantido (mas isso fatalmente acontecerá).

Sexta temporada - os membros da equipe criativa original começam a sair, em sua maioria para tocar projetos pessoais destinados a durar pouco; os roteiristas começam a se repetir e cair em padrões; os personagens começam a cair na autoparódia, por medo de arriscar o bem-sucedido (e lucrativo) ritmo da série; a última temporada em que o número de bons episódios supera o de ruins.

Sétima temporada - os escritores estão sem ideias, e a equipe criativa compensa elevando os gastos de produção; os personagens agora são moldados para acomodar as tramas, em vez das histórias serem desenvolvidas de acordo com suas personalidades; qual quer que fosse a motivação original da série, ela está distante demais para que os escritores se lembrem; temos eventuais bons episódios, mas isso se deve às leis da probabilidade e estatística; a série ainda pode terminar com dignidade, mas essa é a sua última chance de fazê-lo.

Oitava temporada e além - a série se torna um pálido reflexo de seus melhores dias, existindo apenas para manter as carreiras de seus maquiavélicos criadores; os personagens são quase irreconhecíveis em relação às suas versões originais, com suas personalidades removidas para facilitar a manipulação.

Cada temporada além da sétima cancela uma das anteriores em termos de legado da série – ou seja, uma série que chegue à 14ª temporada estará virtualmente morta-viva.

Se uma série não for cancelada quando fica claro que seu período de vida útil terminou, o melhor é fazer é reunir um grupo de amigos armados até os dentes, cercar os membros da produção numa garagem e eliminá-los pelo bem da civilização ocidental. Ou então simplesmente parar de assistir à referida série. ;)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

[FELIZ ANIVERSÁRIO] - Porque nenhum de nós é tão cruel quanto todos nós



"Bam! To behold, a public bulletin board, built of both brilliance and barbarity by bastards with boners. This bastion, no mere bulwark of boredom, is a brutal barrage of blistering bullshit, barely benevolent... But behind the bigotry and boobs, beyond the bitter broadcasts of bragging buffons: here be the body politic. A brotherhood of blasphemy blessed with more balls than brains, battling the bland, the bogus, the benign. Bedlam? Bring it on. But I babble... Better to be brief.
You may call me /b/"




Imagine um lugar repleto de pornografia grátis e de todos os tipos para (quase) tudo que é lado, sem encher seu computador de vírus. Imagine que esse lugar existe. Imagine agora que ele existe a 7 anos, completados hoje.
Sim, hoje é aniversário do coração pulsante da própria internet, o lugar onde os memes nascem e as inocencias morrem, o alpha e o omega do http: 4chan


FELIZ ANIVERSÁRIO!