quarta-feira, 28 de junho de 2006

[CULINÁRIA] Receitas do Tio Wolv: "Torrada de Pão de Queijo"

Não fica assim!

Foto meramente ilustrativa
(não fica assim!)

Antes que alguém venha me acusar de plagiar o Fábio Yabu, digo desde já pra ir cuidar da sua vida e deixar que eu curta meu momento de realização, afinal, não é todo dia que eu invento uma receita.

Na verdade era pra eu ter postado isto na semana passada, assim que eu voltei de mais uma das minhas "temporadas" em Guaxupé, pois a "criação" se deu na casa da minha tia, onde fiquei hospedado por uma semana.

Enfim, chega de embromação e vamos à receita! Vocês vão precisar de:

- Pães de queijo endurecidos (ficam assim depois de uns 3 dias);
- Um microondas;
- Um bocado de paciência;
- e 60 segundos de suas vidas.

Sim, é "só" isto. Mas não pensem que é fácil deixar pães de queijo guardados durante tanto tempo! Aqui em casa meio quilo acaba em questão de minutos! Portanto, sejam persistentes, e resistam à tentação de comer todos eles (ou simplesmente escondam alguns durante os 3 dias em um lugar bem improvável de procurarem, tipo uma gaveta de cuecas ou de calcinhas, dependendo do seu sexo, tomando, obviamente, o cuidado de embalá-los bem pra não atrair formigas até que eles fiquem "no ponto").

Feito isto, três dias depois vocês já podem testar sua consistência. Se estiverem um pouco duros eles já estão prontos pra ir pro microondas. Ponham todos despreocupadamente lá dentro por 1 (um) minuto, na potência máxima.

Sessenta segundos mais tarde vocês vão descobrir, como eu, que os pães de queijo não ficaram molinhos, quentinhos e repuxentos, mas duros feito pedra. Não se desesperem! É assim mesmo que a coisa tem que ficar.

Na hora de comer vocês têm duas opções:

1) Corte-os em fatias, como quando vão fazer torradas com pão francês (ou pão de sal, dependendo da região do país onde vivem);
2) Sejam burros como eu, e comam do jeito que saiu, na dentada mesmo, fazendo o possível pra evitar uma futura visita ao seu dentista (acreditem, já quebrei meus dois dentões da frente por um motivo ainda mais idiota, e pro meu azar eles já não eram mais de leite).

O gosto desse negócio? Sabe quando vamos fazer algo com queijo em uma grelha ou frigideira e espirra um pouquinho no fundo dela, que logo tosta e fica sequinho? Pois é, eu adoro aquelas casquinhas de queijo torrado! O gosto é exatamente este.

_______________________________________

Comentários:

ow, cadê a receita da torta de bis????

Lucão | Email | 11-07-2006 20:01:33
_______________________________________________________________________________
AHIUhaiuAHUIahUIAHuiahuiHAIUhaiuHAIUhaiUHAuihaiuHAiuahIUAHiauhIUAHiuahIUAHiuahIUHA! Pronto, momento rissaaaaadaaaaas na casa da Heluza Oo Tu não é normal xDDD Sabe eu jah fiz\ isso, mas tava guardado a um dia só xDDD E não colokei 60 segundos, só 30 Oo Mas um dia eu tento, tem sempre pão de queijo akeee mesmo Oo Heluza ama pão de queijo @.@ HAIUHAIUHAUIHAIUAHIUAHIUAHIAHAHAU!

heluza | 02-07-2006 14:36:56
_______________________________________________________________________________
A idéia é esta, meu caro Tom. Mas é claro que prefiro o "jeito convencional".

Wolv | 01-07-2006 09:15:19
_______________________________________________________________________________
Não é mais fácil e gostoso comer os pães de queijo do jeito convencional?! Sei não, mas isso ta me cheirando uma daquelas tardes sem nada pra fazer, quando bate a fome e não se têm nada pra comer, a não ser aqueles pães(de queijo) esquecidos no fundo do armarinho/forno... Tudo bem, eu te entendo!

Tom | Homepage | 01-07-2006 01:14:40
_______________________________________________________________________________
Eu tenho medo que eles explodam no microondas.

Aline | Email | 29-06-2006 07:42:57
_______________________________________________________________________________
tenho pavor de quebrar meus dentes

Mariana | Email | 29-06-2006 07:42:04

quarta-feira, 14 de junho de 2006

[DIÁRIO] O Som das Esferas?!

Ontem ocorreu um fato extremamente peculiar comigo (pra não dizer tremendamente estranho). Tudo começou quando eu estava deitado sobre a cama no meio da tarde sem nada de interessante pra fazer, sem paciência pra assistir a estréia do Brasil na Copa (escrevi este trecho enquanto minha família assistia o primeiro tempo do jogo), e sem inspiração pra escrever qualquer coisa.

Fiquei esperando por alguns minutos o surgimento de alguma idéia para um texto, fosse ele um trecho do meu livro, ou um conto aqui para o blog, mas depois de um certo tempo acabei desistindo. Decidi que era chegada a hora de "apelar".

Abri meu armário de quadrinhos e livros (onde 99% do conteúdo é composto pelo primeiro item), e desenterrei minha edição de "Até mais, e obrigado pelos peixes" (o 4º livro da série "Mochileiro das Galáxias", do genial Douglas Adams) debaixo de meu porta-CDs, pra ler um dos capítulos que eu mais gosto: o 14º. É nele que Arthur Dent liga pro bar da estação de trem onde almoçara com Fenchurchperguntando se alguém havia encontrado o bilhete da rifa que comprou de uma velhinha insistente, atrás do qual a garota havia anotado seu telefone.

Até hoje acho genial a forma como ele escreveu este capítulo, que é praticamente um monólogo da funcionária do bar que atendeu seu telefonema (não ouvimos em nenhum momento o que Arthur fala do outro lado da linha), tanto que vira e mexe eu pego o livro pra reler este trecho.

É realmente uma pena que Douglas Adams tenha morrido tão cedo, deixando tão poucas obras pros seus apreciadores degustarem. Também é lamentável o fato de eu já ter me desviado completamente do assunto principal deste texto.

O que realmente importa é saber que eu estava tentando arrumar alguma boa idéia lendo um texto de um dos meus escritores preferidos. E o mais importante, que fazia isto sentado na beirada da minha cama segurando o livro com ambas as mãos, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, ao lado do meu armário de HQs e livros, cujas portas estavam escancaradamente abertas, de modos que era possível ver todas as pilhas de quadrinhos, e a única de livros que se encontram armazenados em seu interior. Foi neste cenário, e nestas circunstâncias que o tal fato aconteceu.

Começou como um chiado muito, mas muuuito baixo, no meu ouvido direito. Era tão ridiculamente baixo que num primeiro instante mal chamou minha atenção. Até aí ainda estava entretido com a leitura. Só alguns segundos depois é que me dei conta de que só ouvia aquele chiadinho do lado direito.

Foi quando eu virei a cabeça um pouco para o lado que o negócio começou a se revelar particularmente estranho. Ao fazer isto o chiado parou por completo, mas foi só voltá-la pra posição anterior que ele estava novamente lá.

Como ainda rolava o jogo da seleção lá na Alemanha, e a cidade estava praticamente parada acompanhando a partida, imaginei que o tal chiado fosse um barulho longínquo de alguma turma exaltada assistindo a disputa na TV. E pensando nisto me levantei, caminhei até a janela do meu quarto, e agucei minha audição o máximo que pude pra identificar de onde vinha o estranho ruído. Resultado: nem sinal dele.

Tá, se o barulho não vinha de fora, e se quando eu me mudava de posição ele simplesmente sumia, de onde diabos ele estava vindo? Como diria qualquer personagem engraçadinho de algum seriado americano (ou o Sílvio Santos), esta é a pergunta de um milhão de dólares, meus caros (ou reais, no caso do Sílvio)!

Mas, até aí, ainda não havia desistido de descobrir a origem do chiado bizarramente baixo, tanto que voltei a me sentar na beirada da cama, cuidando para assumir a exata posição em que me encontrava quando ele surgiu pela primeira vez. Pra minha surpresa, ele ainda estava lá!

Experimentei jogar a cabeça ligeiramente pra frente, coisa de poucos centímetros, e ele mais uma vez sumiu. Voltei com ela pra trás, e o chiadinho retornou.

Daí eu tentei uma estratégia nova. Calculei de que direção ele vinha e fui seguindo-o com o ouvido em linha reta, até onde parecia ser sua fonte. No final da "perseguição" eu me vi com a cabeça quase enfiada dentro do meu armário. Se era de lá que ele vinha? Não. Foi só eu me afastar alguns centímetros do ponto onde ele surgiu que já não era mais possível ouvi-lo.

Cheguei até mesmo a me debruçar no chão do quarto e encostar o ouvido nele pra verificar se vinha de um possível cano que passasse sob o quarto, mas nem sinal.

No final das contas voltei a me sentar na beirada da cama, posicionei minha cabeça no ponto apropriado do espaço, e fui finalmente ouvir com mais atenção o chiado.

Inicialmente não parecia nada mais do que um ruído qualquer, mas depois de um tempo parecia ter alguns padrões no som, como em uma transmissão com algumas interferências de fundo. Em alguns pontos quase dava pra identificar uma melodia no meio daquilo. Mas nem sinal de vozes, pelo menos não do tipo que eu já tenha ouvido.

A impressão que eu tive a respeito da origem daquele som foi de que existia um buraco no tecido do espaço bem dentro do meu quarto que, coincidentemente ou não, surgiu bem ao lado do meu ouvido direito, no exato instante em que eu me sentei na beirada da minha cama pra ler o trecho de um livro de ficção científica, cuja história terminava com os personagens descobrindo a mensagem final de Deus para o universo. Se isto significa alguma coisa, ou se é só viagem da minha cabeça? Não faço a menor idéia.

Só sei que escrevi este texto em duas etapas: a primeira logo depois de ocorrido o que acabei de narrar, e a segunda após eu tomar um banho pra esfriar a cabeça e concluir o que relatei aqui. Assim que eu saí do chuveiro, vesti uma roupa, fiz um lanche e escovei os dentes, experimentei me sentar novamente na beirada da cama, e ficar na mesma posição que eu estava quando o chiado surgiu. Ele não estava mais lá.

O que restou foi a impressão de que eu perdi alguma coisa importante, incapaz de interpretar o que ouvi. De repente a mensagem não era pra mim...

_______________________________________

Comentários:

E aí,blza?Adorei seu blog,muito interessante mesmo,pelo visto tu és uma pessoa muito culta,adoraria trocar com umas idéias contigo.Bjs,João.

João | Email | 23-01-2007 19:37:17
_____________________________________________
Nossa! Adorei esse post! XD É interessante que, enquanto eu lia, me vi a mim mesma fazendo o mesmo que você... Apesar do outro ali achar que é esquizofrenia eu acho que é uma coisa realmente interessante. XD Já aconteceu comigo e só me encheu de caraminholas na cabeça... Fiquei em tike! Me perguntando por qual motivo não havia descoberto a origem do som... :D Bem... espero que de uma próxima você já tenha arrumado um Babel Fish para poder nos passar a mensagem interestelar de nossos vizinhos galácticos!!! XD _o/

Alynne | Email | 21-10-2006 22:31:50
_____________________________________________
Wolv, isso tem nome. Se chama esquizofrenia.

Cilon | 17-06-2006 01:22:39
_____________________________________________
Oo Aaaaaaahhh! Mas isso já aconteceu comigo várias vezes Oo Na última foi de noite, quando ia pra casa, mesmo dia que vi e ouvi muitas coisas que ~...não eram pra ser ouvidas nem vistas Oo Enfim Oo Eu já me acostumei com isso x.x Aleas...o "eu" é a Heluza ¬¬

eu. | 16-06-2006 00:28:47

segunda-feira, 12 de junho de 2006

[CONTO] Dispersas e Conexas

'Feather Equilibrium' de Salvador Dali

"Feather Equilibrium" de Salvador Dali

Surge um dedo, apontando para o alto. Lá em cima uma hélice gira, sem estar presa a nenhum eixo, insinuando que move-se por força própria.

Sobre a hélice vejo um espelho que a reflete. Ele é perfeitamente quadrado, e flutua a menos de um metro dela. Como o objeto girante que reflete em si, o espelho não está preso a nada.

Cansando-me de procurar um significado pra tal visão, abaixo os olhos e os dirijo para a frente. Surpreso, encontro uma porta cinco metros adiante, de pé, presa a parede alguma.

Por fim, olho para o chão, e não o encontro lá. Só vejo meus pés, que se prendem aos meus tornozelos, que se conectam às minhas pernas, que se ligam aos meus joelhos, e estes às minhas coxas, e elas à minha cintura, que se liga ao meu abdômen, que se funde ao meu peito, que sustenta meus ombros, e estes os braços de onde pendem minhas mãos.

Não vejo meu pescoço, nem minha cabeça e sequer meus olhos, que olham tudo, mas não conseguem abranger meu corpo por completo, porém sei que estão aqui, pelo simples fato de estar usando-os para enxergar tudo isto.

Mas, e o chão? Ele não estava lá antes? Antes de eu seguir o dedo, meu dedo?

Foi ele que apontou pra hélice, e depois deixou que meus olhos seguissem seu próprio caminho até o espelho, e dali para a porta, e por fim o chão, que não existe mais.

Por que não o enxergo? Meus olhos não podem alcançá-lo?

Será que a hélice realmente não está ligada a nada? Se assim for, o mesmo valeria para o espelho, a porta e meus pés?

Se sinto cada parte de meu corpo ligada uma à outra, e se vejo essas ligações, por que não consigo enxergar as ligações entre a hélice, o espelho, a porta e meus pés?

De repente sinto que os questionamentos não estão ajudando tanto. Ou até estavam, antes de eu encontrar a solução. Eu finalmente entendo o problema. Enfim enxergo a resposta.

Fecho os olhos e vejo a hélice, ligada a um eixo de metal, que se prende ao teto espelhado, que forma um ângulo reto com as quatro paredes brancas, em uma das quais se encontra a porta bem na minha frente. Vejo também meus pés, sustentados pelo chão, que sustenta todo cômodo. E por incrível que pareça, agora vejo meu pescoço, minha cabeça e meus olhos, que no momento não olham nada.

Lá estão todas as ligações!

Volto a abrir os olhos. O chão novamente se foi, a porta tornou a ficar solitária, a hélice gira sem eixo, o espelho flutua sem propósito. Mas agora eu sei, as ligações ainda estão lá, só não consigo vê-las com os olhos. Eles não vêem muita coisa...

_______________________________________

Comentários:

Não li Oo Não to com paciencia =D Mas enfim, Alfenas tudo hein xD Nada pessoal u.ú

eu. | 12-06-2006 20:38:05

quarta-feira, 24 de maio de 2006

[DIÁRIO] Insônias Produtivas

"Insomnia" de Kris Kelley

São 5:54 da manhã e eu acabo de sair de uma insônia de quase duas horas. Resolvi inaugurar minha 4ª feira mais cedo hoje, e transformar minhas horas a menos de sono em algo que merecesse ser transcrito, o que, conseqüentemente, por dedução óbvia, me levou a escrever este texto.

Insônia é um negócio que pode ser, ao mesmo tempo, engraçado e interessante pra algumas pessoas, caso elas tenham bom humor e interesse o suficiente pra encará-la dessa forma, é claro. Não posso falar pelos outros, mas muitas das minhas insônias foram particularmente proveitosas.

A de hoje, por exemplo, me serviu pra um bocado de coisas, dentre elas priorizar algumas decisões em detrimento de outras, esboçar algumas idéias, e planejar meus próximos dois meses.

Desviemos um pouco do assunto principal e falemos do último item citado no parágrafo anterior. Se teve uma coisa que eu já aprendi nesse ano, que ainda nem chegou na metade, definitivamente foi não planejar nada a longo prazo, mesmo que este se encaixe no período relativamente curto de um ano. Daí a decisão tomada durante minha insônia de hoje. Dois meses é o ponto mais distante que pretendo ir em meus próximos planejamentos.

Mas, voltando às insônias, um dado interessante que deve ser compartilhado (e que curiosamente se conecta a um outro texto que escrevi por aqui sobre os surtos criativos em nossas horas debaixo do chuveiro) é o fato de muitos insones (ou poucos, afinal, aqui estou usando como base apenas minha própria experiência) encontrarem na quietude da madrugada, no "quentinho" do cobertor (em uma noite fria como foi a de hoje), e na escuridão relaxante de um quarto (embora muitos encontrem o oposto disso) o ambiente e as circunstâncias mais propícias para dar vazão às suas idéias.

É compreensível, afinal, muitos de nós só encontram a chance de processar todas as informações com as quais estabelecemos contato, ao longo do dia que deixamos pra trás, durante os poucos momentos em que tudo ao nosso redor alcançou um estado de relaxamento quase pleno, sem ruídos auditivos, visuais, enfim, sensoriais, que distraiam nossa atenção. E acho que nem preciso exemplificar tais ruídos, afinal, todos nós somos capazes de enxergar os contrastes entre um dia abarrotado de tarefas a serem cumpridas, e uma madrugada disposta a nos oferecer uma rota de fuga momentânea do "inferno sensorial e informacional" que é boa parte de nossas "horas despertas."

Em pouco menos de duas horas, que foi o tempo que eu consegui suportar minha insônia até decidir me levantar da cama pra escrever este texto, deu pra pensar em muita coisa (cheguei ao ponto de me imaginar dando uma entrevista pra eu mesmo como sendo Grant Morrison, que é um dos meus escritores preferidos de histórias em quadrinhos), entre elas que me seria muito útil ter uma "Sala do Tempo", como a deDragon Ball.

(Nota Cultural: Sala do Tempo é um conceito muito bacana criado por Akira Toriyama, um famoso criador de histórias em quadrinhos japonesas, ou mangás, em Dragon Ball, uma de suas criações mais famosas. Basicamente consiste em uma sala, localizada dentro do templo flutuante do deus daquele mundo, onde um dia fora dela corresponde a um ano lá dentro. Assim, se uma pessoa ficar 24 horas enfurnada na tal sala pra ela terá passado 365 dias, enquanto lá fora só terá transcorrido um único dia.)

Acredito que em um lugar assim eu correria o risco de fazer duas coisas:

1) produzir tudo que deixei de produzir em um ano normal (ou seja, cheio de contratempos, "ruídos" e obstáculos) ou;
2) simplesmente enlouquecer, pois eu teria um ano inteiro à minha disposição sem nada pra me impedir de fazer qualquer coisa. Talvez a ausência de dificuldades seria tão chocante, tão fora da realidade em que vivo, que seria motivo forte o bastante pra eu surtar de vez e entregar os pontos.

Eu apostaria nas duas possibilidades, primeiro produziria muito, e depois surtava, caso sobrasse algum tempo.

O que acontece é que especialmente nos últimos 3 anos (isso sem contar todos os outros que compoem minha vida até aqui) andei acumulando tantas idéias e informações na minha cabeça que isso acabou se tornando um problema. Minha atenção se tornou alta e, em alguns casos, perigosamente dispersiva. O que, por um lado, me leva a me interessar por assuntos dos mais diversos, e por outro torna quase impossível eu me concentrar em apenas um deles por muito tempo.

Acho que um ótimo exemplo disso é este texto, que começou falando de insônia, e agora termina comigo fazendo uma confissão sobre um dos problemas que mais prejudicam meu futuro profissional, e vem me impedindo de perseguir um único objetivo, focar minha atenção em uma única idéia, e me poupar de algumas noites de insônias, mesmo que produtivas, como a de hoje.

_______________________________________

Comentários:

Hoje vim pra enxe u saco xD Atualização é uma coisa que não aocntece muito por ake. Sabia que o Bobo ganhou vida? OO Só que ele não azul xD Eu sou feliz \0/

eu. | 04-06-2006 23:45:04
_____________________________________________
hmm... "telefones" de idéias são sempre interessantes ^^ por exemplo.. eu vim parar nesse blog pq tava procurando a fanfic da Tabita sobre os ComboRangers... e depois descobri q vc eh o Wolv q tá na comu dos Cr xPPP (por falar nisso, seus coemntarios sao mto bons xDDDDD)... e bem, jah q eu tava procurando msm... vc sabe d algum lugar (fora o "site oficial" da fic) no qual posso achar "Os Sentimentos dos ComboRangers"??? well... anyway, thnx ^^

Greyhawk | Homepage | 27-05-2006 23:28:12
_____________________________________________
Realmente, pessoas mal humoradas (como eu), de maneira alguma pode ter uma noite como esta. E te digo mais...planejar pra dois meses, mesmo sendo este um período curto, tbm não dá certo. O negócio é não planejar, ou apenas planejar o seu próximo dia. Claro, que cada pessoa é uma pessoa mas...vai saber. Enfim, o objetivo de um comentário..é comentar não? Até aqui eu penso em objetivos. Perdi boa parte do meu tempo até aqui (com os meus 19 anos), planejando o que seria de mim dake a meses...enfim, agora estou aqui fazendo as únicas coisas que não planejei. Eu sei, eu sou negativa mesmo. Mas vai em frente. Vc é uma pessoa diferente de mim. Boa sorte.

eu. | 27-05-2006 19:23:42

terça-feira, 25 de abril de 2006

[REFLEXÕES] O Mergulho Diário

'Take a Shower' de Stefanie Greuel

"Take a Shower" de Stefanie Greuel

Fim de um longo e cansativo dia de trabalho. Você chega em casa e não vê a hora de ir pro banheiro, se livrar daquelas roupas sujas e suadas, abrir o chuveiro com a água quentinha (quando no inverno), ou gelada (no verão), e se entregar àquela chuva instantânea e particular.

Deseja que cada gota não caia em vão, mas com o único e nobre objetivo de acariciar sua pele cansada e endurecida pelo dia corrido. Relaxá-lo, a fim de que tenha uma tranqüila e prazerosa noite de descanso, que contraste com o novo amanhã que o espera, cheio de atividades a serem feitas.

Mesmo durando apenas alguns minutos, aquele mergulho em gotas tão gentis, dedicadas em seu esforço de nos dar alguns instantes de desligamento total, nos transporta para um mundo distante daquele que abandonamos quando nos despimos de nossa armadura de batalha, e nos livramos de nossas máscaras de atuação. Um mundo a um passo de distância, acessível por meio do simples ato de adentrar o box do chuveiro, e permitir que a água caia sobre nós.

A água é nosso feixe de teletransporte, a porta de entrada para um mundo particular, onde por poucos mas infinitos minutos podemos ser tudo, pensar em tudo, criar tudo, ou simplesmente não ser, nem pensar, e tão pouco criar, mas meramente tirar férias instantâneas de nós mesmos, de nossos problemas, dos outros, e dos problemas deles.

Tiramos férias do mundo naquele simples feixe de água massageadora, férias de tudo, e aproveitamos um nada que nos restaura as energias. Um nada que não nos consome. Mas também corremos o risco de entrar em contato com um tudo que pode vir em turbilhões, ou em pequenos e bem organizados pacotes.

Mundos povoados por seres da imaginação. Idéias que guardam outras idéias. Caminhos ocultos que só se permitem ser enxergados quando nos esquecemos de todos os outros, de tudo e de todos.

E quando desligamos o feixe aquático de transporte dimensional instantâneo, com um simples girar de torneira, e voltamos para o mundo da ação, podemos até trazer conosco muita coisa. Muitas idéias, muitos caminhos, muitos mundos e seres, muitos "eus" e "outros", e até mesmo muitos "nós".

Mas também há a opção de não trazer nada. De nos contentar apenas com o breve cochilo que tiramos durante toda a viagem.

Podemos não apreciar a paisagem, voltando pra casa satisfeitos com mais um raro momento de descanso, de não-agir, neste mundo que nos força a seguir seu fluxo, ou simplesmente nadar até a margem e ficar lá deitado, esperando o rio terminar seu fluir eterno.

_______________________________________

Comentários:

Em que sentido? E, quem é você? A mesma "A" do comentário abaixo?!

Wolv | 16-05-2006 22:45:21
___________________________________________
Gostoso, tu és virg...????

A | Email | Homepage | 16-05-2006 14:41:12
___________________________________________
bom texto meu velho! gostei muito. é real esse negócio q a gente de vez em quando saí com muitas boas idéias do chueiro.. comigo sempre acontece. abraço!

Augusto | Email | Homepage | 14-05-2006 14:52:29
___________________________________________
Vocês dois (irmãos) são interessantes! No entanto prefiro a ti, apesar dele sempre elencar afinidades, identifico-me mais contigo... grande abraço!

A | Email | 13-05-2006 12:16:26

___________________________________________
"É bom,ás vezes se perder, sem ter porquê, sem ter razão, É um dom, saber envaidecer, Por si, saber mudar de TOM"

Maria | 07-05-2006 13:07:11
___________________________________________
Só fico imaginando vc nu... lost

enila | Email | 29-04-2006 11:42:22
___________________________________________
Acho que não é o banho que me deixa realizada depois do trabalho, mas realmente a soneca que eu tiro no ônibus na volta... levo ate uma simples almofadinha heheheh

tab | Email | Homepage | 27-04-2006 12:15:23

sábado, 15 de abril de 2006

[CONTO] Cacos

'Of a Broken Man' de Lucas Exhibit

Tudo começou com uma decepção. Uma grande decepção. Bom, pra ser bastante preciso, uma grande e imperdoável decepção consigo mesmo.

Tinha nojo de sua própria imagem desde que fez aquilo. Era tamanho seu sentimento de repulsa por si mesmo que a primeira atitude tomada após aquele dia foi quebrar todos os espelhos da casa, não com um martelo ou porrete, mas com os próprios punhos. Nem se deu ao trabalho de tratar dos cortes, simplesmente se permitiu pegar todos os cacos espalhados e levá-los para a área ao redor da piscina.

Era muito vaidoso antes do que fez. Embora não parecesse agora, ele gostava de espelhos, ou mais particularmente de seu reflexo neles. Também gostava da piscina, especialmente quando cheia de convidadas, todas completamente nuas, ali só pra ele.

Mas agora dos espelhos só restavam os cacos jogados em um canto da área ao redor da piscina. E esta não estava cheia nem de convidadas nuas, e tão pouco de água. Fez questão de esvaziá-la completamente, tomando o cuidado de entrar pessoalmente naquele enorme buraco arredondado, forrado por enormes placas de mármore esverdeado, e enxugar com uma toalha cada pequena poça, ou uma mera gota que encontrasse ali. O que seria feito naquele lugar não permitia a presença de um elemento cuja natureza era pura.

O passo seguinte durou semanas. Em condições normais duraria tranquilamente meses, mas ele era alguém de muito status, e acima de tudo muito dinheiro. Portanto não foi difícil conseguir as garrafas.

Não eram garrafas normais, o que fazia parte de sua exigência, mas sim aquelas cujo conteúdo foi bebido por seres cheios de arrogância, ganância, ambição desmedida, intolerância e ódio. Ah, como haviam as tocadas por este último! Ódio pelos outros, pela vida, por si mesmo e por Deus. Ódio, ódio, ódio!

Passou dias quebrando todas, uma a uma, como fora instruído, até sobrarem cacos pequenos. Os cortes aumentavam em suas mãos. O sangue escorria até coagular e se secar. As feridas começaram a inflamar depois de um tempo. Mas logo a dor não passou de um incômodo a mais, como sua própria solidão, e sua quase insuportável convivência consigo mesmo, e com o que fez.

Seis dias depois todas estavam quebradas. Passou o dia seguinte inteiro jogando os cacos dentro da piscina. Quando terminou já estava anoitecendo. Olhou, por fim, para o canto da área ao redor da piscina e lá estavam os "restos mortais" dos espelhos que quebrara há semanas atrás.

Pegou cada punhado de cacos espelhados com as mãos nuas, ensangüentadas e feridas, e fez questão de arremessá-los ruidosamente no centro da piscina, sobre os restos das garrafas quebradas.

Olhou para a obra que lhe custou semanas pra concluir. A piscina estava cheia de cacos até a boca. Uma obra monumental, mas não totalmente completa. Faltava o toque final, o elemento principal.

Despojou-se de todas as vestes, olhou para as mãos e braços cortados, cheios de sangue escorrido e seco, e caminhou até a caixa. Trouxera do quarto no terceiro andar, pouco antes de começar o trabalho de despejar os cacos dentro da piscina. Enfim chegara a tão esperada hora de usar seu conteúdo.

Abriu-a, e dentro encontrou seus instrumentos finais: o punhal e o frasco.

O punhal possuía um cabo de metal dourado, muito desgastado pelo tempo. Ele inteiro era ornamentado por gravuras de significado desconhecido, o que era pra ele, naquela altura, um detalhe sem importância.

O frasco era quadrado, como um pote de nanquim. Seu líquido era de um verde escuro, quase negro.

Pegou o frasco e o abriu. Pegou o punhal e o embebeu com todo o líquido verde escuro.

Caminhou calmamente para a beirada da piscina, ergueu o punhal sobre sua cabeça, segurando-o com as duas mãos, e com um estampido baixo e seco, cravou-lhe no coração.

O sangue começou a jorrar quase que no mesmo instante, misturando-se com o líquido verde-escuro. Quando sentiu cada músculo, órgão e osso de seu corpo queimarem, ele sabia que era a hora de executar o ato final, a última pincelada.

Pulou sobre os cacos na piscina, arrastou-se até seu centro, e começou a usar a força renovada que invadiu seu corpo para cavar com as mãos a superfície de vidro, sem se importar com a dor dos cortes que se abriam.

Os cacos entravam nas unhas, nos dedos, alguns perfuravam até o osso. O sangue não parava de jorrar, mas ele continuou cavando, até começar a se enterrar sob a cova de cacos que conseguiu abrir.

Enterrou-se até o pescoço e começou uma dança obscena em meio aos pedaços de vidro, que perfuravam cada centímetro de seu corpo. Sentia-os entrando nos pés, nas coxas, nas nádegas, no pênis e nos testículos. Mas sua vontade de completar a obra era maior.

Uma mancha crescente de sangue começou a se espalhar pelos cacos no centro da piscina, e ao redor de seu corpo. Era a hora.

Gritou: "Que nasça!!!"

E, tomando impulso, arremessou o rosto contra os cacos dos espelhos bem na sua frente, esfregando-o neles.

Não se permitiu nem um gemido de dor quando sentiu os cacos perfurarem seus olhos, e desfigurarem aos poucos seu rosto, que já fora tão admirado pelas mulheres.

Quando finalmente parou, seguiu-se um silêncio, quebrado em seguida por uma explosão. Muitos cacos foram arremessados pra fora da piscina.

De dentro dela surgiu um calombo de restos de vidro, que não demorou muito para se revelar uma cabeça, pois abaixo dela havia ombros. Os braços emergiram logo depois, e quando o ser de cacos finalmente se pôs de pé sobre a superfície de vidro quebrado, a primeira coisa que fez foi arrancar de sua cova cortante, com um só puxão, o corpo do infeliz que o criou.

Segurou pelo pescoço aquele corpo dilacerado e desferiu-lhe um forte soco no rosto com sua enorme mão de cacos, sem soltá-lo.

Seguiu-se uma série de socos no rosto, no abdômen, e chutes nas genitálias, já bastante danificadas. Ao término do espancamento não passava de um pedaço disforme de carne.

O ser de vidros quebrados largou seu criador sobre a superfície de cacos e por fim se desfez, voltando a se espalhar na piscina.

Longos minutos se passaram, até que o pedaço de carne restante começou a pulsar, se remexer, se remontar.

Sob carne rasgada e ensangüentada surgiu uma mão, seguida de um braço, e finalmente uma cabeça. Estava nascendo.

Quando enfim abandonou a carcaça pútrida e surrada, mesmo coberto de sangue, via-se que o corpo era novo, isento de feridas, de marcas do tempo. Renovado.

Pôs-se de pé e deu o primeiro passo, deixando os restos de seu "ovo de carne" pra trás. Cortou o pé com os cacos, sentiu dor, assustou-se com o líquido vermelho que saía do corte, e por fim chorou. Quando notou que chorar não estava ajudando, voltou a andar, encarando o caminho que teria de seguir até atingir a borda da enorme piscina.

Cacos por todo lado. As feridas seriam muitas, mas poderia tratar delas assim que saísse dali. Mal sabia ele que depois da piscina havia um mar, lá fora, lhe esperando.

_______________________________________

Comentários:

Referencias? Parece uma metafora espirita pra mim...

Cilon | 18-04-2006 19:30:03
______________________________________________
Olha, pra esse conto em particular eu não me lembro de ter usado referência nenhuma. Simplesmente foi uma idéia que surgiu, há muito tempo atrás, e que só recentemente eu consegui passar pro papel (já faz alguns meses que eu estava com ele pronto por aqui). E, sim, eu crio imagens mentais das minhas histórias, às vezes chego até a imaginar tomadas, como se estivesse dirigindo, mas isso fica meio complicado de transpôr pro texto.

Wolv | 18-04-2006 06:37:11
______________________________________________
Suas referências obviamente são diferentes das minhas. Mas foi estranho como relacionei seu conto (é um conto?) com VÁRIAS coisas, de Nip/Tuck a Monstro do Pântano, e principalmente uma história do Moebius, só de imagens. Aliás, vc concebe visualmente sua história? É pra se pensar naquilo de "uma câmera na mão, uma idéia na cabeça"...

mariana | Email | 17-04-2006 10:59:21