terça-feira, 22 de setembro de 2009

[REVIEWS] Fringe e FlashForward: um retorno e uma pré-estréia

ATENÇÃO: o post abaixo está lotado de SPOILERS!

Um alô para nossos leitores. Essa é uma ocasião especial, além de ser a estréia da segunda temporada de Fringe, temos a pré-estréia da ótima FlashForward. Resolvemos então fazer uma resenha em conjunto. Esperamos que apreciem.

Pra facilitar suas vidas, destacamos os trechos escritos pelo Rodrigo em
azul, enquanto os comentários do Kasul estão em verde.


Fringe s02e01 - "A New Day in the Old Town"


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E finalmente chegou a 2ª temporada de Fringe! Depois de uma 1ª temporada que começou muito bem, deu uma ou outra deslizada em sua primeira metade, mas daí pra frente só foi melhorando até o excelente season finale que apontava pra um caminho cheio de possibilidades, a série volta com tudo, e ganha novos rumos.

Não podemos aqui deixar de comentar um pouco dos momentos marcantes do final dessa primeira temporada. Encontramos Walter num pequeno cemitério. Descobrimos que o túmulo para o qual olha pertence a seu filho Peter, morto ainda criança. Então quem é o Peter que participa da trama? Minha hipótese é que, de alguma forma, Walter o tenha trazido de outra dimensão, para substituir o filho morto. Isso explicaria sua constante preocupação com a saúde dele e também as citações de gostos do filho que não mais correspondem à verdade.

Outro ponto marcante do final foi Olivia se encontrando com William Bell. Explícita a forma como deram a entender que estavam numa outra realidade, primeiro dando um close no jornal, onde uma notícia já colocava Obama como presidente, ficando assim clara a data atual, e logo após, as Torres Gêmeas ainda intactas.

Se a minha preocupação durante esses meses de espera era a forma com que os roteiristas lidariam com a "abertura" de caminhos proporcionada pelo final da temporada anterior, este primeiro episódio veio como um grande alívio. Tudo que havia de melhor em Fringe estava lá, e muitos dos pontos negativos da primeira temporada começaram, aos poucos, a serem consertados.

O episódio tem início imediatamente após um acidente envolvendo dois carros. Um desconhecido sai de um dos veículos cambaleante, andando desorientado pelas ruas de Manhattan, até conseguir entrar num prédio, matar um homem e, com a ajuda de um aparelho estranho, assumir a forma do sujeito! Logo nesta cena começa uma série de citações a uma das principais fontes de inspiração de Fringe. Na TV do apartamento onde se encontravam passa uma cena de Arquivo X, focando o inesquecível casal de agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully.

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Desta vez a verdade está mais "lá fora" do que você imagina, meu caro Mulder.

Partimos então para a abertura do episódio. Os mais atentos notaram que todas as palavras que aparecem durante a apresentação foram trocadas. Agora somos bombardeados com frases como Universos Paralelos, Poder Extra Sensorial, Protociência, Mente de colméia (ou coletiva), entre outras. Será isso uma dica de coisas que poderemos ver nesta temporada?

Não demora muito e já somos apresentados à nova personagem do elenco fixo da série, a agente Amy Jessup, uma gracinha que é intimidada pelo agente Broyles a fim de que ela desista de ir mais a fundo no caso em que se meteu.

Outro destaque, pois essa agente não parece ter entrado no meio dessa confusão por acaso. Dá a entender que sabe muito bem onde está e o que quer fazer. Mas suas verdadeiras motivações ainda são um mistério.

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Tá, eu vou ouvi-lo com essa cara de quem tá com muito medo,
mas não darei a mínima pro que me pediu.

Como se as coisas já não tivessem começado suficientemente estranhas, descobre-se que o outro carro é de Olivia Dunham, embora ele não traga o menor sinal de que ela esteve ali, até que Walter Bishop vai lá dar uma fuçada no veículo que, do nada, começa a funcionar, e "cospe" a agente de dentro dele, através do parabrisa!

E os mistérios seguem um atrás do outro! Olívia é por um tempo considerada clinicamente morta, mas não demora a acordar falando uma frase misteriosa em grego, além de dar a entender que há uma ameaça contra o mundo inteiro chegando no horizonte, e que antes do acidente tinha um encontro decisivo com alguém. Atormentada, atordoada e paranóica ela soa como uma personagem bem mais interessante do que vinha sendo na primeira temporada.

Mais tarde somos apresentados à possibilidade do transmorfo ser um soldado de outro universo, que por sua vez é uma idéia MUITO parecida com o conceito de espiões que podiam assumir a forma de qualquer pessoa, usados na 2ª temporada de Alias, que por sinal foi a melhor de todas (de repente um sinal de que este também será o caso de Fringe?).

E que tal um espelho que mostra um universo paralelo?! Ou ainda uma máquina de escrever que "capta" mensagens datilografadas em sua contraparte de outro universo?!

Legal destacar aqui que toda a “super tecnologia” usada em Fringe é construída de modo bem rústico. Nada de hologramas, lasers ou outras coisas digitais e “futurísticas”. Mesmo as máquinas que fazem as coisas mais esquisitas como o teletransporte, ou atravessar paredes, demandam um esforço grande para serem produzidas e utilizam apenas material , por assim dizer, comum. A comunicação entre as realidades é feita com uma simples máquina de escrever. Note-se a máquina de transformação usada pelo soldado, um aparelho com um interruptor muito antigo, e que ainda necessita que uma parte com pregos sejam enfiadas no céu da boca do sujeito... Mas tudo isso é bola dentro por parte dos criadores, que trazem todas essas coisas surpreendentes para termos mais plausíveis, ou o que costumamos chamar de pseudociência.

Mais tarde no episódio, Arquivo X torna a ser quase explicitamente citada durante a audiência de Broyles em Washington, quando o comitê de investigação menciona a "designação X" referente a casos inexplicáveis do FBI. O que demonstra o senso de justiça que os roteiristas de Fringe possuem, tornando ainda mais claro que a intenção deles não é plagiar, mas inovar no uso de algumas das idéias apresentadas ao longo das 9 temporadas da série de Chris Carter.

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Essa só veio pra cá porque achei ela uma gatinha. Especialmente quando ela diz:
"Ele é de outro universo, cara!" Pelo jeito como ficou, até parece que teve um orgasmo na hora

E já que falamos do Broyles, descobrimos neste episódio que ele já foi um militar com a patente de Coronel, e que tem um caso com Nina Sharp, a "garota propaganda" da Massive Dinamic! Até onde estas informações serão relevantes pra trama, só o futuro dirá.

John Noble continua mostrando a cada episódio que é um grande ator, alternando com facilidade entre cenas cômicas, tensas e dramáticas. A empolgação quase infantil de Walter Bishop diante da permissão do filho em fazer algo que desejava muito é um dos muitos pontos que contribuem para o grande carisma do personagem, talvez o mais querido do público.

Pessoalmente, ele é o meu personagem favorito nesta série. (o que não é nenhuma grande surpresa, já que um dos pontos negativos de Fringe é a falta de mais personagens carismáticos, a começar pela Olivia)

A cena em que ele faz uma autópsia ao mesmo tempo em que supervisiona Astrid enquanto ela prepara sua receita de pudim é ótima!

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"Mistura bem essa massa enquanto eu cuido do "presunto" aqui!"

Peter Bishop também se destaca, se tornando ainda mais atuante na história, e tomando atitudes que apontam pra uma participação mais importante do personagem nesta temporada.

Já tava na hora né? Peter sempre me pareceu um personagem de grandes possibilidades, mas andava meio ofuscado pela trama até então. (adorei a cena final dele com o Broyles, mostrando quem dá as cartas agora)

O mesmo valendo pro Agente Charlie, interpretado com competência por Kirk Acevedo, que soube aproveitar sua chance de mostrar um pouco mais de seu talento. Sinal de que os roteiristas estão dispostos a explorar mais os coadjuvantes nesta temporada (vamos ver se a Astrid desta vez ganha um "background" mais elaborado).

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Momentos finais de Charlie antes de seu futuro tornar-se sombrio

O episódio termina com uma seqüência de ganchos promissores a serem melhor desenvolvidos no decorrer da temporada. Sendo um dos mais intrigantes, na minha opinião, a cena em que Amy começa a relacionar os casos já investigados pela Divisão Fringe a passagens da Bíblia (!). Vamos aguardar o que sairá disto.

Resumindo, um excelente episódio de estréia, que chegou a ser melhor que o episódio piloto, pela quantidade de possibilidades criadas para a série, o que já era de se esperar por tratar-se de um roteiro escrito por J. J. Abrams, e Akiva Goldsman, este último também cuidando da direção. Que este nível se mantenha nos próximos!

E, o mais importante, a vaca está de volta! hahaha


FlashForward s01e01 - "No More Good Days"

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E a série que é a mais nova tentativa de encontrarem uma substituta pra Lost (que daqui a pouco termina) começou muito bem!

Nota aos leitores: segue abaixo resenha muito bem feita pelo Rodrigo. Vou me limitar a alguns comentários irônicos durante o texto.

Com elenco e produção de primeira, FlashForward já começa a história do ponto em que Los Angeles está mergulhada no caos instaurado pelo evento global que ocorre simultaneamente a todos os seres humanos. Dá um gostinho de quero mais, numa cena que lembra MUITO a abertura de Lost (personagem acorda desorientado num cenário posterior a um grande acidente, e encontra pessoas apavoradas, gritando, pedindo socorro...), mas logo trata de dar uma "esfriada" no telespectador, voltando algumas horas no tempo pra mostrar onde cada personagem estava antes de tudo ocorrer.

Assim, conhecemos um pouco da vida do casal principal, Mark e Olivia Benford. Ele, interpretado por Joseph Fiennes (o "Shakespeare Apaixonado"), um detetive que anda tendo problemas no casamento, graças à sua condição de ex-alcoólatra. Ela (papel de Sonia Walger, a Penny de Lost, uma delícia de mulher! ai ai...), uma médica que está fazendo de tudo pra salvar seu relacionamento com o marido, como, por exemplo, deixando bilhetinhos irônicos pra ele aprender a tomar jeito.

E olha o estereótipo! Os jardineiros deles são latinos... serão imigrantes ilegais?
Tá, eu não acho a Sonia Walger isso tudo não, se é para falarmos de gostosas vindas de Lost, de começo podemos citar a ... Ops, vamos voltar pra resenha... (algo naquela mulher me provoca muito... acho que é aquele sorriso meio torto dela)

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"Ser ou não ser... Ooops! Personagem errado!"

Os dois têm uma filha chamada Charlie (Lennon Wynn), que até o momento se mostrou apenas como uma daquelas menininhas loirinhas, coradinhas, de vozinha e jeitinho cutie, embora seja dela uma das melhores frases do episódio de estréia ("Sonhei que não há mais dias bons"), que por sua vez é o título do mesmo.

Creepy... lembrei dessas menininhas de filmes de terror agora.

Ainda temos Demetri Noh (John Cho), parceiro de investigação de Mark, que o acompanhava quando as mentes de todo o planeta se apagaram, bem no meio de uma perseguição a uma mulher suspeita de financiar atos terroristas (o que, obviamente, é o mote pra ser a primeira culpada pelo evento).

Também conhecemos Aaron Stark (Brian F. O'Byrne), padrinho de Mark no AA, que teve sua filha morta no Afeganistão há dois anos, e ainda procura uma forma de enfrentar a perda, sem mergulhar novamente no vício.

À beira de uma praia encontramos Bryce Varley (Zachary Knighton), médico e colega de trabalho de Olivia, que passava por uma fase péssima em sua vida, chegando ao ponto de tentar suicidar-se pouco antes de também apagar com o resto do planeta.

Vai ter sorte assim lá na pqp... (enrolou demais pra puxar o gatilho)

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Mais um pretenso suicida cagão que não deu conta de ir até o fim.
Pfff!

E por fim Nicole, a babá de Charlie (Payton List), que não pensa duas vezes antes de ligar pro namorado pra darem uma trepada no sofá do casal Benford enquanto a garotinha tira um cochilo no quarto.

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Ela adora dar 'umazinha' em dias de caos global! ^.^

Há outros personagens além destes, obviamente, mas que não ganharam tanto destaque no episódio, o qual deixou bem claro que ainda há muito o que falar deles.

Quando voltamos ao ponto em que o episódio teve início somos apresentados à série de conseqüências do evento que botou toda a humanidade pra dormir durante exatos 2 minutos e 17 segundos, tempo em que todos se viram 6 meses no futuro, exatamente no mesmo dia, 29 de abril de 2010.

Mas antes de mergulhar fundo no mistério da natureza do fenômeno, há a preocupação de mostrar como o mundo foi afetado durante um tempo tão curto em que a Terra, literalmente, parou.

Como o foco da história é Los Angeles, vemos a cidade num estado totalmente caótico. Carros acidentados em praticamente todas as ruas da cidade, incêndios, pacientes de hospitais mortos antes de intervenções cirúrgicas, helicópteros que se chocaram contra prédios quando seus pilotos "dormiram" em pleno vôo, dezenas de banhistas mortos por afogamento nas praias quando perderam a consciência, saques em várias lojas da cidade.

E não demora muito pros personagens descobrirem que não aconteceu só ali.

Notícias pipocam a todo momento nas TVs: Incêndios próximos à Torre Eifel! Mortes em massa em Hong Kong! 877 acidentes aéreos somente nos Estados Unidos!

No Brasil deve ter voltado o caos aéreo... mas ae logo vem uma ministra e diz pra relaxar e gozar... (provavelmente é o que ela estava fazendo no momento do apagão)

O mundo inteiro fica paranóico com a possibilidade de acontecer de novo, e tudo ficar ainda pior.

Que nada, é só uma marolinha... (Pegadinha do Malaaandro!!!)

E quando começam a surgir relatos do que cada um viu em seu futuro daqui há 6 meses, tem início os mistérios! (Oh, YEAH, BABY!)

Aparelhos de ressonância magnética usados em pessoas que tinham seus cérebros examinados no momento do acidente registraram uma atividade altíssima no hipocampo, o "centro da memória", fato que só acontece quando estamos acordados, indicando que não se tratava de sonhos ou ilusões tudo aquilo que as pessoas viram.

Com o clamor geral por uma explicação sobre a origem do fenômeno surge uma idéia: postar os relatos das visões de todos em jornais de circulação nacional nos Estados Unidos. E também criar um site mundial onde todos possam postar suas experiências, a fim de cruzarem referências, e criar conexões entre elas, para que se chegue a algumas respostas.

A mulher suspeita de terrorismo se vê no meio de uma tempestade, onde cavalos correm assustados.

Mark se vê sozinho, 6 meses no futuro, em seu escritório. Está apreensivo, voltou a beber. Observa febrilmente uma parede cheia de anotações sobre o Caso Mosaico, no qual ele tenta reunir o máximo de informações possíveis das pessoas que tiveram flashforwards a fim de chegar a uma resposta. De repente aparece um sujeito mascarado e armado claramente sem boas intenções.

Com três estrelinhas tatuadas no antebraço...

Charlie tem um pesadelo onde "não há mais dias bons."

Olívia se vê amorosamente envolvida com um homem que nem sequer conhece.

Bryce recupera seu gosto pela vida, quando vê que ela mudou pra melhor no futuro.

Aaron se vê diante da filha que estava supostamente morta.

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"Whoohooo! Finalmente vou ter um flashforward!"

Mais tarde Olívia recebe o garoto Dan no hospital, vítima de um dos muitos acidentes ocorridos no momento do apagão. Quando ela o conforta dizendo que vai ficar bem, pra sua surpresa, antes de ir pra sala de cirurgia, ele responde "Eu sei, Olívia", sendo que ela nem o conhecia (!).

Logo descobrimos que Dan é filho de Lloyd, que estava em Stanford durante o flash forward global, o qual, por sua vez, é o homem com quem ela se viu envolvida em seu futuro (informação que Olivia ainda desconhece).

Como se todo esse mosaico de premonições não bastasse, Demetri reaparece como o único até o momento que diz não ter passado por flashfowards, e desconfiado de que isto significa que estará morto quando 29 de abril chegar.

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"Pô! Eu também queeerooo! >.<"

E pra fechar, temos um ótimo gancho que nos apresenta a figura misteriosa do único ser humano até então conhecido que permaneceu acordado durante o flashforward.

Já temos os possíveis suspeitos: Peter de Heroes ou Neo de Matrix... (vai dizer que na hora que ele olhou pros dois lados vocês não pensaram que ele olharia pra cima e sairia voando? =P)

Bom, acho que deu pra notar que a intenção é investir no público que curte séries dramáticas de suspense com toques de sci-fi e paranormalidade (meu caso, obviamente).
Opa! o/ (1, 2, 3! Baila salsa e merengue, Maria! Foi mal, não resisti! ^.^'')
Bem produzida, bem escrita, e com um elenco variado e talentoso, FlashForward tem tudo pra ser uma série instigante daquele tipo que deixa o telespectador com os olhos grudados na tela do início ao fim do episódio, e louco para que a próxima semana chegue.

Alguém falou de 24 Horas?
(que por sinal teve uma 7ª temporada excelente)

É sempre bom ser pego de surpresa, e sentir arrepios de ansiedade diante de uma história, e felizmente foram estas as reações que este episódio despertou em mim. E que continue assim!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

[TIRINHA] - Os animais do bosque dos centavos - Requiem for a Friend

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Videogame
★ 1958 † 2005

This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again

domingo, 20 de setembro de 2009

[CONTO] Comunhão

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Na natureza vivemos. Na floresta.

No riacho entre folhas secas dispo-me totalmente. Sento-me contra a correnteza calma e sem pressa. Sinto-me intimamente acariciado por suas águas sensuais e sexualmente excitadas em minhas genitálias. Não há comunhão mais prazerosa que esta com a natureza .

Inclino-me para trás, observando meu sexo, meu abdômen, deixando que inundem-se por aquele gesto amoroso. Volto meus olhos para as copas altas das árvores que nos cercam. Elas também parecem excitadas, trêmulas e vibrantes de excitação e amor.

Vejo-a chegando em silêncio, contemplativa, baixa, vestido claro, solto, leve em seu corpo apetitoso. Caminha até mim e observa-me naquela cena que a outros olhos soaria inusitada. A ela soa como um convite.

Não há troca de palavras, apenas gestos, passos de uma dança compassada. Um erguer lento e provocante de tecido macio correndo sobre a carne de seu abdômen, costelas, seios, todos tão alvos e envoltos naquela luz mágica de nosso amor.

Despe-se toda e monta-me, tocando delicada meu sexo, levando-o de encontro ao dela, e assim eu, ela, e tudo ao redor nos amamos, sem pudores, sem preconceitos. Sem ciúmes, racionalizações e transcendências. Apenas homem, mulher, e o amor que os envolve e penetra seus corpos e almas numa comunhão perfeita. "Agrada-me tal cena", diria Deus diante de nós.

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Este conto foi inspirado no filme Anticristo, de Lars Von Trier, cuja crítica você pode conferir aqui.

[CRÍTICA] Anticristo (2009)

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Sexo. Loucura. Luto. Tristeza. Razão. Emoção. Terror. Violência. Solidão. Medo.

Estas são algumas palavras que me ocorrem num primeiro momento ao pensar em Anticristo, o novo filme de Lars Von Trier, estrelado por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.

Confesso que li umas três críticas a respeito dele antes de assisti-lo, o que contribuiu para diminuir o impacto que ele teria sobre mim caso permanecesse como um telespectador desavisado. Mas, ainda assim, era um filme que estava ansioso pra conferir, por tratar-se de uma produção artística cuja principal intenção é provocar e, até certo ponto, chocar quem assiste, algo que aprecio muito em qualquer filme.

Anticristo, pra quem ainda não sabe (o que é meio difícil, dada a cobertura que o filme recebeu da imprensa), conta a história de um casal que enfrenta a dor da perda de seu filho, cuja morte ocorreu sob circunstâncias um tanto "inusitadas".

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A seqüência que abre o filme, quase unanimemente considera uma pequena obra-prima de Lars Von Trier, pela forma poética em que foi filmada, dá conta de apresentar a tragédia do casal, e o tom da história, e do que virá pela frente. Traz algumas das imagens mais belas que já assisti num filme, mesmo exibindo cenas tão sexualmente explícitas, o diretor conseguiu torná-las mais eróticas do que pornográficas. E assistir aquilo tudo embalado por Lascia ch’io Pianga, de Händel, é de causar arrepios!

Dali pra frente acompanhamos todo o intenso tratamento ao qual o marido, um psicólogo, submete a mulher, forçando-a a encarar de frente seus próprios medos sem a ajuda de remédios calmantes e anti-depressivos. Logo ele descobre que uma das maiores fontes de medo da esposa é uma cabana no meio de uma floresta apelidada de Éden, e parte com ela pro lugar, onde a fase mais dramática do tratamento terá início.

Anticristo é um filme cheio de simbolismos, dos mais sutis, como na cena em que ela deita-se na grama numa posição bastante sugestiva, embora não totalmente escancarada, aos mais explícitos, como na grafia usada para escrever o título, ou ainda a automutilação punitiva como forma da personagem eliminar sua "culpa".

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Também é um filme de cenas fortes e afirmações polêmicas ("A Natureza é a Igreja de Satã", "O Caos Reina", entre outras). Cenas de sexo e violência explícitos causam grande desconforto em quem o assiste, o que foi um dos motivos de muita gente não conseguir chegar ao final nas exibições de cinema.

É também uma história que estabelece contrastes ousados entre conceitos superficialmente contraditórios. Por exemplo, nascimento e morte são intimamente relacionados, através de imagens como o filhote natimorto de cervo dependurado na vagina da mãe, a raposa morta afirmando que "o caos reina", o filhote de corvo morto a pedradas, o filhote de pássaro sendo devorado vivo por formigas, e depois por um falcão.

A própria cena de abertura funciona com um conflito de conceitos como sexo, prazer e morte. Perda da inocência.

O prazer, aliás, é um dos temas mais recorrentes de Anticristo. É especialmente tratado como a forma que ela encontra de sentir-se viva, ou de esquecer a culpa, o remorso e a dor da perda.

Muitos consideraram a visão negativa e demonizada que o filme apresenta das mulheres como uma tese de idéias defendidas por Von Trier, mas eu a vejo mais como uma forma de ilustrar quão perturbada a esposa se deixou ficar por seus objetos de estudo (ela estudava a história dos atos de barbárie cometidos contra as mulheres na história da humanidade), permitindo que influenciassem na forma como opta por lidar com suas carências afetivas.

Sua visão perturbadora e atemorizante da natureza é a maneira que encontra de transferir sua culpa pessoal para algo que enxerga erroneamente como externo, e maior o suficiente pra sentir-se vítima de tal força (o "Satã/Natureza", que num primeiro momento ela tanto teme).

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Além de trazer diversas seqüências plasticamente belas (ela caminhando pela floresta em hiper slow-motion, ele sob a chuva de sementes de carvalho) e perturbadoras (a automutilação genital, as mortes cruas dos animais), Anticristo ainda possui uma narrativa inteligente que, na medida certa, e sem aviso, oferece novas peças do passado dos personagens, aumentando um pouco mais nossa compreensão das motivações mais profundas responsáveis por compor a situação em que se encontram no presente.

É um filme difícil de digerir, mais voltado para a emoção do que para a razão, que em nenhum momento oferece respostas mastigadas ao espectador.

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Eu o definiria como um filme sobre a confusão e o caos que impera na mente de uma pessoa incapaz de lidar com suas carências emocionais e afetivas, e seus sentimentos conflitivos. Mas ainda assim isto não diz o suficiente a seu respeito.

Para aqueles dispostos a compreendê-lo por completo, é um filme a ser revisitado diversas vezes. Von Trier novamente conseguiu causar incômodo e levar seu público a reflexões sobre a natureza humana, esta sim a principal fonte do terror que impera em seu Anticristo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

[REVIEWS] A Marvel fora da Invasão Secreta - Parte 1

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Bucky Barnes, o sucessor de Steve Rogers

Enquanto em praticamente todas as séries mensais de super-heróis Marvel a Invasão Secreta ocupa boa parte das páginas, há aqueles personagens que ainda permanecem com seus respectivos títulos intocados pela supersaga do ano. E como eu já falei um pouco dela aqui no blog, desta vez achei interessante abordar as histórias que ainda não têm a menor ligação com o evento (embora eu pretenda voltar a fazer comentários a seu respeito num futuro post).


Pelo próprio fato de não sofrerem influência da Invasão, estas histórias já ganham um atrativo a mais, oferecendo uma opção aos leitores que buscam uma leitura mais descompromissada, que não os obrigue a ler praticamente todas as séries mensais da Marvel.

Vamos começar pelo Capitão América, cujas histórias atualmente contam a longa saga de Bucky Barnes assumindo o capuz e o escudo de Steve Rogers, a fim de dar continuidade ao seu legado.

Ed Brubaker, que vem escrevendo o título do personagem desde muito antes da Guerra Civil, a cada nova edição mostra um pouco mais de seu talento como escritor, sem apelar para grandes eventos e, o mais importante, sem a necessidade de ter um personagem icônico como Steve Rogers por trás do famoso uniforme que personifica a bandeira dos Estados Unidos.

É exemplar a forma equilibrada com que tem explorado todos os personagens coadjuvantes da mitologia do Capitão América, como Falcão, Sharon Carter, Viúva Negra, passando por breves participações do Tony Stark, e até mesmo personagens mais obscuros do passado do herói, como é o caso de alguns dos homens que já assumiram o uniforme do Capitão ao longo da história e que já pintaram nos capítulos anteriores escritos por Brubaker. Todos têm espaço o suficiente pra acrescentarem algo de relevante à trama maior que ele vem desenvolvendo pacientemente.


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Não é o Caveirão, mas toca um terror fodido

E já que toquei nela, merece elogios também todo o mistério que Brubaker vem criando em torno dos planos elaborados pelo Caveira Vermelha, Dr. Faustus e Arnim Zola desde o início de sua fase no título. Todos eles são vilões que no passado foram diversas vezes mal utilizados, e ridicularizados por atuações vergonhosas. Brubaker soube ressaltar muito bem o melhor (ou seria pior?) de cada um, de forma a criar histórias cheias de tensão e suspense, que conseguem este efeito mais pelo que está subentendido do que pelo explicitamente apresentado.


Na verdade toda a fase escrita por Brubaker até o momento pode ser encarada, pra usarmos um termo das grandes redes de TV americanas, como uma temporada cujo tema principal é a luta do Capitão América, não importando se trata de Steve Rogers ou Bucky Barnes, mas do símbolo que independe daquele que o porta, contra seu mais ferrenho inimigo, o Caveira Vermelha, que desta vez não está disposto a derrotar apenas o homem, mas também todo o mito por trás dele, seu legado, tanto física como psicologicamente. É mais um embate de conceitos diametralmente opostos do que uma troca de socos, chutes, explosões e escudadas de vibranium que ricocheteiam.

Nota-se isto não só relembrando o grande plano por trás da morte de Steve Rogers, mas também pela forma como o vilão vem procurando perverter tudo que faz parte do mito do Capitão América, destruindo e manipulando homens que já usaram o uniforme e o escudo em períodos onde Rogers esteve incapacitado, transformando a mulher que ele mais amou em sua principal arma na sua elaborada conspiração, e nas histórias mais recentes dando a entender que tem planos até mesmo para o filho que ela espera do herói falecido.


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Matar Steve Rogers foi só seu 1º passo

Muitos podem não ter gostado da pouca variedade de vilões a atormentar a vida do Capitão América na fase atual, mas acho que o Caveira funciona perfeitamente. Ele é tão vil e manipulador como Ben Linus, da série Lost, embora ele me lembre mais o saudoso Arvin Sloane, o grande inimigo de Sidney Bristow em Alias. E como a atual fase do Capitão América é uma longa série de histórias de espionagem, cabe muito bem aqui a citação a outra série do gênero.


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O Contemporâneo vs. O Clássico

Vale a pena correr atrás das histórias já escritas por Brubaker, todas publicadas aqui no Brasil na revista Novos Vingadores, desde a edição 25, ou esperar que a Panini republique as primeiras histórias de sua autoria em uma série de encadernados, o que será o meu caso, já que comecei a acompanhá-la somente após a morte de Steve Rogers, tendo que recorrer a scans na internet pra me inteirar do que havia ocorrido antes.


Continuarei a falar dos heróis Marvel que ficaram de fora da Invasão Secreta no próximo post, que tratará da ótima fase que vem tendo Thor, o Deus do Trovão, desde seu literal retorno do Limbo!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

[OPINIÃO] E A MÁGICA SE FOI

Se você já assistiu recentemente o programa “ A Turma do Didi”, viu que um efeito muito usado para se criar os cenários é o Chroma key, aquele famoso fundo azul (ou verde). Interessante, a tecnologia ajudando a criar cenários cada vez mais elaborados. Porém, por mais que essa tecnologia se aprimore, não consegue nos passar a mesma mágica que existia nos programas mais antigos.

os trapalh&otilde;es


Quem, como eu, já passou dos 25, deve se lembrar muito bem do antigo programa “Os Trapalhões”. Aquilo sim era interessante. Minha intenção é fazer uma comparação sobre os cenários, mas vou falar um pouco da parte humorística. Fico devendo um texto somente para comentar sobre esse programa. Os Trapalhões era um programa realmente engraçado, não tendo nem comparação com o atual programa do Sr. Renato. O humor simples, tanto com cenas inusitadas do cotidiano, quanto com extrapolações bem interessantes (quem não se lembra dos quadros de super-heróis?). Um humor feito para toda a família, sem as apelações que nos bombardeiam com os atuais programas do gênero. A Turma do Didi busca usar as mesmas fórmulas vista n’Os trapalhões, mas sem o mesmo sucesso. Acredito que os carismáticos integrantes Mussum e Zacarias façam uma falta tremenda. Os trejeitos de cada personagem eram únicos e inesquecíveis. Didi com seu jeito malandro, Mussum com seu palavrear único, Zacarias com seus maneirismo e jeito afetado. Já o Dedé nunca teve graça mesmo... Mesmo tentando suprir sua ausência chamando outros atores (que nada tem de engraçados, com uma leve exceção para o Tadeu Melo), A turma do Didi não chega nem aos pés do antigo programa em que foi baseado.

cacildis

Mumu da Mangueira na área...


Bom, desabafo feito sobre a parte humorística, vamos falar sobre o foco do texto, os cenários. Como dito anteriormente, por mais que a tecnologia se aprimore, não vai conseguir reproduzir a mágica que os antigos cenários tinham. Sim, hoje temos muito mais possibilidades de criação de cenário, desde o espaço sideral até os mais obscuros recônditos do planeta. Tudo isso pode ser reproduzido com ajuda da computação. Mas, por mais que se aprimore a técnica, nunca vão conseguir se igualar à mágica que possuía os antigos cenários. Como esquecer, por exemplo, a praia, cujo mar era apenas um papel celofane azul, e que ainda servia para mais piadas, quando o Didi se aproveitava para nadar nele.

Os antigos cenários iam, conforme a necessidade da piada, dos mais elaborados (como o trapa hotel, a agência trapa tudo, casas etc.) até os mais simples. Era comum um a praça ser representada por uns três vasos de plantas, um banco e só. Outro episódio, que se passava numa farmácia, era formado apenas por um fundo branco, um balcão e uma prateleira de remédios. Mas, mesmo quando eram bem simples, funcionavam muito bem, pois trabalhava-se com figuras icônicas, deixando para cada um elaborar esse cenário em sua mente. Lembrando sempre que o cenário é uma complementação ao foco da questão, ou seja, os atores e a piada sendo contada. Ainda assim é um complemento que fornece uma cor toda especial à cena.

Muitas vezes um grande cenário era elaborado apenas para uma pequena piada no final. Mas os trapalhões conseguiam transformar um quadro simples em uma comédia total. Quando uma parte do cenário quebrava, era motivo para mais uma improvisação cômica. Como esquecer as piadas com a comida ou outro item cenográfico?

Para quem não acompanhou na época, vale a pena procurar e conhecer esses ícones da comédia nacional. Pra quem já conhece, é sempre bom relembrar essas coisas que nos marcam a infância. (Já to até vendo me acusarem de mais um texto nostálgico, hehehe).

Outra menção honrosa que não posso deixar para trás é sobre os cenários de Chaves/Chapolim. Vamos nos concentrar no polegar vermelho, já que a vila do Chaves, apesar de ter passado por várias versões, era sempre a mesma vila. Já Chapolim requeria um trabalho maior por parte da equipe criativa, pois cada aventura se passava num local diferente. Vou ficar devendo também um texto só pra falar do vermelhinho.

Chapol

Saca só uma amostra do cenário...


Diferente do que vimos n’Os Trapalhões, os cenários para Chapolim eram sempre muito bem elaborados, possuindo ainda aquela mesma mágica gerada pelo programa tupiniquim. Abusando do isopor em itens a serem quebrados durante a filmagem, cada cenário alcançava seu propósito de construir a cena em questão. Quem nunca teve medo do abominável homem das neves, naquela choupana rústica, ou então do esqueleto que aparecia na mansão assombrada pelos mordomos? Como esquecer ainda o pirata Alma Negra e seu calabouço? Chapolim em Vênus foi outro episódio marcante, com as pedras diferentes, principalmente as pedras voadoras.

Aerolitos

AEROLITOS!!!


Bom, esse texto não me saiu muito a contento, mas deu pra fazer um apanhado geral do que eu tinha em mente. Como certas coisas nos marcam a memória e deixam um sabor muito bom em nossas lembranças. Pena não vermos mais coisas como essa atualmente.

Finalizando por aqui, deixo o convite a todos a comentarem e passarem sua opinião.

[TIRINHA] - Os animais do bosque dos centavos - In Science we Trust

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

[PODCAST] Conversando na Inexistência: Prisões, parte 2



Está de volta o seu, o meu, o nosso podcast mais amado do Brasil!

O esfuvisiante podcast volta para completar o papo sobre prisões com muito mais emoção!

O que está esperando? Ouça online agora!



Guia do Podcast
00:01 Introdução
00:40 Naufrago
01:16 Final Alternativo do Filme http://www.youtube.com/watch?v=JVaiA6sUvsg
01:30 Eles nunca sabem quando parar...
03:44 Papilon, parte 2
05:15 I want to break free
07:26 Prisões nos quadrinhos, a Ilha Riker
09:01 Mantendo os caras dentro
10:36 Prisão No 42 (Marvel)
12:45 Planeta Prisão (DC)
13:50 E os japa?
16:30 Asilo Arkham (e o cão do inferno)
21:00 O podcast foi gravado ANTES do lançamento do jogo Arkham Asylum
22:31 Arqueiro Verde: Escape From Super Max
24:10 Asilo Arkham, o filme?
24:54 Prison Break, o game?
26:40 A experiencia (não o da mulher pelada, o outro filme)http://pt.wikipedia.org/wiki/Das_Experiment
28:15 Jogos Mortais
31:46 O Senhor das Moscas
36:36 A Grande Escapadahttp://pt.wikipedia.org/wiki/The_Great_Escape
43:44 Alien 3 (será melhor abordado no proximo podcast)
48:00 Watchmen
50:27 Considerações Finais: Rodrigo
51:30 Considerações Finais: Cilon
51:45 LLL, textos sobre as prisõeshttp://www.sobresites.com/alexcastro/prisoes/mudancas.htm
52:33 Considerações Finais: Aélsio

E não perca o próximo podcast com o tema ALIEN e PREDADOR!


sábado, 12 de setembro de 2009

[TIRINHA] Os animais do Bosque dos Centavos - Independência ou Morte

Agora, por favor, todos de pé para o Hino Nacional da Independência:

HinoIndependencia.mp3

JAh PODeIxXx…dah pAtRIaH fiLhuxXx…
Ve KonteNTI a mAI GeNTiu;
jAH RAIOw A lIbErDadI
NU HORIzonTI Du BrASiU……
BraVaH gENTi bRaSiLErah!!!!!
LONgi vah tEMor SERVIu!!!!!
OU fICaH a patRIAH livrE…
Ou Morre pelu BrAsIU……
uxXx gRIlHOexXx KI nUxXx FOrJavah
DAh PERFIdIaH ASTuTU ArdiU:
hOvI MauM + pOdeROZaH…
zomBOw deLexXx U bRaSiu……
BRaVAH gENtI…BrASilerah………………
nAUm TemaIxXx iMpIaxXx fAlAngIxXx
ki ApReSeNtAm FACi hOStIu:
VoXXUxXx peiTUxXx…VOXXUxXx BraXXuxXx
SAum muRalHaxXx DU bRASIU……
brAvAh GEnTI…braSilerAH………………
pARabeNxXx…oH BrasiLEiruxXx!!!!!
jaH kum gARBU JuvENIU…
dU UniVerSU eNTRe AxXx NAXXoexXx
rESplANDECI a dU BRasIU……
BRAVaH GEnTi…BRasIlerAh!!!!!………………

JAh PODeIxXx…dah pAtRIaH fiLhuxXx…
Ve KonteNTI a mAI GeNTiu;
jAH RAIOw A lIbErDadI
NU HORIzonTI Du BrASiU……

BraVaH gENTi bRaSiLErah!!!!!
LONgi vah tEMor SERVIu!!!!!
OU fICaH a patRIAH livrE…
Ou Morre pelu BrAsIU……

uxXx gRIlHOexXx KI nUxXx FOrJavah
DAh PERFIdIaH ASTuTU ArdiU:
hOvI MauM + pOdeROZaH…
zomBOw deLexXx U bRaSiu……

BRaVAH gENtI…BrASilerah………………
nAUm TemaIxXx iMpIaxXx fAlAngIxXx
ki ApReSeNtAm FACi hOStIu:
VoXXUxXx peiTUxXx…VOXXUxXx BraXXuxXx
SAum muRalHaxXx DU bRASIU……

brAvAh GEnTI…braSilerAH………………
pARabeNxXx…oH BrasiLEiruxXx!!!!!
aH kum gARBU JuvENIU…
dU UniVerSU eNTRe AxXx NAXXoexXx
rESplANDECI a dU BRasIU……
BRAVaH GEnTi…BRasIlerAh!!!!!………………

[CRÍTICA] Chocolate (2008)

Photobucket


Uma garota autista, filha de uma tailandesa com um japonês, adora chocolates, filmes de pancadaria, e imitar, com o máximo de perfeição, os golpes de seus ídolos, especialmente quando querem sacaneá-la, e zoar com seu amigo gordinho.

Quando ela e o amigo descobrem que sua mãe está com câncer, e precisa de dinheiro para fazer quimioterapia, os dois dão logo um jeito de faturar uma grana explorando suas habilidades, sem muito sucesso. Não demora para encontrarem um caderninho com os nomes de todas as pessoas que têm dívidas com mãe da garota desde a época em que era amante de um mafioso local. E quando o primeiro devedor recusa pagar, a garota não hesita em usar tudo o que aprendeu assistindo todos aqueles filmes de artes marciais. Só tem um problema: ela tem medo de moscas!

A garota se chama Zen, interpretada pela bela JeeJa Yanin, dona de uma determinação sem igual, indo contra todas as expectativas nela depositadas. Numa interpretação sensível, Yanin desarma os espectadores, tornando difícil não se deixar cativar pelo amor incondicional que ela sente pela mãe. Aliás, este é o grande propósito que move toda a pancadaria do filme.

Taphon Phopwandee vive o gordinho Moom, melhor amigo de Zen, que o adota como irmão. É daqueles personagens que fazem de tudo pra faturar uma grana, mas suas motivações são nobres, o que enriquece o personagem, tornando-o tão cativante quanto Zen.

E por falar em personagens cativantes, Chocolate é um filme de luta que se esforça, e consegue com êxito, tornar a história do trio Zen, Moom e Zin (a mãe vivida pela bela tailandesa Ammara Siripong) envolvente a ponto de criar uma justificativa plausível pra pancadaria toda. E que pancadaria!!

Quem já assistiu alguma das produções anteriores de Prachya Pinkaew, como Ong Bak e Tom Yum Goong, já sabe o que esperar. Lutas bem coreografadas, com pouquíssimos efeitos práticos, e o máximo de realismo possível. Esta é minha 3ª experiência com um filme do diretor e o sujeito ainda consegue me surpreender com a potência dos golpes de seus personagens, as impressionantes quedas dos mesmos de alturas que, numa pessoa "normal", renderia alguns ossos quebrados, tudo de uma forma que não dá pra saber onde a coisa aconteceu pra valer, e onde entrou algum efeito especial que não conseguimos encontrar por mais que procurássemos.

As coreografias deste são um caso a parte. Rola luta em depósito de gelo, em um açougue, debaixo de grades que obrigam os personagens a lutarem agachados (!) e até dependurados em placas luminosas de bares e boates (!!), esta última um prato cheio pra Pinkaew, que adora botar seus dublês pra sofrer quedas que simplesmente não dá pra dizer que não aconteceram de verdade. É como um filme do Jackie Chan só que bem mais feroz e dramático (e doloroso!).

O filme ainda usa uma fotografia multicolorida que ressalta o tom de fábula moderna, e valoriza as cores mais representativas de cada cenário, como na seqüência do açougue, toda filmada em tons avermelhados, e nas belas cenas do balanço no meio de um bambuzal, realçando não apenas o verde quase onipresente, mas também a leve névoa de magia presente naquele lugar onde os personagens se refugiam pra encontrar um pouco de paz.

Como se tudo isto não bastasse, Chocolate surpreende ainda pela história comovente, mas sem soar excessivamente melodramática (apesar do que a descrição acima dê a entender). Sério mesmo! Foi o primeiro filme de luta que me deixou emocionado, especialmente em seu começo. Estive a ponto de ir às lágrimas em algumas passagens (e podem apostar que não é qualquer filme que consegue isto de mim!). Os personagens são construídos e explorados sem pressa, de uma forma bem natural. As lutas, em sua maioria, surgem de forma bem integrada à história.


SPOILER ABAIXO!!!

V
V
V

E eu não poderia deixar de dizer quão empolgante foi ver um "samurai moderno", usando terno (!), enfrentar uma gangue empunhando espadas, e o quanto fui em êxtase ao ver boxe tailandês misturado com técnicas samurais!

V
V
V

FIM DO SPOILER


Ficarei na torcida por uma nova parceria entre Pinchaew e Yanin. É uma visão linda, em alguns momentos até sublime, aquela garota, com aquele jeitão de moleca, descendo a porrada num bando de marmanjos, e deixando um punhado de peso morto gemendo de dor no chão. =D

Altamente recomendado!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

[CONTO] Os ursos do Lago da Lagrima do Norte


“Sente-se meu jovem” – disse o velho sem tirar os olhos da fogueira que crepitava na clareira, enquanto dava mais uma tragada em seu cachimbo – “Está na hora de termos aquela conversa que há tanto almejava, minha criança.”

Dentre as árvores saiu timidamente uma criança coberta por algumas peles e tiras de couro. O peito nu demonstrava que ainda era, efetivamente, apenas uma criança. Passou por cima do tronco de árvore onde o velho fumava. Hesitou por um instante se deveria sentar-se no mesmo tronco, e então decidiu ficar num tronco adjacente diante da fogueira.

“Nossa nossa, como o tempo passou rápido desde que você era apenas um pequeno bjornezinho” – A fogueira crepitou alto, então o velho prosseguiu – “Sabe, Athos, está na hora de você finalmente entender a história de nossa tribo, e porque nós não somos como nenhuma tribo de humanos, ursos ou criaturas da floresta. Você já está na idade de compreender e assumir o que significa ser uma Presa de Prata do Lago do Norte.”

A criança se adiantou na ponta do tronco caído, ansiosa como quem vê os créditos iniciais de um filme que há muito desejara ver ou, neste caso, uma história que sempre quis escutar. O velho parecia sentir a importância daquele momento, de contar aquela história em seus ossos. Pigarreou, e então começou a falar...

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Como bem sabemos, há muito, muito tempo atrás, antes mesmo da primeira relva crescer sobre o primeiro pedaço de terra, a Deusa das Florestas (que possui tantos nomes quanto há de estrelas no céu, mas que por nós é conhecida como Ehlonna) teve duas filhas: as luas Ulek e Kronna. Estes nomes já estão esquecidos para os humanos, ou nem sequer foram conhecidos, naturalmente.

A Floresta do Tempo, a floresta onde estamos agora, foi a primeira floresta de todo o mundo, e diz-se que suas árvores eternas foram plantadas pelas mãos da própria deusa, e que, assim sendo, existiam desde o início dos tempos, e permaneceriam até o seu fim, quando todas as estrelas caírem do céu, e mais nenhum animal caçar sobre a face deste mundo.

Mas, voltando à deusa, esta magnífica floresta foi sua primeira e mundana criação (após suas filhas, naturalmente) e, assim sendo, muito amor e atenção a deusa dedicava a este lugar. Quando o mundo ainda era jovem e sombrio, e os espíritos confusos e raivosos das coisas que ainda viriam a nascer vagavam perdidos, a própria deusa cruzava esta floresta com a velocidade e graça de uma corsa, e caçava estes espíritos perdidos para que mal algum fizessem a este lugar. Suas caçadas eram iluminadas pelo luar de suas filhas gêmeas, e aqueles foram tempos de paz e felicidade, como bem cabe às coisas da juventude.

Entretanto, com o decorrer das eras, Ulek e Kronna cresceram em ciúme à Floresta do Tempo, e pensamentos venenosos lentamente tomaram conta de seus corações. Veja, não é como se isso tivesse acontecido de um dia para o outro, ou mesmo de um ano para o outro. Foi um processo lento, que durou eras onde o amor das luas por sua mãe se corrompeu em ciúme e pensamentos vis contra a Floresta, e tudo mais que Ehlonna amasse e pro qual dedicasse sua atenção que não pra elas.

Por tempos, então, um plano cruel fomentou nos corações das irmãs, até que ele fosse colocado em prática com vilania: as luas Ulek e Kronna enganaram Quetzalcoatl, o Espírito do Ar, para que se apaixonasse pela floresta e ele assim o fez. Através das artimanhas e feitiçarias de Kronna e Ulke, Quetzalcoatl se apaixonou perdidamente pela floresta, e a floresta por ele se apaixonou de volta.

Ora, acontece que as coisas do ar e as coisas da terra não são para ficar juntas, de modo que aquele era um amor impossível e que nada traria alám de dor. Com efeito, em pouco tempo (pouco tempo para as coisas da natureza, o que para os humanos seriam dezenas de centenas de gerações) a floresta começou a definhar em sua dor e isso deixou Ehlonna muito triste.

A deusa, como caçadora nata que era, caçou pelos quatro cantos do jovem mundo um espírito que pudesse lhe dizer como resolver aquele problema e curar o coração da sua amada floresta, mas o que os espíritos das coisas que ainda viriam a nascer puderam lhe dizer não foi nada que ela mesma já não soubesse: não havia como curar o coração da Floresta, e a morte seria o único alívio disponível para que ela não sofresse até o fim dos tempos.

Então assim a deusa o fez. Por misericórdia e amor, cravou sua flecha de prata no coração da floresta e ela assim pereceu. Ehlonna chorou então por mil dias e mil noites, e suas lágrimas formaram o Lago Salgado do Norte, sobre o lugar onde ela abateu o coração da Floresta.

Eventualmente uma nova floresta nasceu ao redor do lago, mas não era a mesma coisa. Espero que você realmente nunca precise entender isso, mas o advento de um novo filho jamais apagará a dor da perda do primeiro. São coisas diferentes, e desta ferida o coração da deusa jamais cicatrizou.

De modo que o plano das luas funcionou perfeitamente, e a deusa jamais tornou a passar tanto tempo nestas terras. Com efeito, ela só tornou a voltar a esta floresta uma única vez, e esta vez foi para nomear os ursos da floresta do norte como guardiões da flecha de prata de Ehlonna, cravada no coração da antiga Floresta do Tempo (que fica no fundo do Lago Salgado do Norte).

Por incontáveis gerações, desde então, os poderosos ursos do Lago Salgado do Norte, que ficaram conhecidos como Presas de Prata do Lago Salgado do Norte, protegeram com bravura e lealdade os artefatos sagrados da deusa. E por incontáveis gerações aquilo foi bom, e os ursos Presa de Prata cresceram em poder e orgulho.

Até que então, duzentos anos atrás, veio a guerra, e os humanos cresceram sedentos de poder e ambição. Ora, a guerra dos humanos não dizia respeito nenhum aos ursos desde que ela não chegasse à floresta, e mesmo que chegasse, os ursos eram poderosos e espertos para protegê-la sem serem enganados. Você não consegue enganar um urso, esse é um velho e verdadeiro ditado do norte, de modo que os ursos originalmente pouca atenção deram a guerra.

Mas a guerra...
Bem, a guerra nunca muda...

Desde o nascimento da humanidade, quando os ancestrais deles descobriram o poder assassino do osso e da pedra, sangue tem sido derramado em nome de tudo, dos deuses, passando pela Justiça à simples e psicótica fúria. A guerra nunca muda.

Apesar de suas vidas curtas e efêmeras, os humanos sabem no fim das contas uma coisa ou duas sobre as verdades do mundo, e os magos mais sábios e poderosos do reino em guerra faziam alguma idéia sobre a história do Lago Salgado do Norte, e o tesouro que ele abrigava.
E sendo sábios que eram, sabiam que os ursos não podiam ser derrotados ou enganados. Os ursos não seriam derrotados dentro da sua floresta, e não podiam ser corrompidos ou enganados... ao menos enquanto fossem ursos.

O plano do mago não consistia em enfrentar os ursos, e sim em seduzi-los. Como foi dito, não se pode enganar um urso, mas pode-se perfeitamente enganar um urso que quer ser homem. E assim foi feito: o rei dos ursos foi enganado e seduzido a se apaixonar por uma humana, tal qual a Floresta foi enganada a se apaixonar pelo espírito do ar. Isso não foi, de forma alguma, mera coincidência, naturalmente. Foi, de fato, fruto de anos de muito estudo, pesquisa e arcanismo por parte do mago para descobrir no leito da história o que havia se passado naquela floresta, e fazer a história repetir a si mesma.

Foi, efetivamente, um plano brilhante.

Ora, é bem sabido que ursos e humanos não podem compartilhar tais sentimentos e, assim sendo, enlouquecido de dor e paixão, o rei dos ursos procurou o mago (como o mago esperava que acontecesse, pois este era o seu plano) suplicando por um acordo. E um urso que quer ser humano é uma criatura perfeitamente enganável, naturalmente.

Em troca da “humanidade”, o urso lhe entregou a Flecha de Prata de Ehlonna, e o coração da antiga floresta. Desnecessário dizer, é claro, o poder contido naqueles itens, e a diferença que eles fizeram no curso da guerra dos humanos, de modo que o mago muito satisfeito se deu com essa barganha.

O urso, por sua vez, fora enganado, e nada recebeu do mago. O que não quer dizer que ele não recebeu nada, embora teria sido melhor que não tivesse, e essa é a parte que mais concerne ánossa tribo.

A deusa se viu pessoalmente ofendida, vilipendiada, e indignada com a traição dos ursos, a quem ela confiou a proteção dos seus mais amados bens. Ora, eventualmente as criaturas do mundo conseguem surpreender mesmo os deuses, e aquela traição fora uma surpresa para a deusa, que estava tão surpresa quanto furiosa.

Como punição pela traição, Ehlonna concedeu à tribo dos ursos exatamente o que o seu rei almejara, e essa foi a maior maldição que podia ser imaginada. Desde esse dia nossa tribo tem ficado presa entre dois mundos, e daí nasce todo esse vazio, melancolia e sensação de deslocamento que preenche o seu coração e o meu.

Nascemos com o corpo de humanos, crescemos e envelhecemos como humanos, possuímos suas habilidades e suas características, mas jamais seremos humanos de verdade. Não nos sentimos à vontade em suas cidades, vestir suas roupas, usar suas armas e armaduras de ferro e aço são como vestir um colete de pulgas para nós, e suas casas e palácios fechados de vários andares nos causam enjôos.

Mas jamais seremos ursos novamente, nem voltaremos a ser parte da natureza, a sentir o mundo, o vento, a terra e a água como os animais sentem, embora nosso coração clame por isso. Somos aberrações amaldiçoadas sem lugar neste mundo, e sem lugar no mundo dos homens, e esse vazio, esse tormento, essa inconstância e sensação de nunca estar no lugar certo, preenchem cada um de nossa tribo, desde o nascimento até o dia de deixar este mundo.

Acredita-se que se recuperarmos os artefatos divinos através dos quais nossa tribo traiu a deusa essa maldição seja levantada e possamos voltar a ser apenas meros ursos, ou ao menos humanos completos. Mas a guerra fez com que esses itens se perdessem nas fronteiras deste mundo, e sua localização é desconhecida.

Tal tragédia aconteceu há mais de duzentos anos, e desde então temos nascido homens, mas com coração de urso. Eu nasci assim, você nasceu assim, seus filhos nascerão assim até que a busca seja completada.

Por isso cada homem de nossa tribo, ao fim de sua vida, deve partir para uma jornada sem volta em direção ao mais longe que ele conseguir avançar em busca dos itens divinos. Caso ele fracasse em sua busca, como todos até agora fracassaram, seu destino é morrer sozinho e esquecido em terras estrangeiras, como estrangeiros sem pátria que todos somos neste mundo.

Eu lhe conto essa história, meu neto, porque amanhã partirei para minha peregrinação, e provavelmente não nos veremos novamente. Caso nunca mais ouça falar de mim, como deve acontecer, lembre-se dessa história e conte-a daqui a 50 anos ao seu neto, como eu contei a você, para no dia seguinte partir em sua própria peregrinação e busca.

Que Ehlonna possa um dia lhe perdoar e abençoar pelo crime que nós cometemos.
Adeus, meu neto.

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Cinqüenta invernos se passaram desde aquela noite, e Iorek Svensson nunca mais ouviu falar do avô.

E naquela noite de inverno, ele observava a fogueira crepitar com o cachimbo no canto da boca. Era uma noite muito importante e especial para ele: havia chamado o seu neto para lhe contar a história da sua tribo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

[OPINIÃO] Hey Galvão, vai tomar caju!

Bem amigos do Existindo na Inexistencia!

O esporte preferido de muita gente é falar mal da Globo e seus subprodutos culturais. A indignação das pessoas com as celebridades do Big Brother, a superficialidade do Jonal Nacional, a obviedade da trama das novelas, a palhaçada que é o Criança Esperança… mas o post de hoje é sobre alguém muito especial para todos nós: Galvão Bueno




Eu tenho dificuldade de entender essa coisa de falar mal do Galvão.
Sei lá, isso ajuda a comer alguem pagando de intelectual cult? Só pode...

O bom do Galvão é justamente que ele é engraçado, não tem como não sorrir diante de um cara que grita "ACABOOOOU ACABOOOU!!!!" em um jogo em que o Brasil passeou em campo e que já estava decidido desde o primeiro tempo.

Não sei o que é exatamente tão bom assim em ver uma narração "séria".
No dia que eu ficar cego realmente vai ser interessante o narrador comentando "fulano tocou pro ciclano, tocou de volta pro beltrano..." com toda imparcialidade e seriedade que é tão exigida.

Mas felizmente como esse dia ainda não chegou, realmente uma narração normal (que o Galvão é tão criticado por não fazer) não acrescenta nada ao entrenimento.



F1 então eu não sei como alguem consegue assistir no Sportv. Já não é o esporte mais emocionante do mundo (uma corrida de uma hora e meia que tem umas 5 ultrapassagens e olhe lá) sendo narrada com "imparcialidade e seriedade" é pra acabar com o saco de qualquer um

Por outro lado temos o Galvão soltando perolas com uma velocidade impressionante, ufanismo maluco, torcendo desesperadamente em situações absolutamente tranquilas )(o que torna a coisa toda muito surreal), se estranhando com os seus comentaristas, enfim, não tem como não dar pelo menos um sorrisinho diante da surrealidade das narrações do homem.



Olha o que aconteceu no caso da denuncia da Renault: assim que o Reginal Leme disse que o Nelsinho podia ter batido de proposito, ele saltou nas tamancas como se dissessem que o Brasil não é perfeito. Não satisfeito, frisou que o IRRESPONSAVEL que havia vazado isso antes da analise final tinha que ser processado.

Mas quem era o irresponsavel que havia dado o furo pro mundo todo? Ora, justamente o seu colega ali do lado, Reginaldo Leme. Tem como não se divertir?

Ou então podemos ter a tão adorada "imparcialidade e seriedade", mas... qual a graça? Sério mesmo, o que tem de tão bom e interessante assim em ser sério e comum?

Como disse o Coringa: Why so serious?

Normalmente quem fala mal do Galvão Bueno são os mesmos que usam expressões como "povão" com um ar de nojinho, falam mal do BBB (como se o controle remoto não fosse a serventia da casa), falam da terrivel e malvadora manipulação da Globo como se a emissora fosse o Satã comendo mariola seca e coisas do tipo. O mesmo tipinho que se acha pairando acima do bem e do mal pq "percebe a verdade" que a massa ignorante manipulada não percebe.

Na boa? Tudo PIMBA*

*Pseudo-Intelectual Metido a Besta e Associados

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

[TIRINHA] Os animais do Bosque dos Centavos - Flower Power


"Os animais do bosque dos centavos" é uma tirinha cretina e amoral e que de forma alguma reflete as opiniões dos outros autores do blog. Have fun.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

[REVIEW] - Southland Tales - O fim do mundo



É assim que o mundo acaba: não com uma explosão, mas com um choramingo”

Esse é o poema de T.S. Eliot. Richard Kelly, no entanto achou por bem inverter a ordem das coisas e dizer em seu filme “não com um choramingo, mas com uma explosão”. Convenhamos: qualquer coisa que troque um choramingo por uma explosão é algo digno de atenção.

Esse é apenas um dos motivos que faz esse filme ser irrestivelmente atraente, do tipo que se vc não ficar nem menos curioso para assistir então vc não tem envergadura moral!

Pq eu digo isso? Ora, alem da coisa da explosão é um filme de Richard Kelly.
Se vc não assistiu Donnie Darko eu poderia parar este texto aqui para ir até aí te empalar com uma colher de piche enferrujada, mas estou de bom humor e vou considerar a possibilidade mais otimista: sua família morreu num trágico acidente de carro no qual apenas vc sobreviveu com 95% queimaduras em do corpo e tem que passar 23 horas por dia em coma para suportar a dor. Melhor assim.

Basta dizer que Donnie Darko é um filme Cult tão bom, mas tão bom que EU gosto. Não, o Rodrigo não editou esse parágrafo, eu realmente disse que gosto de um filme Cult... se bem que se ele tivesse editado ele também poderia ter editado essa justificativa... hm, que seja.

O que importa é que Richard Kelly escreveu e dirigiu a coisa toda.

O QUE? Como assim não é motivo o bastante pra ti levantar essa tua mão gorda do mouse pra baixar assistir o filme? Ok, então realmente vou ter que usar argumento pesado, né? Eu não queria ter que chegar a isso, mas lá vai: o elenco.

O elenco é tão foda, mas tão foda que apenas Predador (com a cena de queda de braço no ar entre o Arnold e o Apollo Creed) consegue superar na escala Herbert Richters de fodice:

- The Rock (como o mega-astro Boxer Santaros)
- Sarah Michelle “Buffy” Gellar (como a atriz pornô/filosofa/apresentadora de TV/ícone Cult Krista Now)
- Christopher Lambert (como o caçador de recompensas do carrinho de sorvete)
- Mandy Moore (como esposa de Boxer Santaros e filha do favorito a presidente dos EUA em 2008)
- Justin Timberlake (como o narrador da história)
- Sean William “Stiffler” Scott
- Kevin “Silent Bob” Smith (como o excêntrico Simon Theory)

Sério, vai dizer que não é o elenco mais épico, mortal e inenarrável que vc já viu em um filme até hoje? Pode admitir... ta, só não começa a chorar de emoção que aí eu vou ter que parar de novo pra ir aí te embulachar... se bem que é provável que vc acabe gostando, então deixa pra lá...

Hm, medo muito em vc sinto eu. Sua fé na força inconstante vejo eu.
Ok, então vc precisa de MAIS motivos? Ora, não por isso amiguinho, não por isso. Fique sabendo que o filme foi apresentado em Cannes e foi sonoramente... VAIADO!!! Isso mesmo, tomou um épico, raro e monumental vaião na lata.

Se vc não respeita um filme que foi vaiado em Cannes, então sinto muito mas eu não tenho mais nada a lhe dizer.

UPDATE: eu estava conversando com o Aelsio e ele deu a definição perfeita: Cannes é o Oscar indie. Então se eles não gostaram, é pq boa coisa há de ser...

Continuando, com este elenco que apenas a expressão “infinitos níveis de formidável” pode chegar perto de descrever, não seria difícil dirigir o maior filme de todos os tempos, certo?
Bem, e se eu te dissesse que o cenário imaginado por Richard Kelly consegue ser do mesmo nível que este monumental elenco?

Imagine o seguinte: em algum ponto dos anos 2000, os terroristas fizeram um novo atentado aos EUA só que dessa vez com fucking nukes, uma onda de atentados nucleares deflagrou a Terceira Guerra mundial contra o Irã, Iraque, Síria e Coréia do Norte. Em represália, esses países cortaram o suprimento de petróleo aos EUA que ficou mais lascado que espiga de milho em arraial de São João. A coisa parecia ter ido pro brejo, quando um cientista louco e obscuro inventa uma nova fonte de energia: o karma fluído. Funciona assim: a geringonça do tamanho de um farol fica dentro do mar e usa a energia moto-perpetua-infinita para criar um campo de energia estática de trocentos quilômetros onde tudo dentro dele funciona.

Dentro dessa bolha de energia limpa, infinita e renovável, o governo americano cria a USAIdent, uma empresa que controla(censura) com mão de ferro a televisão, internet e jornais o que é a deixa para o levante do movimento neo-marxista. E tem muito, muito mais coisa.

Richard Kelly, usou todo tipo de referência possível. E não a referência preguiçosa, estilo cópia, que diretores como Tarantino vivem fazendo. Ele criou um mundo completamente novo a partir de tudo o que viu na vida, de filmes Z a programas do Warner Channel. Sarah Michelle como uma prostituta ultra-bronzeada que tem um programa de debate filosófico, econômico e social na TV a cabo? The Rock como um ator canastrão, ansioso, paranóico, noivo da filha de um republicano? Uma distopia alimentada via jornalismo-show ao estilo Tropas Estelares? Uma penca de atores do Saturday Night Live no papel de guerrilheiros neo-marxistas? Richard Kelly juntou tudo para criar um filme cheio de cenas primorosas, arriscado e diferente.

Há muitas leituras, há muito o que se descobrir no filme. Fala de guerra, imprensa, celebridades, política. Nada explícito. The Rock apresenta nuances de atuação incríveis para alguém com seu passado.

Os personagens do filme são absurdamente bem construídos, cada um tem sua própria história paralela que se cruzam, descruzam e dar nó em nenhum momento. Na história principal, temos Boxer Santaros (The Rock), noivo da filha do favorito na eleição presidencial que subitamente desaparece por três dias. Quando finalmente aparece, está sem memória e disso se aproveita uma célula revolucionária neo-marxista para lhe dar um passado falso e com isso filmar cenas comprometedoras do marido da filha do futuro presidente com uma famosa atriz pornô (Sarah Michelle).

Mas Santaros tem suas próprias idéias, ele está obcecado em gravar o seu filme: uma ficção cientifica/ação de roteiro extremamente ruim (imagine algo como “O Nucleo” encontra “Robocop”) que na verdade não é um roteiro de filme e sim a profecia do que virá nos próximos tempos. Enquanto isso, um grupo revolucionário “neomarxista” tenta acabar com a ditadura através de métodos violentos, e um policial (Seann William Scott) se envolve em uma grande conspiração. Cabe a Abilene (Justin Timberlake), um veterano da guerra do Iraque, narrar de uma perspectiva distante este iminente fim do mundo.

Daí pra frente o filme vai ficando mais confuso conforme se aproxima do final. Idas e voltas no tempo, universos paralelos, futuros alternativos, enfim, essa porra toda que nós conhecemos e amamos

Então recapitulando: o diretor é foda, o elenco é foda e as atuações são fodas, o filme é repleto de detalhes, nuances e pequenas maravilhas narrativas (a minha favorita, de longe, é o esculacho aos queridos esquerdinhas neo-marxistas, mas vc vai encontrar a sua), tudo isso, mas juntando isso... o filme é bom?



"O polícial Roland Taverner era cafetão. E cafetões não cometem suicídio"
Essa é a melhor cena do filme, quando Justin Timberlake chapado até a alma dubla The Killers com coristas de perucas branca. Simplesmente épica. E logo em seguida Kelly caga tudo com uma cena que sai do nada, vai pra lugar nenhum e desemboca em vergolha alheia. Esse é o melhor resumo do filme.

Err... bem...

A impressão final, a coisa de “é bom ou não é” fica mesmo de que a pretensão de fazer uma obra grandiosa subiu a cabeça do diretor, que se perdeu ao tentar reunir todas as idéias que teve. A enorme quantidade de informações confunde e esconde a crítica proposta, e ela passa a ser apenas um pano de fundo para as loucuras bipolares de um megalomaníaco. Alias dá pra sentir o Richard Kelly se homenageando em cada frame. Eu não sei se fazer um filme que é um fracasso de bilheteria mas vira icone cult faz seu penis aumentar 29cm, mas com certeza o diretor dá a entender que faz sim...

Veja, naquela hora que vc pensa que as pontas soltas das histórias paralelas dos personagens vão se juntar ante o apocalipse... bem, é exatamente isso que acontece mas de uma forma preguiçosa, fácil e sem exagerar, constrangedora. Dá pra sentir claramente um "olha, eu sou um genio, então vcs ai que se virem pra arranjar um sentido pra isso e achar cada rabisco de cena genial"

Sério, o final do filme é bobo, infantil e ridículo. Pior que novela da Record. Sério mesmo, eu to falando de um filme que tem no final uma cena de quase meia hora de um carrinho de sorvete voador. Mais uma vez, não tem qualquer exagero aqui.

A conclusão é que o filme tem algumas boas sátiras e piadas, e um ou outro momento genial, frases de impacto (mas que ficam perdidas e parecendo que foram criadas só pra esse fim mesmo), referencias biblicas (assim como em Donnie Darko) mas quando vc vê que sua fé de que uma hora a história ia “fechar” ser traída (como eu disse, o final do filme até amarra as pontas mas amarra igual a minha cara de pois de ser atropelado e atacado por um enxame de abelhas zu-vu-kului), fica apenas uma sensação de perda de tempo e desperdício de ótimas idéias, um elenco maravilhoso em atuações ímpares.

Tudo descarga abaixo, é uma pena mesmo...

Veja Southland tales como quem assiste a uma instalação de arte contemporânea. Ao ter que sugerir algo assim vc pode ver o absurdo que é esse filme, mas o olhar menos preocupado com a lógica te poupará de estuprar uma Barbie em alguma das (muitas) cenas que soam como intermináveis piadas internas. E piada interna, como bem se sabe, só tem graça pra quem conta.
De qualquer forma, Kelly merece algum tipo de prêmio por oscilar tão radicalmente entre o deslumbramento e a lata de lixo.

É assim que o mundo acaba.
É assim que o mundo acaba.
É assim que o mundo acaba.
Não com uma explosão, mas com a masturbação mental de um diretor estrelinha megalomaniaco.